Desde os últimos meses que a minha visão tem piorado significativamente. Dos tempos em que conduzia sem óculos e saía a noite da mesma forma, aos em que não saio de casa sem eles. Não posso tirar uma foto e preparar a próxima olhando em redor sem os tornar a colocar.
Aproveitei o facto de ainda ter seguro de saúde para ir a uma consulta de especialidade a preço de saldo. O Doutor informa-me que tenho o olho picado. Resquícios de uma conjutivite obra de uma cabrão de um adenovirus que demorarão 2 anos a passar.
Tome estas gotas e regresse daqui a mês e meio - diz ele.
Nessa altura estarei fora. Ele diz que não existe problema. Que os olhos são linguagem universal. Que o meu problema vai-me atormentar tanto aqui como em Londres.
Essa é uma de 2 questões de saúde que passei a ter de tratar num mês, em época natalícia...
Parte de mim ficou a resmungar que se não desisto pela crise, desistirei por estes problemazecos.
Regresso ao trabalho e tenho um email do chefe. A reunião que tinha pedido á semanas fica marcada para o final da semana. Por causa de uma clausula do contracto que me poderá lixar os planos, peço pra ficar na 5F e assim fica.
Não sei o que irei dizer e tenho 24h para pensar se a minha estratégia é um aumento...se um adeus.
O dia não estaria completo se não fosse hoje... o jantar de natal da empresa. Onde das várias hipóteses possíveis...o chefe foi sentar-se ao meu lado.
Como bom analista que é, aproveitou para me perguntar como estava o projecto se estava contente. E em cada reticência perguntava de novo para eu reforçar ou justificar a minha resposta. Dei a entender que não estava radiante, mas satisfeito com o projecto onde estou. Uma má estratégia. Não fui plenamente honesto e caso queira um aumento deveria mostrar algum desinteresse...ou interesse por algo mais...
Deixo espaço pra desenvolver na próxima 5F.
Apagar tudo e começar de novo num ambiente que não conheço mais do que arriscado pode ser uma atitude imbecil e imatura. Como pode ser a oportunidade da minha vida.
Estive a pensar num comparação possível. Momento pra saltar de uma prancha alta para a piscina. O que mais custa é olhar cá pra baixo. Ou se salta logo, ou não se salta mais. Não esta não. Tanto esta como a queda livre não servem de comparação porque praticamente não interferimos na queda. A água lá estará no fundo. O pára-quedas abrirse-á.
Será mais parecido com escalada. Mas começando a meio. Onde a queda já fáz moça. A partir do momento em que meto pinças na rocha, so tenho de subir em constante esforço. Ao meu ritmo. Colocando a corda nas espressos para segurança nível a nível. E confiando que a corda estará no seu lugar, quando caír.