Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Samuel Beckett

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Brexit

Ontem adormeci com o Remain com 4 pontos de avanço e acordo de manha com o telemóvel cheio de notificações dos vários jornais. Quando chego ao escritório só se falava nisto. Alguns dos Ingleses estavam realmente chateados. Até os que votaram leave me pareciam nervosos e enquanto diziam aos restantes "there's always a period of uncertainty. it will bounce back next week". Pareciam estar tentar falar para dentro.

E nao foi bonito. FTSE100 a cair 8%, a libra a desvalorizar 9% em relação ao dolar e 6% em relação ao euro...e o euro também a cair em relação ao dolar assim como as bolsas europeias. Um voto com consequências mundiais.


Quando cheguei ao escritório do cliente (em Milton Keynes a 90Km de Londres) estava um ambiente pesado. Alguns com vergonha do seu próprio país. Uma manager pergunta-me (num tom talvez jocoso) "Will you have to go back to Portugal?". "Probably."- respondi- "but my Pounds are worthless now"...riram-se todos.  Ao longo do dia pelos corredores só se ouvia uma palavra "Brexit".

Um colega falou-me sobre como a namorada dele (que é professora) organizou um debate na turma onde cada um pode defender a sua opinião discursando para todos. E, no final, votaram. Ganhou o In. Uma criança discursou que se sentia envergonhada. Que era o erro de uma geração e ela teria de viver com as consequências. Que não podemos saltar de um avião sem um paraquedas. E isto vindo de uma criança de 9 anos...(leste bem, Catarina Martins?)

Também recebi várias mensagens de amigos e conhecidos de Portugal. Uns genuinamente preocupados...outros nem por isso. A minha resposta era a mesma: "Preocupado? Eu não gostaria de estar em Portugal nos próximos meses."
Uma constipação é bem mais grave para um doente nos cuidados intensivos do que uma amputação para um atleta. Se houve uma altura em que os Britânicos se sentiram revoltados com Portugueses e Gregos que puxavam a sua economia para a recessão...agora será o inverso.

Depois de um inicio de dia solarengo, lá fora, as nuvens regressaram. O céu cobriu-se de negro e choveu incessantemente durante algumas horas. Trovejava em Milton Keynes, mas este grito dos britânicos ecoará pelo mundo fora nos meses que se aproximam.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Out there...in Europe

Foi uma das coisas que notei logo nos primeiros meses em Londres. A primeira vez ainda achei um lapso. Mas depois era BBC, Sky News, Guardian, Times, Economist....you name it. Que se referiam ao tempo e até à crise como algo que se passa "lá na Europa". Quase com o mesmo distanciamento que os Americanos (que referem a Europa como se fosse um único estado federado, longínquo e exótico).
E até os meus próprios colegas referiam que tinha regressado de ferias na Europa e eu ficava "mas, quando é que tu saíste?". E foi aí que percebi uma diferença fundamental na minha forma de estar na Europa com a de um Britânico. Começava logo na linguagem:"But in Europe they have such lovely roads".

Quando partimos deste princípio, que estamos fisicamente separados, o referendo sobre o Brexit torna-se natural.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Lupini

Comentei com a colega Britânico que o que combina bem com o euro e uma cerveja fresquinha é...o Tremoço.
Ele perguntou à mãe que falou com o tio Italiano que foi a uma mercearia em Bedford e trouxe-me Lupini.

É por isto que a Bretanha é grande.




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Tube Property Map

Aqui fica um diagrama do mapa do metro de londres mas com o preco medio de uma casa. Ja que são valores pornograficos, isto serve, pelo menos, para ver o custo de vida de cada uma das zonas.
De notar que nem sempre viver na zona 1 significar pagar mais pela renda...mas também se tal não acontece...é por algum motivo. #getmyselfakevlar



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Could A Robot Do My Job

O ano passado a revista londrina Economist dedicou uma edição ao futuro do emprego depois da revolução dos robots. Uns meses depois o Público fez um artigo...semelhante.
A bbc tem dedicado estas últimas semanas á evolução da inteligência artificial e o programa Panorama dedicou um episódio ao futuro do emprego que acho que todos aqueles que estão a pensar no seu futuro (especialmente fora de Portugal) deviam de ver.



"Be Adaptable.
Get used that you're probably going to have 5-10 jobs in your life;
Get used that they might be geographically in different places;

Get used to learning a new adaptation of your skill.
Skilling up isn't finite.
You can't say 'I've done it now!'.
You have to do it, all the time."

Lord Jones

Enquanto vejo (novamente) nas tv portuguesas toda esta pieguice á volta da fuga de cérebros em Portugal. E de como somos todos muito talentosos....mas apenas com um grande azar no país onde nascemos. É bom sublinhar...a razão porque muitos de nós não encontramos o emprego que procuramos (se é que ele existe...em alguns casos).
E que passemos a aceitar que o mundo dos 5 anos a fingir que aprendemos alguma coisa e agora temos emprego para a vida e na nossa área de residência...acabou.

domingo, 13 de setembro de 2015

Recenseamento Eleitoral 2015

As eleições legislativas são já dia 4 de Outubro. E se querem votar tem de estar recenseados.
Para consultar se podem votar apartir de Londres consultem o caderno de recenciamento em:
https://www.recenseamento.mai.gov.pt/

O prazo para registo de voto antecipado por correspondência termina já amanha.

Para mais informações consultem este link do site do Consulado.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Votar nas Eleições Parlamentares Gerais Britanicas

No seguimento do post anterior sobre como registar para votar no Reino Unido. Alguns meses antes das eleições cada casa recenseada recebe uma carta como esta.


Se nunca se registaram é normal que apareça os nomes dos inquilinos anteriores. Pelo que devem registar-se online ou seguir as instruções no verso da carta.

Mas nesta carta também é possivel ler:
EU nationals cannot vote in the UK Parliamentary elections, but they can register to vote at local and certain other elections.
O que significa que não posso votar no Shor Cameron...ou Miliband...ou outro demagogo qualquer.
Não posso votar para nenhum dos 650 tipos com assento parlamentar (ou MPs). E fico fodido por ver, por um lado, uma serie de brits que não querem votar (porque, apesar de uma completa ignorância do sistema, dizem que não serve de nada) e, por outro, várias gerações de comunidades de Ingleses (que, agora que passo alguns dias da semana fora de Londres, me apercebo melhor de serem) parasitas que nada fazem a não ser passear as banhas e sebo ao supermercado para comprar "all the essentials" (desde que tenha nicotina ou álcool) que tem mais direitos que eu. Que lhes pago os subsídios. Será que é justo pagar impostos acima da média do Inglês comum mas ter zero a dizer sobre o futuro da economia que ajudei (modestamente) a sair de uma dupla (quase tripla) recessão?

Um Português (por si só) não pode votar nas eleições gerais britânicas. Mas pode votar nas eleições locais, para as varias autarquias e distritos (excepto Londres), que decorrem no mesmo dia.

No próximo dia 7 de Maio alguns de nós teremos uma palavra a dizer. Eu serei um espectador resignado.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Registar para votar no Reino Unido

Hoje é o último dia para, aqueles que ainda não estão recenseados, poderem-se registar para votar nas próximas eleições "gerais" do Reino Unido.
Só precisam de 5 minutos e podem-no fazer online aqui.

Mais informação sobre as eleições pode ser encontrada no mesmo site ou neste artigo do jornal Guardian.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Red Box

Apesar de ainda ter 4 minutos antes da partida do Pendolino da estação de Euston, acelerei o passo. Os filhos da mae da Virgin fecham as portas da plataforma 2 minutos antes do comboio partir e deixam-nos a dizer Adeus ao Alstom 390. Ja não seria a primeira vez...
Entrei logo primeiras carruagens, as de primeira classe, não fosse o comboio partir sem mim.

E quando estou a atravessar aquelas mesas reparo numa mala vermelha. E fiquei a pensar de onde é que a conhecia.
E quando me apercebo o que era. Olhei para quem estava ao lado. E, apesar de a foto ser do mirror, foi mais ou menos isto:

Nada mais do que David Cameron, o primeiro Ministro. Ali, a meio metro, com a mala aberta em cima da mesa com varias folhas de papel espalhadas a volta (parece que o Cameron nao é tao arrumadinho como tenta fazer parecer). Com umas folhas que pareciam cartas oficiais de alguma coisa. Com grandes margens a branco...pouco texto e uma assinatura feita a mão.

Esta é a mala ministerial ou Red Box. A mala estar cheia de rasgos e quincas porque passa de ministro a ministro. Existem varias malas ministeriais (algumas verdes e uma preta com uma faixa vermelha [a mala top secret]). Mas a mais mítica de todas (que acho não ser a que o Cameron usa) é que o Chancelor of the Exchequer (o ministro da economia) usa para levar o orçamento de estado da sua residência no numero 11 para a do PM no numero 10 de Downing St. Essa foi construida por William Ewart Gladstone em 1860 e usada por quase todos os ministros da economia até ter sido substituida em 2010 por uma nova.

Continuei em frente porque queria atravessa a primeira classe (com umas 3 carruagens) para tentar encontrar um lugar e descansar da correria que fiz para não perder o comboio. Mas a cada dois passos olhava para trás para confirmar...e á segunta dois tipos (grandes, tipo armario) sentados vários lugares atrás pararam de falar entre si e pareciam querer levantar-se enquanto os dois olhavam fixamente para mim. Segui o meu caminho.
Mas fiquei a pensar que teria sido muito fácil fazer algo de mal ao PM. Porque não vi mais ninguém naquela carruagem e um desconhecido como eu conseguiu estar a meio metro dele...Se calhar por isso é que já houve quem conseguisse mesmo esbarrar nele...literalmente.

Cameron não estava sozinho. Á sua frente estava Samantha, a sua mulher. Mas estavam tão distantes, cada um a ler, que não pareciam conhecer-se. E isso fez-me lembrar no casal Underwood...

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Tax Year - Ano Fiscal

O ano fiscal Inglês decorre de Abril a Março. O próximo começa já amanha a 6 de Abril e termina a 5 de Março 2016.
É uma data importante porque é quando as alterações nas tabelas de imposto sobre o rendimento entram em vigor...e não só.
É também a altura onde as ferias vencem (alguns patrões não deixam passar dias de ferias para o ano fiscal seguinte).

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Hunky Dory

E se te perguntassem:
- All Hunky Dory?
O que respondias?

Muitas vezes as dificuldades que encontro quando tento comunicar com ingleses nem tem a ver necessariamente com a língua...ou até o sotaque. Mas com as expressões linguísticas que são o reflexo de uma cultura.

Hunky Dory não é só um grande album do Bowie com também um adjectivo.
Quando dizem:
- everything is hunky-dory.
Querem dizer:
- everything is fine.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Churrasco saudável? Adicione Cerveja.

Uma das grandes instituições do (curto) verão aqui em Londres é o Barbecue (ou churrasco). Basta o sol espreitar e começamos a ter aquele cheirinho espalhado pela cidade. Mas isso tem um preço. O processo de grelhar a carne cria moléculas de hidrocarbonatos aromáticos policiclicos. (lembro-me de nas aulas de química do secundário falaram do compostos aromáticos como se fossem sinónimos de cancerígenos enquanto pediam para colocar a rede de amianto (igualmente cancerígeno) por cima do bico de bunsen).
E estas moléculas são conhecidas por provocarem alterações no Adn causando cancro do cólon. Manchando a imagem do Barbecue. Até agora.
Uma equipa de investigadores da Universidade do Porto liderada por Isabel Ferreira encontraram uma alternativa. Basta adicionar cerveja. De preferência preta.

A vida é, portanto, bem melhor depois de umas jolas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Happy 20th Birthday Friends

O meu primeiro contacto com a série Friends foi quando estreou na RTP1 em 1998. Lembro-me de na altura terem feito muita publicidade durante semanas sobre a série de grande sucesso americano. Mas também me lembro quando vi os primeiros minutos. Ou melhor. Quando ouvi os primeiros minutos. Era uma dobragem vergonhosa que mais parecia um anúncio de um produto espanhol. "Que merda é esta!?". E não consegui mais ver.

Foi só quando cheguei a Londres que fiquei realmente a conhecer a série...também era difícil não dar por ela. Porque estava constantemente a dar no Channel 4. Era uma rajada de episódios diária. Ao ponto de eu deixar a televisão ligada e aquilo tornar-se no som ambiente da casa. As gargalhadas pré-gravadas. As musicas da Phoebe. O "how are you doing?".

Tanto foi a lavagem cerebral que levei que, quando fui a Nova Iorque, perdi uma hora a procura da prédio dos Friends algures em Greenwich Village.

Friends não vendia só gargalhadas. Mas também a ideia romântica de flat share. Na vida real os teus flat mates...não são os teus amigos. Nem a tua sala tem espaço suficiente para ter uma mesa de matrecos.

Até que em fevereiro de 2010 a notícia caiu como uma "bomba". Após 15 anos a rodar séries como se fossem frangos o Channel4 ia deixar de transmitir o Friends. Hoje ainda é possivel ter o ocasional binge watching no canal E4 mas nada como antes.

Há duas semanas encontrei o sofá da café central Perk na estação de comboios de Marylebone numa promoção dos DVDs.

Faz hoje 20 anos que a série estreou na NBC.



Mais rápido que o tube

Quantas vezes desesperei quando o metro rasteja a cada estação e pensei "até eu corro mais rápido que isto!". Pois James Heptonstall também, e fez isso mesmo. Aceitou o desafio de ser mais rápido que o metro entre Mansion House e Cannon St bem no coração de Londres.



Sei que alguns vai perguntar "para que serve isto?". Ou focar no risco que ele representou para os outros com quem podia chocar na estação. Mas eu acho que ele certamente adicionou algo a quem estava no metro naquele dia (e que aplaudiu). Tornou o dia um pouco mais alegre.

James apanha a mesma linha que eu diariamente e tem uma recomendação:
" I usually get the Northern line to work in the morning - it is not an enjoyable experience so I sometimes run or cycle if I can."

Acho que é isto que distingue os Ingleses (e outra culturas) do resto do mundo. Onde uns veem um continente gelado, outros veem o polo norte. Onde uns veem uma montanha com 8Km de altitude, outros aceitam um desafio. Onde uns desesperam na Northern Line outros traçam um plano para serem mais rápidos que o metro. E porquê? Porque nunca foi feito.

"It always seems impossible until it's done."
- Nelson Mandela

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Former UK

Nos últimos meses o que mais se fala nos média britânicos é o referendo Escocês. E tem mostrado exemplos de muitos que seguiram os mesmo caminho, que estão no processo (Quebec) ou que sonham em conseguir (Catalunha). E tem sido interessante a comparação com a Checoslováquia. As diferenças entre o nível de vida de Praga e de Bratislava.

Visitei Bratislava no inicio deste ano e achei realmente semelhante a um lugar como Glasgow. Sujo, cheio de sem-abrigo, alcoólicos e prostitutas. Nesse sentido Glasgow já está a conseguir ter os "benefícios" de um estado pobre e independente. O problema é que se já estão assim hoje...não sei como será depois da separação.

Tem existido muitas discussões sobre o que acontece ao restante Reino Unido. Se fica com a mesma bandeira. Se fica com o mesmo nome. Mas o que mais gostei foi do raciocínio que o programa NewsNight da bbc2 fez na semana passada. Qualquer coisa como:

When Yugoslavia split, part of it became "Former Yugoslavia".
If Scotland leaves we will no longer be United Kingdom.
Thus becoming Former United Kingdom...or FUK.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Referendo Escocês

No próximo dia 18 (*alguns) escoceses vão decidir se entram em modo BraveHeart (ja agora um dos filmes que mais irrita um escocês). É um assunto muito sério que a SkyNews decidiu explicar desta forma em apenas 90 segundos.




*curiosamente apenas os que vivem na Escócia...

Enfermagem no Reino Unido

Recebi um comentário de um enfermeiro Anónimo que esta a planear vir para o UK com a sua mulher e filho. É um comentário bastante esclarecedor e que pode servir de ponto de discussão e refleccao para muitos. Também importa ter em conta que este caso é de um casal que tem experiência profissional de 8 anos.

... sei de colegas que saem de Portugal (com a tal ilusão da conversão em euros do salário - que muitas vezes exibem cheios de orgulho) e depois se desiludem por tomarem em consideração o custo de vida. De todo o modo, e também baseado nas experiências melhor sucedidas de alguns amigos, direi que o dinheiro é apenas uma das variáveis a considerar. Ou seja, a decisão não deverá ter só em conta o factor financeiro.

Alguns pontos a considerar:

- o horário de trabalho normal é 37,5h
- os turnos de 12h (solução ainda não adoptada por cá, pelo menos massivamente) permitem-te um equilíbrio com a vida pessoal muito melhor - trabalharás em média apenas 3 dias por semana. Um amigo relatava-me que neste mês terá 15 dias de folgas.
- o investimento na formação profissional não só é instigado, como te ajudam na sua prossecução (nomeadamente financiando os cursos e dispensando-te de horas de trabalho).
- Além de haver uma carreira organizada com progressões definidas, a formação de que falava em cima PODE ser frutuosa. Este é um ponto muito importante para mim - considerando que já estou a terminar o terceiro curso superior (lic. em enfermagem e pós-grad e mestrado em gestão em saúde).
- O trabalho dos enfermeiros, pelas experiências que me têm relatado, encontra-se muito melhor definido e, nesse sentido, protegido. Por cá, trabalhamos continuadamente em zonas cinzentas.
- Há benefícios associados ao facto de seres trabalhador do NHS e a reputação dos enfermeiros, pelas polls que tenho lido, encontra-se de boa saúde(ver, como exemplo, aqui: http://www.angusreidglobal.com/wp-content/uploads/2012/09/2012.10.02_Professions.pdf)

Finaceiramente:
No nosso caso (somos um casal + um jovenzinho), temos visto propostas que rondam no mínimo os 34K (já com 20% de suplemento pelo facto dos hospitais serem na inner London), ou seja 68K para os 2. Juntando uns rendimentos que temos cá e transportaríamos para aí, estaríamos a falar de valores perto dos 75K. Sei perfeitamente que o salário é banal considerando a média nacional e de Londres. De referir que as ofertas assumem o topo da band 5 (o início está destinado a enfermeiros com formação superior recém-formados, presumo) - ou seja, és posicionado de acordo com a tua experiência (ou deverias!). Outra vantagem é que ficas "à boca" da band 6 que é para onde os enfermeiros com formação clínica adicional (feita no UK) são colocados, mediante concurso ou procedimentos mais nebulosos. Não me parece lógico - a não ser em situações anormais no país de origem - um enfermeiro com alguma experiência (>5 anos) aceitar um ordenado de 21K ou até menos, sobretudo para lares, como tenho visto. Para isso, deixe-se estar quieto em Portugal.

Outra grande diferença encontra-se no pagamento das unsocial hours. Enquanto que cá em Portugal, o pagamento dos suplementos de trabalho nocturno, fins-de-semana e feriados é totalmente residual e insignificante, no NHS as gratificações continuam a ser minimamente justas. Ou seja, ainda temos que juntar ao salário os dividendos daqui obtidos.

Outra diferença é que vai continuando a existir necessidade de horas de enfermagem colmatadas através dos chamados bank shifts, que mais não são que turnos extraordinários pagos em double time, salvo erro.

Pelas muitas contas que tenho feito (tendo por base também os valores de amigos que residem em Putney e Brompton) e considerando que a grande fatia de despesa será o arrendamento de casa (considerando o miúdo numa escola pública - que gozam de uma boa reputação), no meu caso pessoal, juntando as vantagens não-directamente-financeiras ao salário, a solução emigrar não se assemelha uma parvoíce desesperada.
Ou seja, o que me move não é a necessidade asfixiante de emprego e/ou dinheiro. Nem tudo será um mar de rosas, mas a estagnação profissional em Portugal dá cabo de mim.


Mas quero sublinhar esta parte:
Não me parece lógico - a não ser em situações anormais no país de origem - um enfermeiro com alguma experiência (>5 anos) aceitar um ordenado de 21K ou até menos, sobretudo para lares, como tenho visto. Para isso, deixe-se estar quieto em Portugal.
Nem todos os contractos no UK são iguais. Não se deixem deslumbrar pelos casos de relativo sucesso...pensem no conjunto dos casos. Meçam o risco. Tenham um plano B (ou mesmo C) e não pensem apenas naquilo que podem ganhar mas aquilo que, garantidamente, vão perder.

domingo, 17 de agosto de 2014

A Geração Y por Ana Cristina Pereira

Hoje foi publicado o terceiro dos artigos do jornal Publico sobre as diferentes gerações Portuguesas. Em vez de enviarem um estagiário (da geração Z) para o aeroporto da portela entrevistar emigrantes e familiares deram o trabalho a premiada Jornalista Ana Cristina Pereira. E, esta, escolheu entrevistar membros da "geração do milénio" mas também sociólogos e historiadores (you know...aqueles que conseguem analisar a actualidade com objectividade). Não se deixou levar pelo sensacionalismo barato nem deixou o trabalho a meio. Mostrou dados estatísticos e analise cientifica. Quem me dera que o "jornalismo" que nos entra pela casa a dentro todas as noites fosse todo assim.

O artigo de hoje desperta-me um interesse especial porque foca na "minha" geração. Digo "minha" porque acho que existe uma grande diferença entre os que nasceram na primeira metade dos anos 80 e os da segunda. E, ainda maior, entre os que nasceram nos anos 80 ou 90.

O artigo é intitulado "Os que aprenderam a transformar a necessidade em virtude". Que não concordo. Dos vintinhos aos trintinhos (segundo a definição do Miguel Esteves Cardoso) não acredito que sequer metade tenha tentado transformar fosse o que fosse. Que se tenha tentado adaptar à realidade que vive. São inflexíveis nos seus "ideais" ou direitos. E a prova está na elevada taxa dos que não estudam nem trabalham ("No ano passado, era de 14,1 a percentagem de jovens entre os 15 e os 24 anos que não estudavam nem trabalhavam").
Por isso acho que o título mais indicado deveria de ter sido o que foi associado à geração seguinte:
"Criados para aquilo que não podem ou não querem ser"
Porque acho que fomos demasiadamente protegidos e pouco habituados a lidar com a fracasso. Lembro-me de colegas meus receberem consolas de jogos como motivação para o ano seguinte por terem chumbado. Ou os da segunda metade dos anos 80 receberem um carro como prémio por entrarem para universidade, isto é, por fazerem nada mais do que a sua obrigação. Assim, receber um não numa entrevista de emprego sem receber depois uma consola de jogos, torna a realidade muito mais difícil de enfrentar.
Logo fomos educados e formados para áreas que o mundo não pediu nem precisa porque comprámos a ideia de que podemos fazer aquilo que quisermos independentemente de alguém estar interessado nisso. O facto de existir já é por si só suficiente para ter direito a uma vida confortável (que chamamos de "digna" mas na realidade vem com mais alguns zeros). E tudo o que seja menos que isso é um falhanço e um assalto a um futuro por direito. Se por um lado não podemos ser aquilo que o mercado de trabalho precisa (porque escolhemos seguir uma área diferente), também não queremos ser os talhantes ou canalizadores porque somos muito mais que isso...mesmo estando no desemprego durante anos à espera de um emprego que não existe.

Do artigo destaco:

"Pôr os holofotes nos emigrantes qualificados pode servir para alimentar a narrativa do Portugal moderno, com que a geração Y cresceu. O risco disso será a ocultação dos não qualificados que partem, a maioria, e a desvalorização dos que ficam, como aconteceu noutras épocas, previne o historiador."
"Muitos pais esforçaram-se para dar aos filhos o que nunca tiveram. Tentavam prever as suas necessidades, protegê-los de todos os males, elogiar as suas proezas, recompensar os seus esforços, fazê-los acreditar que podiam ser tudo o que quisessem. Agora, esperam encontrar o mesmo reconhecimento e recompensa no mercado de trabalho. E sentem, diz José Machado Pais, “uma frustração relativa”. Há, salienta, um saldo negativo entre o que têm e que pensam que deveriam ter. E a comparação com os outros não ajuda."
"Não é uma perda de população “definitiva”. Muitos partem para situações precárias e reemigram ou regressam ao ponto de partida. Pouco ou nada, nesta geração, é para sempre."
“Ia sentir-me um bocadinho mal por a minha mãe e mesmo o Estado terem apostado em mim tantos anos e eu ir embora agora que já posso contribuir...”
 É muito fácil confundir comodismo com Patriotismo. Não é o caso da referida no artigo (porque trabalha) mas existem muitos casos de Patriotas desempregados durante anos que acusam os que saem de "fugir". O que é mais patriótico? Um subsídio de desemprego ou uma remessa de emigrante?
" Licenciada em Psicologia e pós-graduada em Terapias Expressivas, só conseguiu um vínculo estável na clínica da família. O pai, dentista, queria ajudá-la a abrir caminho, mas a clientela não justificava. "
Curioso que se for o filho do Durao ou o irmao do vereador chama-se clientelismo, tachismo...corrupção. Mas se for para "os nossos" é apenas oferecer o lugar que merecem e que o sacana do mercado de trabalho recusou...estamos só a oferecer um lugar merecido porque o "País os desprezou". Ignorando que existem outras centenas com melhores qualificações que não tiveram a sorte de ter um lugar por ajuste directo. E o mais grave...é que este clientelismo, esta lei da cunha esta tão enraizado na nossa cultura que nem vergonha temos de o contar nas linhas de um jornal.

domingo, 3 de agosto de 2014

Secretário de Estado das Comunidades @ Publico

Hoje saiu no jornal Publico uma entrevista com o Secretário de Estado das Comunidades José Cesário. Que foca nas razões para as queixas contra vários consulados mundo fora (sim, não é apenas em Londres), como a falta de recursos.

"Tem havido um aumento do recurso aos nossos serviços de pessoas que nos inquirem acerca de ofertas de emprego que se iam traduzir em burlas."

Já tomei conhecimento, quer por mail quer por casos de conhecidos de amigos, de "ofertas de emprego" que são claramente burlas. Coisas como "recebi uma proposta muito boa (ordenado estupidamente alto para as competências que pedem) e agora só preciso de pagar 200£ para tratarem de papelada e do visto de emprego, será que é uma burla?". Onde desconfiam que é burla e "tu" confirmas que só pode ser burla e mesmo assim "acho que vou arriscar". Quem não sabe o que significa estar no espaço europeu e paga para um "visto de trabalho" está a pedir para ser enganado.

"não deixamos de encontrar pessoas que amiúde vão para alguns países, muitas vezes porque alguém na terra deles lhes disse: “Vem por aí, isto resolve-se”. Normalmente são pessoas que vão de autocarro, que partem com 70 ou 100 euros no bolso e um número de telefone de uma pessoa que não sabem se existe."

Aqui falam de vir com 70 a 100€ no bolso. Eu conheço casos de quem veio com 10 vezes mais que isso e mesmo assim só se safar com o sofá do amigo e a viagem de regresso paga pelos pais. 1000€ não é nada para começar uma vida em Lisboa, quanto mais em Londres. Só para conseguirem um contracto de arrendamento têm de dar mais de um mês de avanço e caução...e depois comem o que?
Mesmo imaginando um quarto baratissimo a 400£/mês. Os senhorios pedem normalmente 6 semanas de avanço. (Em alguns casos até 3 meses!). Isso daria a volta de 554£ (hoje 694€). O que significa que ficariam com apenas 306£ Desses...teriam de gastar 77.60£ para o passe de autocarro (sobram 228£). Mas tendo também em conta uma perspectiva optimista de que encontram emprego em menos de um mês, só irão receber ordenado no mês seguinte. Mas mesmo que os 228£ (por milagre) cheguem para despesas e alimentação para o resto do mês, ainda têm de ter novamente 400£ no final do mês para pagar renda. Isto porque a renda é sempre paga em avanço. Logo mesmo tendo emprego no final do mês já estão falidos e sem dinheiro para comprar viagem de regresso a Portugal.
Por isso é que começam a aparecer nas ruas alguns Portugueses iludidos com esta nova moda da emigração para Londres que se vêem na condição de sem abrido em menos de nada.
Isto é mesmo para assustar. Façam contas antes de sair. Este problema é real e acreditem, é bem mais fácil estar desempregado em Portugal do que em Londres.

Temos efectivamente alguns problemas de resposta na rede consular. Fundamentalmente, em alguns postos que não têm a dimensão suficiente para o crescimento que as respectivas comunidades tiveram.[...]
O que nos cria problemas, e, efectivamente, temo-los em casos como Londres, Manchester, Estugarda ou Luanda, são os postos que não têm dimensão para responder, não só às necessidades das comunidades portuguesas, mas também à procura de vistos da parte de cidadãos estrangeiros.

Eu também sou muito crítico do funcionamento do Consulado (e dos funcionários Públicos em Portugal em geral) mas já imaginaram bem quantos "Portugueses" somos no mundo? Eu conheci um, de Goa, que nunca tinha ido a Portugal e que se despedia de mim com "Hasta Manhana" (eu eu respondia "Não, Ray. Isso é espanhol!"). Ele, irmãos, sobrinhos, pais e avós...eram todos Portugueses sem nunca terem pisado solo Português e, mais grave que tudo, sem saberem falar nada da língua.
Também temos "Portugueses" de Burka que não falam Português nem Inglês...mas têm todo o interesse em ter cartão do cidadão não vão eles perder as ajudas sociais ou, pior, serem repatriados para trás do sol posto.
Os consulados têm de lidar com isto (que obviamente não acelera os processos) como com a crescente vinda de Portugueses para o Reino Unido cheios de "direitos adquiridos" e tiques de novo-riquismo.
E a todos eles pergunto: "Quanto é que contribuem para o funcionamento dos serviços que usam?" Zero.

Mesmo tendo descontado alguns anos não posso exigir ter departamentos e funcionários a trabalharem para mim 8h por dia, 12 meses por ano. Aquilo que descontei no passado era para as instituições que me ajudaram (ou outros) no passado...porque hoje eu não dou um tusto para o estado Português. E nem me venham com a conversa das remessas dos emigrantes que sao do interesse puramente privado.
Por isso mete-me um bocadinho de vergonha ver tantos tugas que nem sequer chegaram a descontar alguma vez na vida, exigir que os consulados (sejam de onde forem) sejam mais eficientes ou tão rápidos como pedir uma Pint. Especialmente porque nunca pensaram em pedir para que os emigrantes "revoltados" contribuíssem financeiramente para aquelas instituições. Ou imaginar se o consulado não existisse e tivessem todos de pagar uma viagem para Portugal para poder renovar o passaporte e, mesmo assim, ter consciência de que nem para estes contribuíram.

Temos muita gente licenciada com cursos superiores que literalmente não servem para nada no mercado de trabalho. Encontramos indivíduos licenciados em Direito ou com uma licenciatura em Ensino a lavar pratos — e se estiverem a servir à mesa não é mau, porque é sinal que pelo menos falam a língua local. 

Aqui ele toca na ferida. Desmistifica a ideia de que todos os licenciados que saem de Portugal sao "desprezados" ou "abandonados" pelo País, mas que "lá fora" são "cérebros", valorizados e respeitados. O que é uma tremenda mentira. Existem muitos que são tão desajustados ao mercado de trabalho Português como de grande parte do mundo.

Mas já há países, como o Luxemburgo, que mandaram sociólogos para Portugal para estudar as novas vagas de emigrantes portugueses que, pouco tempo depois de emigrarem, estavam a cair nas malhas do Estado social local.
Temos algumas franjas. Temos sete mil desempregados portugueses no Luxemburgo. 
A estes desempregados eu pergunto: O que acham de espanhóis, gregos ou italianos irem para Portugal não a procura de emprego mas de desemprego. E manterem-se por lá consumindo os recursos dos contribuintes, sobrando menos para todos? Estão à espera de quê para regressar a Portugal? É culpa do estado Luxemburguês o facto de estarem desempregados?
Este é o lado vergonhoso da emigração Portuguesa que felizmente não é a regra. Aqueles que perguntam primeiro quanto é o subsidio de desemprego. Ou quando "é que o estado dá" por cada filho. Talvez por isso conheça um casal que esta no Luxemburgo, sem a escolaridade obrigatória de hoje. Ela empregada doméstica desempregada, ele pedreiro. Mas que conseguem sustentar 3 filhos. Ou isso, ou talvez seja porque o generoso estado social paga um valor incremental mensal por cada filho até aos 18 anos...

Como vêem. O retrato do Secretário de Estado das Comunidades é bem diferente daquele que os telejornais fazem no aeroporto da Portela.

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