Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Samuel Beckett

sábado, 31 de janeiro de 2009

Counch Surfing part 2


30/01/2009


Telefonei para M. que vive em Londres á 5 anos. M. é de Africa do Sul e trabalhou vários anos em cruzeiros para reunir dinheiro para a mudança.
Contei-lhe que afinal já não tinha casa definida e que por isso ia ficar num B&B em Notting Hill. Depois de saber isto ela insistiu para eu ficar na casa dela por uns dias até arranjar casa. E eu, claro, aceitei.
Tornei a colocar toda a minha tralha dentro da mala, que para ser verdadeiro, nunca chegou a sair e parti para Carlshalton (que fica a sul zona 6). Objectivo: chegar a Waterloo onde me encontraria com M..
A viagem de Bus até Angel foi pacífica. O desafio viria a seguir.

Tento entrar no metro atolado de gente. Impossível. Ainda mais com duas mochilas, uma mala e 2 sacos de apêndice. Espero uns minutos e tento entrar no segundo. Novamente sem sucesso. Começo a suar. Nunca mais vou conseguir apanhar isto. Cada vez que as portas se abrem ninguém sai e nada consegue caber naqueles minusculos espaços. Muito menos as minhas malas. Nunca em Lisboa vi o metro tão atolado de gente. Hora de ponta em Londres mete respeito. E provoca nervos. Ao terceiro forço a minha entrada e consigo. Nem tenho onde me apoiar. Todos estamos tão enlatados que nem ha espaço para cair.

O problema surge quando chegamos á paragem seguinte. E eu so quero sair na outra, em Euston. Tenho as malas no caminho para não falar na mochila nas costas e á frente que me torna numa pessoa larga. As pessoas não conseguem sair mas forçam. Faço força para não ser levado pela corrente. Agoento-me até a próxima estação onde saio e suspiro. O pior já passou... pensei eu.
Vou em direcção para a saída para encontrar o caminho para os outros destinos da Northern Line.
Dou de caras com um lance de escadas. Como é que vou conseguir subir isto?! Pensei que Londres fosse diferente de Lisboa. Que tivesse acessos. Como é que alguém de cadeira de rodas sobe isto? Ainda é pior que Lisboa, ao menos lá temos elevadores!
Uma rapariga bastante jovem lê o meu desespero e pergunta se quero ajuda. Demoro tempo a responder, mas que posso fazer? Aceito. Ela carrega-me os sacos até ao topo das escadas e eu a mala de 20Kgm. Chego ao topo e aproveito para perguntar como vou para Waterloo. As placas em volta só dão indicações para a Northern line sentido norte. Mas eu preciso de ir para o sul!
Ela diz-me que só pode ser pelo caminho por onde vim. Novamente a minha cara de desespero. Tornar a descer as escadas. Ela disponibiliza-se a levar-me os sacos novamente escadas abaixo. Pelo caminho pergunta-me de onde venho. "Oh Lisboa!" - exclama ela. Nunca esteve lá. "You must!" - respondo eu.

Chegamos novamente ao fim da escadaria e desfaço-me em agradecimentos e preparo-me para segurar os sacos de novo. Ela diz que me vai indicar o caminho para a linha correcta e insiste que não tem problemas em levar os sacos até lá. Fico boquiaberto com tanta sorte.
Percorro a linha de onde tinha regressado no sentido contrario e pouco depois vejo as placas para o sentido que procuro. Chegamos a um lance de escadas rolantes e ela devolve-me os sacos. Agradeço-lhe e vejo-a seguir no sentido contrário. Nem sequer era o caminho que procurava! Não conseguia acreditar em tamanha simpatia.

Ainda a recuperar da minha sorte tento ajeitar os sacos em cima da mala. Vejo que um dele está com uma pega destruída e que com ela forma-se um enorme rasgão. Este era o saco com o aspecto mais sólido que tinha. Como é que vou carregar com isto tudo agora sem pega!?
Depois de subir as escadas rolantes tenho de descer... uma escandaria interminável.
Coloco o saco com apenas uma pega em cima da mala e tento descer degrau a degrau. Não tinha passado meia dúzia quando a pega rasga-se e o saco cai escadas abaixo...
Pronunciei palavras muito Portuguesas como F##%SE e CAR#$@O!
E ali estava eu no lance de escadas do lado direito do corrimão. A única alma daquele lado das escadas. Enquanto uma manada de formigas passava ao meu lado (ordenadinhos e compactados no lado esquerdo do corrimão) ignorando o meu Português. E é aí que aparece uma senhora nos seus 40s, nitidamente de origem Indiana, dizendo "do you need help?!" A minha cara dizia tudo. Pergunto-lhe se ela tem algum saco. Compactamos o sobretudo para um saco minúsculo. Ajuda-me a apanhar os outros artigos do chão e coloca-os todos no saco que estava bom, apesar de já apresentar um rasgo de lado. Agradeço-lhe e preparo-me para carregar o saco novamente. Ela diz que é melhor ajudar-me até ao final da escadaria para aquele saco não ficar ainda mais danificado. Sorrio e continuo escadas abaixo. O braço cada vêz mais durido e inchado.

Chegamos ao fundo e pergunto-lhe para onde fica Waterloo. Curiosamente é nesse sentido que a senhora tem de ir. Por isso insiste em levar-me o saco ate ao metro. Durante a viagem pergunta-me de onde venho. "Ah! Martim Moniz". Fiz um esforço para não me sair uma gargalhada. Claro, qualquer Indiano que conheça Lisboa, conhece o Mortim Moniz.
Conto-lhe um pouco da minha história. Que apostei alto para seguir este sonho. Que não desisti dos planos de um ano apenas por causa da crise. Digo-lhe também que não é assim tao descabido. Que sou de IT e que esse sector não foi muito afectado. Ela pergunta-me: "what language?". Fiquei surpreendido com a pergunta. Não é qualquer pessoa na rua que faz essa pergunta. E ainda menos a que compreende a resposta. Fico a perceber tudo minutos depois. Ela é professora Universitária de IT. "Se calhar é por isso que te ajudei, sem o saber." - comenta ela. Na estação seguinte ela sai desejando-me sorte na minha vida em Londres, não dando tempo para eu pedir o contacto. Seria bom demais conseguir uma cunha com uma coincidência destas.

Chego ao local combinado em Waterloo 30m atrasado. Cumprimento M. Peço desculpa pelo atraso e começo por dizer: "Nem sabes pelo que passei para chegar até aqui..."

Depois de um jantar de amigos em casa de M. regado por vinho Sul Africano descanso no meu novo sofá com o braço durido. Dá início á segunda parte do meu couch surfing.

(Aproveito para comentar que o vinho não tinha rolha de cortiça. Algo que nunca tinha visto antes e que faz com que isto faça todo o sentido. Save Miguel!

Stratford's Flat

De city Airport torno a Stratford via DLR. O DLR é uma espécie de metro de superfície sem condutor. O "pica" é quem acciona o mecanismo a cada paragem, tudo o resto é feito de forma automática...e llleeennntttaaa.
Chego a Stratford e pergunto a um ciclista sénior onde fica a praça que procuro. A meio caminho torno a perguntar a uma senhora que após apontar-me uma direcção e depois de já ter atravessado para o outro lado da estrada grita: "sorry if I'm not right!". Nunca vi ninguém tao receptivo em ajudar a dar indicações como um Londrino. Bem, na realidade o termo não diz tudo apesar de ser correcto. Os Britãnicos não têm qualquer simpatia. Os Londrinos é diferente. Não são britãnicos. São "cidadãos do mundo". Verdadeiramente de todos os cantos do mundo.

Depois de mais uns largos minutos á procura da praça, telefonam-me. Encontramo-nos na estação de comboio mais próxima. É um asiático, bastante simpático. Apresenta-me a moradia onde já vivem duas pessoas. Uma americana, uma do país de gales e um Inglês. Na altura a americana está a fazer jantar e o Inglês a entupir-se com tv.
A casa tem um aspecto estranho. Com algumas paredes com paredes com pinceladas reforçadas apenas em alguns sitios. A cosinha é pequenas mas aceitavel. A sala de estar muito pequena. O quarto é espaçoso como nas fotos. Cama de casal. O quarto também pode servir para casais com um acerto na renda e isso interessa-me. 120£ pro semana com despesas incluídas. 480£ mês. Nada mau. Mas... comigo viveriam 4 pessoas com apenas uma wc. Com a minha namorada seriam 5! O landlord dá-me uma cópia do contracto. Leio-a atentamente e reparo num ponto:
caso se convide alguém para domir terei de declarar isso e taxar 8£ noite. Isto é de loucos.

Regresso á estação com a orientação do landlord. Sempre com passo muito rápido, passando por sinais vermelhos (de peões, claro). E mesmo assim demorá-mos 16 minutos até perto da estação. Para chegar efectivamente á estação ainda teria de passar uma série de semáforos. O que tanto pode demorar 2 como uns 5 minutos. Por isso facilmente posso apontar para uma distância de 20 minutos da estação de Statford que está ligada ao tube via central line. E isto porque fomos por dentro de uma espécie de centro comercial. No caso de ser um hora diferente e aquilo estiver fechado, será ainda mais tempo.

A decisão fica tomada. Old st here I come.

City Airport's Flat

De Cricklewood sigo para City Airport. Mesmo na outra ponta da cidade, ou seja,
At Juda's Ass.
O overground demora séculos a chegar a Stratford onde apanho o DLR até City Airport.
Durante a viagem vejo os arranha céus do centro económico. Todos com as luzes de todos os pisos acesas. Um desperdício de energia, provavelmente. Uma bela fotografia que se perde, certamente.

Quando saio da estação parece que estou abandonado no meio de armazéns! Nada se passa aqui. Depois começo a ver aqui e ali algumas habitações. Foi um quebra cabeças para chegar a urbanização que estava ali mesmo ao lado, devido uma cerca de arame que a contornava.
Depois de andar perdido durante largos minutos a procura da rua certa lá consigo chegar ao destino. Aí telefono para o landlord que nunca em algum momento me deu a morada. Queria que eu chegasse a rua e só depois dava o número da porta. Também perguntou a minha nacionalidade...será para evitar africanos? Muito provavelmente se ele não fosse com a minha cara eu ficaria horas a espera que ele atendesse a chamada.
Mesmo assim andei as voltas mesmo depois de saber o número da porta. A zona pode ser descrita como dois prédios muito altos cheios de janelas e tijoleira e rodeados de pequenas moradias. Uma palavra surge na minha cabeça: Council. Que é como quem diz: Bairro Social. Um dos edificios mais baixos diz: Comunity Center mas tive a confirmação quando olho para a porta de entrada de um desse enormes caixotes.



Tanto quanto sei pedras não fazem este tipo de estrago. E eu até tenho bastante esperiência no que toca a partir vidros com pedras. Estes furos são feitos com balas.

Oiço uma voz ao longe. Vem de uma das moradias envolventes. O landlord é asiático. Apresenta-me a casa. Quarto é como nas fotos. Muito bonito. Quarto duplo com algum espaço, cama enorme. 130£ por semana ou 560 por mês com despesas. Quarto com possibilidade de ser para casal, ficando a renda em 150£ por mês. Casa de banho privativa mas esterior ao quarto. Logo junto a porta de entrada e o cubículo mais pequeno que alguma vez vi. Acho que teria de defecar com uma perna de fora.
E para rematar, não tem aquecimento a gás. Tem uma espécia de lareira...que o landlord até duvidava que funcionasse! Dizendo imediatamente que colocaria aquecimento electrico caso não funcionasse. Que confiança que transmite.

A cosinha era simpática e a sala tinha um LCD e sofás de pele. Muita pinta mesmo. Para não falar do mini jardim com a relva impecável!
Para viver ao lado de dois caixotes que mais podiam vir da zona J, o landlord tem de cativar com alguma coisa.
Vivem 3 pessoas na casa. Comigo seriam 4...com a minha namorada 5! Apenas para uma cozinha. Para não falar de ser muita gente na mesma casa.
Quanto a contracto... No Contract. No entanto teria de estar 6 meses na casa. Caso saísse teria de pagar 1 semana de penalização. Transmite muita confiança mesmo!
Aperto-lhe a mão á saída pensado que se tiver que voltar a esta terra... só se for para apanhar um avião!

Cricklewood's Flat


27/01/2009
16h30

Apanhei o Overground para Bronsdelsbury. Fartei-me de andar e de perguntar nos quiosques e pessoas onde ficava Cricklewood. Chego Finalmente e pouco depois chega o landlord. Ele é muito parecido com o Sayid do Lost. Imagino-me preso a uma cadeira e Sahid a dizer-me "Só precisas de dizer sim, 140£ por semana, one week deposit" de lamina afiada no meu pescoço.
Ele mostra-me a casa que é enorme. E isto não é um bom sinal. É Sinal que tem demasiados quartos. Pergunto quantos vivem na moradia... 6! Comigo serão 7. Se escolher o large double room, com a minha namorada seremos 8! Já dá para fazer um jogo de bola! Tem dois Wcs pequenos uma cozinha com sala de estar mas... para 7! No frigorífico estão duas folhas de papel A4 com caligrafia propositada para não ser reconhecida a sua origem. As folhas pedem respeito pelos outros e que sejam limpos. O Sayid devia de ao menos ter entrado primeiro na casa para reparar nisto.

Digo-lhe que vou pensar mas não volto cá a pôr os pés. Ou numa tradução livre... I'll not put my feet here again!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Old St's Flat

26/01/2009

Chego a Old st via tube e tento encontrar a Pitfield rd. Após 10 minutos ás voltas decido perguntar mas ninguém parece conhecer.
Acabo por ir com sorte até perto e ao perguntar a outra pessoa confimo que estou no caminho certo. Chego á porta certa toco á campaínha mas ninguém abre. Telefono ao meu contacto que me informa que a porta está sempre aberta. Triste.

Entro em casa e recebe-me um rapaz com tez Indiana e uma rapariga branca. Transmitem-me imediatamente simpatia, boas vibrações. E na sala/cosinha apresentam-me o outro flat mate com aspecto Inglês que se encontra a fazer o jantar.

Vejo os quartos. Pergunto se posso ver todos, e permitem-me. As portas não estão trancadas e no interior têm moedas espalhadas pela mobília. Isto pode significar que têm confiança entre si. O "meu" quarto é muito pequeno, parece inspirado numa esquadra de polícia. Mas ao mesmo tempo tem um ar acolhedor. A sala/cosinha compesa pelo quarto. Grande, bons sofás. Collecção de DVDs!

Falo sobre mim e pergunto um pouco sobre a vida deles. Ela é Israelita, ele Austríaco e o Indiano é efectivamente Inglês. Ela reconheceu-me imediatamente como Português, pelo sotaque. Conhece também um Português que foi colega do curso de Visual Effects assim como todos eles. Mais do que simples flat mates, são amigos. E isso nota-se. Oferecem-me algo para beber, recuso e saio depois com um sorriso estampado nos lábios. Achei a minha casa!
Trata-se de um contracto de 6 meses que segundo eles pode ser encurtado se eu me encarregar de encontra um substituto. "As long as the money comes in on time the landlord doesn't care." 506£ por mês sem despesas. Despesas essas que devem rondar as 70£.

No Bus para casa um tipo mal encarado passa pelas minhas costas em direcção á saída. Fica parado por segundos com uma mão no poste do meu lado esquerdo e outra no lado direito. O Bus está cheio. E mal ele larga a mão do poste eu afasto-me. Ele aproxima-se da porta e vomita.

A minha prima sublinha o meu azar.
Eu destaco que a minha sorte está a mudar.

Wimbledon's Flat

Saio de casa apressadamente e apanho o Bus 38 até Angel (que demorou uns 40minutos, merda de trânsito). Depois apanhei tube até Bank, troquei para a central Line até High St Kensignton e novamente a linha verde até Wimbledon. Pelo caminho o maquinista pede desculpa pelo atraso por ter de ceder passagem a outro metro. Não demorou 2 minutos! Se isto acontece para 2 minutos então o que é que farão para um de 30 a 40 minutos como acontece muitas vezes (todos os dias uteis pelas 19h) em Entrecampos? Encontro-me com um senhor nos seus 40s, Indiano, que me vai mostrar a casa juntamente com um casal francês. Andamos uns bons 20 minutos a subir. A zona é bonita, bons carros á porta mas esta é a casa mais feita da rua.

Não é possível mostrar-nos o interior da casa porque a senhora que tem a chave teve, segunto ele, de levar o filho ao hospital. E não existe outra chave. Conversamos no espaço que é a entrada da casa, onde é possivel ter mesas e cadeiras... churrasco. Mas neste momento é apenas um espaço fazio. Fico a saber que o meu quarto não tem aquecimento a gaz. Apenas electrico. Mas segundo o anfitrião é ainda melhor! Assim se o gás faltar sempre tenho aquecimento. O facto de ir viver com um casal... francês. Somado á falta de aquecimento colocou imediatamente a casa em check.

O preço acordado para o casal é de 650 mas será "special price for you". Fico a espera que o casal se despeça para ouvir o seu preço especial. Pergunta-me o preço que acho julto para um quarto que não conheço senão por fotos, que não tem aquecimento e que fica a 20 minutos da estação de Wimbledon! Isto fica a 2h de onde vim! Digo 500£ com despesas por mês. Ele diz 550£. Incrível!

No caminho de regresso apanho uma ensaboadela sobre a diferença no mundo. Que Deus faz as coisas para que uns sejam ricos e outros pobres (mas felizes com aquilo que têm!). Bullshit!
Também me confortou ao dizer que tinha uma secretária específica para laptops! Oh, então assim vou já a correr! Onde é que devem fazer estas secretárias mesmo? Só vindo directamente da tailandia ou assim.
O contracto seria de 6 meses mas especialmente para mim faz 3 meses. Deixo Wimbledon irritado mas a depositar as esperanças na próxima casa, em Old St.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

First Week

Faz hoje uma semana que cheguei cheio de falsas espectativas a Londres.

O quarto combinado não existe e a entrevista maravilha não correu como esperado. Todos os dias houve pontos altos e baixos. Nunca consegui ficar indiferente ao perder os Bus ver os flats... ao passar dos dias.
Passaram-se dois dias úteis com o novo número de telefone inglês mas mesmo assim não tenho entrevistas, quanto mais emprego.
Começa a tornar-se complicado manter a moral em alta e como consequência torno-me mole. Demasiado soft para uma cidade com o peso de 7 milhões de habitantes.

27/01/2009
13h52
Overground to Richmond.

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