Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Samuel Beckett

sábado, 22 de novembro de 2008

Os últimos meses

Curiosa esta oportunidade para microsoft, e a oportunidade para Buenos Aires para projectos igualmente da microsoft...

Sem mais cartas na manga tornei a mandar mail para a oportunidade de Buenos Aires e para o agente de recrutamento de Londres, sem resposta. Repeti mais tarde para o cliente e finalmente responderam que de momento já não estavam a recrutar ninguém para esse projecto. Como é estranho demorarem vários meses para darem uma respostas tão simples e curta como "lamentamos". É o porquê do mail informando-me que me queriam contactar pra falar das oportunidades...seguido da chamada que nunca chegou a existir. Parecia que tinha-me afundado no meridiano 180. Que o mundo tinha rodado duas vezes enquanto eu dormia.

Todos estes meses passaram e agora a empresa para a qual trabalho em Portugal pede-me para fazer um plano de carreira. Justamente uma das fortes críticas que fiz quando saí do último emprego, a ausência de um plano de carreira.

Apesar de ter em vista um fim de contracto no fim do ano e passagem comprada para Londres, fiz o plano de carreira quer para não causar sururu quer para manter todas as portas abertas. Nunca se sabe se esta crise é uma constipação se uma pneumonia.
Aproveitei para manifestar o meu interesse em trabalhar num projecto no estrangeiro dentro do grupo da empresa. Que foi recebido com surpresa, apesar de não o achar para qualquer jovem como eu.

Começo a entrar no último mês de contracto onde tenho de tomar decisões sérias.
Não me posso descuidar senão lá se vai o meu período de aviso de não renovação de contracto. Passo os dias a ler artigos na web sobre a crise. Sublinhando os artigos optimistas, apagando os pessimistas.

Microsoft Experience

Recebo um mail no final de Julho de alguém que encontrou o meu CV no Monster. Alegou ser da microsoft e que tinha propostas para diferentes aportunidades. As áreas em escolha seriam Live Services, Mobile ou o novo Office 14. Pediram para eu enviar dados sobre a minha preferência no local onde seria alocado, área de interesse e país de origem. Pensei inicialmente que seria uma farça. Uma forma de verificar que a minha conta existe, está activa, e a minha origem. A microsoft não vai á procura de candidatos. Eles estão lá a bater á porta todos os dias. E muito menos enviam um mail com a seguinte frase a um completo desconhecido:

"After reviewing your experience/credentials, I can say I am quite impressed with your background and would be interested in further discussions."

De qualquer das formas respondi, não tinha nada a perder.

Recebo resposta poucos dias depois. Desta vez comecei a acreditar. Tinham recebido a minha informação e iam agora cruzar o meu CV e interesses com as necessidades. Fiquei contente com uma resposta (apos silêncio prolongada de Buenos Aires) mesmo que não fosse dar em nada.
No dia seguinte tinha nova resposta para marcar uma entrevistas telefónica. Fiquei em pulgas! Não queria acreditar como na altura certa (deprimido com Buenos Aires) estava a ter outra oportunidade.

Era Agosto, e numa tarde de 6F estava eu sentado na mesa de um café de auricular e caderno com frases feitas que me podiam ser úteis. Á minha volta vários executivos/administrativos tomavam uma refeição rápida, e o telefone toca. Lembro-me de comentar para comigo mesmo que não havia pontualidade britânica naquela chamada.

Tinha ficado com a sensação que a entrevista seria para analisar as minhas soft skills, enganei-me. Foi entrevista técnica até ao fim. O entrevistador tinha um sotaque mais difícil de compreender que me fez pedir para que repetisse algumas vezes. Muito provavelmente por a oportunidade ser pra Dublin.
Comecei por me entusiasmar com as primeiras perguntas que não eram triviais mas que eu sabia a resposta. Tanto o fiz que me atropelei a falar. Ficando com a sensação que fui trapalhão. A certa altura perguntei se me estava fazer entender. Do outro lado um sim sempre. Até que cheguei a uma pergunta que não respondi, mas que a resposta rebentou na minha cabeça mal a chamada terminou. Foi sempre a descer até á última pergunta que não fazia sentido. "Se tivesses de testar um teclado como o farias?" Fiquei muito tempo a pensar. Sabia que a pergunta era de lógia. Que seria pra ver como eu pensava. Comecei por dizer que testava uma linha e uma coluna. Não justifiquei que um teclado é uma matriz de fios. E quando do outro lado me pediam "e que mais?". E ia-me afundando ainda mais.

No final fiquei com a sensação que não teria dado uma má imagem, que se foi diluindo conforme o tempo foi passando. Na microsoft só vale a pena se passar uma boa imagem. A confirmação veio 15 dias depois.

" In light of our current opportunities, we will be pursuing other candidates whose background and abilities more closely match our needs at this time."

terça-feira, 1 de julho de 2008

"I tried your calling you "

Com o novo emprego nem dei pelas semanas passarem e rapidamente se passaram 3 semanas desde que respondi ao exercício.

Lembrei-me então de contactar o responsável pelo recrutamento em Londres para saber como estava o processo. Respondei-me imediatamente dizendo que estava em Buenos Aires e que ia ter uma reunião dentro de horas sobre o assunto. Telefonou-me para saber como me tinha corrido o resto do processo. E ficou ainda mais surpreso do que eu por ter recebido o exercício, visto a entrevista técnica me ter corrido mal.
Disse que me telefonaria no dia seguinte com informação sobre o meu processo.

Coincidência das coincidências, a empresa de Buenos Aires manda-me um mail minutos depois alegando que me teria tentado contactar durante o dia mas que eu não estive disponível. Estranho como o de Londres conseguiu com tanta facilidade entrar em contacto comigo.
Ficou combinada nova chamada horas depois. Apanhei o comboio de regresso a casa ansioso e fiquei de auricular pronto à hora marcada. E passou-se 15m, 30m, 1h...até que desisti. Não telefonaram e não mandaram mail a justificar o porquê.
No dia seguinte o contacto de Londres não telefonou. Foi a primeira vez que ele falhou no prometido.

Talvés uma grande alteração de última hora naquela reunião.
Só me resta esperar.

Buenos Aires Exercise

Depois da entrevista técnica que foi interrompida por ter ultrapassado o limite da 1h, e da tipica conversa "vamos analizar e depois dizemos-lhe qualquer coisa". Pensei que tudo estivesse perdido. Mas eis senão que uma semana depois recebo um mail com uma proposta de exercício como seguimento do processo de recrutamento.

O objectivo do exercício era avaliar a minha capacidade actual e o meu potencial.
O exercício envolvia matérias que desconhecia e que julgo que seriam desconhecidas mesmo para alguns profissionais com mais experiência. Era simulado um mail de um cliente onde era dito o teor do problema. O problema teria de ser resolvido numa semana. O mail era bastante resumindo, pelo que era possível questionar o cliente mas não sem ser penalizado.

Li o mail por alto num sábado de madrugada horas depois de o ter recebido. Tinha planos para todo o fim-de-semana e não pretendia alterá-los por causa de um exercício que me tinha sido enviado sem qualquer avíso. E se eu não acedesse ao email durante uma semana? Estaria na mesma situação que os outros candidados? Achei isto tudo uma valente tanga.

Por isso fiz o que queria e guardei o final da tarde e noite de domingo para analizar melhor o problema e planear a semana.
Escrevi no papel: "2 dia análise - 1 dias replicar problema - 2 dias resolver problema - 1 dia documentação". Era este o tempo que me restava pela frente.
Foi quase seguido á risca acabei por perder muito tempo na análise, visto tudo ser novo para mim. E não consegui replicar exactente o problema. Para isso precisava de perguntar mais ao cliente... e isto ia fazer-me entrar num diálogo que não ia jogar a meu favor. Por isso fiz o que não era muito correcto, mas necessário. Fiz de conta.
Fiz de conta que o cliente tinha feito assado e para isso tinha a resposta.

Acrescentei um diagrama Gant ao "experience Log" (um relatório dos meu passos de desenvolvimento) e esperei pelo melhor.

Joguei com o fuso horário. Quando estava a enviar o email de resposta já passavam 2h da manhã em Buenos Aires e o sol nascia na minha varanda.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Buenos Aires Interview

Uma semana depois de ter dado (novamente) ok ao processo de Buenos Aires ao responsavel pelo processo de recrutamente, tive uma entrevista telefónica.
Escolhi bem a data, era feriado e assim podia estar em casa descansado.

Esperei ansioso pela hora. Li tudo sobre a empresa no dia anterior e guardei toda
a informação que achei necessária. Faltava 1h para a entrevista e estava a reler
o documento quando recebo um telefonema do responsável pelo processo de recrutamento.
Muito simpático, como sempre, começou por falar no Cristiano Ronaldo e depois deu-me
umas dicas sobre como seria a entrevista. Até me aconcelhou a falar em futebol já que
é um desporto tao aclamado na Argentina.

Notou-se que não eram uma empresa britânica. Telefonaram-me com um atrazo de 15m justificando-se que estariam com problemas no telefone de conferência.
Eram 2 pessoas, homem e mulher. Fizeram-me as perguntas que já estava á espera. O que lhe faz mudar? O que lhe agrada em Buenos Aires? Tem alguma experiência Internacional (profissional ou não)?
E algumas que não esperava. Tem alguma experiência em alguma metodologia de trabalho (Scrum, ISO)?

Não brilhei, mas sabia que tinha respondido de forma aceitável á maioria das perguntas.
No final da entrevista (que durou apenas 20m) perguntaram-me quando podia ter uma segunda entrevista, desta vez técnica. Ficou combinado para o dia seguinte em que por acaso eu estava de férias.

Tive de instalar um Software de conferência (acesso remoto de desktop e tal) chamado webex e no dia seguinte lá estava eu de novo ansioso que o telefone tocasse.
Notou-se que do outro lado estavam pelo menos 3 pessoas. Embora apenas uma fizesse as perguntas.
Novamente um sotaque esquizito de quem não consegue pronunciar os érres ou éles.
Agora que estou a tentar recordar não me lembro bem, mas começou com uma pergunta parecida com um projecto que envolvesse muita gente e como é que eu lidei com isso.
Algo me está a soar falso nesta memória mas sei que fiquei muito tempo calado a pensar na pergunta, sem responder. Ele tentou ajudar-me afirmando que tinha 1 ano de experiência profissional, ou se tinha tido algum projecto assim na faculdade.
Lembrei-me de um em que estive envolvido no início do ano e assim que falei um pouco dele ele continuou com as perguntas. Depois pediu para eu aceitar o convite de partilha de desktop, e que teria de exemplificar o que tinha descrito antes de forma gráfica.
Se fosse uma videochamada todos veriam que fiquei branco. Não me recordava ao certo o que tinha falado antes. O exemplo que tinha dado era parte real, parte ao encontro da pergunta que me estavam a fazer. Até porque naquela altura eu nem me lembrava bem do projecto que tinha feito. Lembrar-me do meu próprio nome já foi uma sorte.

Longe vão os tempos em que usava o word para desenhar o que quer que fosse. Habituei-me ao Visio e outras ferramentas e então fiquei algum tempo á procura das setas e caixas de texto. Conforme fui desenhando fui-me lembrando como era a arquitectura do projecto e caixas de texto com significados vagos eram apagadas e davam lugar a novos conjuntos de caixas e setas.
Foram-me pedindo para ir descrevendo o que estava a desenhar e acho que nessa altura tudo se estava a safar. Pior veio depois.
Logo quando já estava a gostar da fazer aquilo disseram que bastava e que queriam que eu desenhasse um solução para um problema delas. Trocamos a partilha de desktop e do outro lado mundo desenharam-me o que pretendiam. Depois passaram a bola pra mim.
Comecei por dizer muitas coisas desbaratados e continuei assim até ao final.
Desenhei um esquema UML da hiearquia de classes que seriam necessárias (acho que até
foi um bom começo). Ao tentar demonstrar que sabia a diferença entre uma interface e uma classe insisti em manter interfaces quando do outro lado diziam claramente que não era necessário. Depois cheguei a um beco sem saída em que não conseguia andar mais e não sabia onde me tinha perdido. Quanto mais pensava em como estava a demorar muito tempo para um problema simples mais me enterrava na solução que estava a criar.
Até que me deram uma ajuda. Perguntaram-me se conhecia Padrões de Desenho e se podia usar algum ali. A pergunta era retórica mas não estava a ver nenhum padrão ali. Mesmo
assim perguntaram quais os padrões que conhecia. Disse 2 ou 3 correctos e outro que nem existia.
Até que foram dando ajudas até eu chegar á palava mágica "factory". Era o padrão correcto. "Há! Agora estamos a chegar algures, e sabes utilizá-lo?" Não sabia.
Os padrões de desenho fazem parte daquilo que todos os programadores deviam de saber na ponta da língua, e isto é-nos dito na faculdade. Mas no mundo cá fora, quase ninguém sabe do que se trata.

Terminei a entrevista com a certeza que tudo teria ficado por ali. Mas que ao menos tinha aprendido algo.
Factory.Factory.Factory.Factory.

Saí de casa fui ao Lagoas parque. Esplanada, imperial e público. Quando regressava a casa o recrutador de Londres telefonou pra saber como tinha corrido. Disse-me para não me preocupar com o assunto e que disfrutasse do fim-de-semana que se aproximava.
Estava triste e desiludido. Sabia que podia ter estado melhor muito melhor se apenas tivesse revisto em tempos os padrões de desenho. Mais um motivo para mudar de emprego. Estava a desvalorizar.
Achei entusiasmante como numa hora estava a falar com Londres e minutos depois com Buenos Aires. Como o nosso modo de vida esquece distâncias e fusos horários. Como era tudo isto que queria.

No dia seguinte, resolvi o problema com o afamado factory.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Porquê ?!

Porque é que os Portugueses se sentem estrangeiros em Portugal, e Portugueses no estrangeiro? Por causa da saudade. Tem-se sempre, caso se seja português, saudade de qualquer coisa. O que é preciso ver é que Portugal está feito para se ter saudades dele. Propositadamente. Cientificamente. Tudo foi minuciosamente estudado para nos chatear de morte quando estamos por cá e nos matar de saudades quando não estamos.



In Os Meus Problemas (1988) de Miguel Esteves Cardoso

Popular posts

Followers :

Tags

Closed Stations

Tag Cloud

Music Portugal Gigs Tube City Life Cultures Banksy Street Art TV Elections Festival Holborn Sainsburys Workplace flat hunting Brexit Football Lisboa bicycle Eleições GDIF Snow Sport arquitectura BBC Britain Canary Wharf Charities Comedy Deolinda Emigration Greenwich Humour Photography commute wage Ahhhh Saudadeeeee Arte Beer Benfica Camden Town Chelsea Chinatown ClaphamJunction Emigrante English English People Euro Flu Graffiti Halloween Islington Movies NHS Old Street Olympic Games Oxford Street Rough Trade Royal Family Seinfeld Tax Tooting Trafalgar Square Urban Voo Weather theater Accent Anniversary Argentina Art Bank Bank Holiday Boat Race Brasil British Museum Buenos Aires Cambridge Christmas Lights Christmas Tree City Docs Drinks EasyJet Economics Entrevista Euro 2012 Europe Holiday Ice Impostos Iran Ireland Jornalismo Language Livros London Marathon Lost in translation MEC Marathon Meditation Metronomy National Insurance Number National Portrait Gallery Nevão New Oxford Street Notting Hill Oxford Circus Piccadilly Circus Pub Referendum Riot Roller skate Royal Weeding Santa Scotish Scotland Sintra South Bank TimeLapse Union Chapel Vencimento Volcano World Cup coffee cycle economy lux nurse AI Alain de Botton America Anarchy Ano Novo Chinês António Damásio Apple Arcade Fire Argos August Balham Barbecue Beach Beckett Bed and Breakfast Benefits Big Ben Big Train Blasted Mechanism Blitz Blur Boeing 747 Bomba Boobs Booze Boris Johnson Brighton Bristol Britcom Brixton Bus Business CCTV CSS CV Cannon St Caribou Cell Cerebro Champions League Charles Dickens Cheias Chevrolet Cicio Cities City Airport Cloud Clubs Colégio Militar Comic Relief Consulado Covent Garden Cowards Cricklewood Croydon David Bowie Deflation Dia de todos os Santos Dublin East London Edward Hopper Eficiencia Einstein Euro 2016 Eyjafjallajokull Facebook Fado Figo Filand Flatiron Flight Friends Gherkin God Goodbye Gray's Inn Guincho Harrods Helpfull History Homeless House MD Hugh Laurie IPad Iceland Income Tax Interpol Iphone Jamie Oliver Jeremy Clarkson Jessie J Jobs Jogging Jonathan Ross José Saramago KOKO Katie B Kings Cross Laughter Lewisham Leyton Lianne Las Havas Litle Britain London 2012 London Bridge London Dungeon London Eye London Film Festival London Sealife Love Lupini MOD MS Madame Tussauds Madeira Maria Rita Marylebone Massive Attack May Mayor Mercearia Michael C Hall Microsoft Momento alto Money Monty Python Moonspell Movember Moçambique Mumbai NIN NYC National Insurance Nero Nuclear O2Arena OK Go Organ Oxford Oyster Pancake Paquistan Paralympic Games Peckham Pink Floyd Pistorius Play-Doh Poetry Pompeia Pontos da Semana Poppy Porto Primitive Reason Putney RATM Randy Pausch Recital Rejection Letter Religion Remembrance Day Renting Return Robert Capa Rota do Chá Royal Guard Run Rush Hour Rússia Save Miguel Saúde Science Shard Sikh Simpsons Sky Slang Sleet Space SpaceInvaders Sport Relief Square Mile St Patrick's Day St Paul's Cathedral Staind Stamford Bridge Storm Stratford Street Poet Strike Subsídios Summer Sun SuperBock Surf Swearing TFL TV Licence TV ads Tank Man Tea Telemovel Tesco Thames The Portuguese Conspiracy The Scoop The Smiths Tiananmen Tories Tower Bridge Tremoço Twitter UK VAT Vertigo Volvo WakeUpLondon Walkabout Waterloo Wembley Wimbledon Winter climbing code dEUS didgeridoo discotexas flat mate geek living cost march moulinex news pastel de nata plugs and sockets protest skyscraper west end