Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Samuel Beckett

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Enfermagem no Reino Unido

Recebi um comentário de um enfermeiro Anónimo que esta a planear vir para o UK com a sua mulher e filho. É um comentário bastante esclarecedor e que pode servir de ponto de discussão e refleccao para muitos. Também importa ter em conta que este caso é de um casal que tem experiência profissional de 8 anos.

... sei de colegas que saem de Portugal (com a tal ilusão da conversão em euros do salário - que muitas vezes exibem cheios de orgulho) e depois se desiludem por tomarem em consideração o custo de vida. De todo o modo, e também baseado nas experiências melhor sucedidas de alguns amigos, direi que o dinheiro é apenas uma das variáveis a considerar. Ou seja, a decisão não deverá ter só em conta o factor financeiro.

Alguns pontos a considerar:

- o horário de trabalho normal é 37,5h
- os turnos de 12h (solução ainda não adoptada por cá, pelo menos massivamente) permitem-te um equilíbrio com a vida pessoal muito melhor - trabalharás em média apenas 3 dias por semana. Um amigo relatava-me que neste mês terá 15 dias de folgas.
- o investimento na formação profissional não só é instigado, como te ajudam na sua prossecução (nomeadamente financiando os cursos e dispensando-te de horas de trabalho).
- Além de haver uma carreira organizada com progressões definidas, a formação de que falava em cima PODE ser frutuosa. Este é um ponto muito importante para mim - considerando que já estou a terminar o terceiro curso superior (lic. em enfermagem e pós-grad e mestrado em gestão em saúde).
- O trabalho dos enfermeiros, pelas experiências que me têm relatado, encontra-se muito melhor definido e, nesse sentido, protegido. Por cá, trabalhamos continuadamente em zonas cinzentas.
- Há benefícios associados ao facto de seres trabalhador do NHS e a reputação dos enfermeiros, pelas polls que tenho lido, encontra-se de boa saúde(ver, como exemplo, aqui: http://www.angusreidglobal.com/wp-content/uploads/2012/09/2012.10.02_Professions.pdf)

Finaceiramente:
No nosso caso (somos um casal + um jovenzinho), temos visto propostas que rondam no mínimo os 34K (já com 20% de suplemento pelo facto dos hospitais serem na inner London), ou seja 68K para os 2. Juntando uns rendimentos que temos cá e transportaríamos para aí, estaríamos a falar de valores perto dos 75K. Sei perfeitamente que o salário é banal considerando a média nacional e de Londres. De referir que as ofertas assumem o topo da band 5 (o início está destinado a enfermeiros com formação superior recém-formados, presumo) - ou seja, és posicionado de acordo com a tua experiência (ou deverias!). Outra vantagem é que ficas "à boca" da band 6 que é para onde os enfermeiros com formação clínica adicional (feita no UK) são colocados, mediante concurso ou procedimentos mais nebulosos. Não me parece lógico - a não ser em situações anormais no país de origem - um enfermeiro com alguma experiência (>5 anos) aceitar um ordenado de 21K ou até menos, sobretudo para lares, como tenho visto. Para isso, deixe-se estar quieto em Portugal.

Outra grande diferença encontra-se no pagamento das unsocial hours. Enquanto que cá em Portugal, o pagamento dos suplementos de trabalho nocturno, fins-de-semana e feriados é totalmente residual e insignificante, no NHS as gratificações continuam a ser minimamente justas. Ou seja, ainda temos que juntar ao salário os dividendos daqui obtidos.

Outra diferença é que vai continuando a existir necessidade de horas de enfermagem colmatadas através dos chamados bank shifts, que mais não são que turnos extraordinários pagos em double time, salvo erro.

Pelas muitas contas que tenho feito (tendo por base também os valores de amigos que residem em Putney e Brompton) e considerando que a grande fatia de despesa será o arrendamento de casa (considerando o miúdo numa escola pública - que gozam de uma boa reputação), no meu caso pessoal, juntando as vantagens não-directamente-financeiras ao salário, a solução emigrar não se assemelha uma parvoíce desesperada.
Ou seja, o que me move não é a necessidade asfixiante de emprego e/ou dinheiro. Nem tudo será um mar de rosas, mas a estagnação profissional em Portugal dá cabo de mim.


Mas quero sublinhar esta parte:
Não me parece lógico - a não ser em situações anormais no país de origem - um enfermeiro com alguma experiência (>5 anos) aceitar um ordenado de 21K ou até menos, sobretudo para lares, como tenho visto. Para isso, deixe-se estar quieto em Portugal.
Nem todos os contractos no UK são iguais. Não se deixem deslumbrar pelos casos de relativo sucesso...pensem no conjunto dos casos. Meçam o risco. Tenham um plano B (ou mesmo C) e não pensem apenas naquilo que podem ganhar mas aquilo que, garantidamente, vão perder.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O mito do ordenado em Euros - Enfermagem no Uk





Estava eu a ver o jornal da noite na sic (post sobre como ver tv tuga no uk para um futuro próximo) de 8 de Setembro e deu uma reportagem interessante sobre a fuga de enfermeiros para o estrangeiro. Alguns para Bordeus e outros para o Reino Unido. Uma, recém licenciada (julgo eu), conta a história de ter respondido a um anúncio para trabalhar na area da reabilitação e tratamentos de feridas, até lhe dizerem o ordenado. Cerca de 2.90€/h que, pelas minhas contas, dava a volta de 551 euros/mês (ainda assim bem superior ao que estão a oferecer em vários hospitais públicos em Lisboa).

{Bruno Noronha vice-presidente da ordem dos enfermeiros diz que com a fuga de enfermeiros quem é que vai repor os enfermeiros que entretanto se reformam?
E eu pergunto. Será que se reformam dezenas de milhares de enfermeiros...todos os anos? Não. E a resposta está aí. Não há colocação.
É inevitável que, com cada vez menos contribuintes e estes a contribuírem cada vez menos, não haja outra hipótese senão fechar hospitais e centros de saúde. Ainda me lembro de comentar com o meu médico oftalmologista (um reputado cirurgião da área) sobre a incompetência da primeira linha de saúde no NHS (serviço nacional de Saúde Inglês). E ele desabafar que "o NHS é um fracasso. A prova de que não pode haver serviços de saúde de qualidade para todos. Demasiado dispendioso." E mais a frente descaiu-se ao dizer que "o sistema de saúde Português foi desenhado a partir do Inglês.". Não querendo alongar-me num tema que não tem a ver com este post quero responder para quem tenciona perguntar "mas então porque é que o sistema de saúde Tuga não é tão rápido como o NHS?". Procurem as estatísticas de sobrevivência de Cancro europeias e comparem PT com UK. Fica para outro post.}

Resultado: 1500 enfermeiros pediram declaração para trabalhar no estrangeiro em Agosto.

A reportagem começa no minuto 38 mas o objectivo deste post é o que se passa no minuto 40. Uma jovem Enfermeira vai para o Reino Unido já com contrato na mão num hospital público Inglês. Como não diz ser Londres ou Manchester suponho que seja no interior (normalmente quando são locais conhecidos repetem até à exaustão).
E diz prontamente ao jornalista que o seu ordenado vai ser "21173 £ anual. 2060 € por mes sem descontos". Fiquei um pouco confuso com o termo "sem descontos". Normalmente aplico o antes ou após descontos. Mas fiquei com a impressão que seriam 2060€ brutos.

No UK nunca nos referimos a ordenados líquidos (depois dos descontos). E na esmagadora maioria falamos sempre de ordenados brutos (antes de aplicar descontos) anuais. Fala-se em K. 20K..30K...40K para referir milhares de libras anuais. Em Portugal eu falava mais em ordenado mensal líquido e nunca tinha a menor noção do valor bruto anual.

Ora é aqui que queria chegar. Se a Grécia colapsar e sair do euro quanto é que vai valer uma bica no UK? 2...3...20€? Não. Vai valer 1.40£.
O que quero dizer com isto é que não adianta ir um marroquino a Lisboa com camelos ou tapetes...o que lhe vai pagar a renda são euros. E o que vai pagar as contas a esta enfermeira são Libras! Porque raio estão sempre a traduzir para euros se isso não traduz o custo de vida!

Isto demonstra o fraco jornalismo que é a imagem destas reportagens. Estou farto de ver reportagens sobre Londres onde se traduz o ordenado para euros mas não se traduz o preço do passe para euros (172€) ou a renda ou o que realmente importa! Traduz-se exclusivamente o ordenado sem qualquer referencia ao custo de vida. (Eu diria que o custo de vida em Londres é 75% superior ao de Lisboa. Logo, imaginem um ordenado para viver em Lisboa e multipliquem por 1.75 e terão o ordenado que precisam em Londres. Se não chega se calhar mais vale não partir.). Para não falar na volatilidade dos câmbios nos últimos 4 anos. Há 3 anos, ao chegar a londres, tive de fazer vários levantamentos de 250£ separados por dias...nunca foram o mesmo valor em euros(mas por uma diferença de 5..10€). Em cerca de 2 meses este ano o meu ordenado aumentou 200€...continuei a ganhar o mesmo e a renda aumentou uma mesma % em €. Por isso não vale a pena traduzir ordenados para euros se no dia seguinte já esta 50,100 200€ diferente.

E de volta à reportagem. Enfermeira num hospital público no Reino Unido com um ordenado de 21173£. Ora podemos traduz isto por miúdos com ajuda do site Listen to Taxman (apesar de não ser um site official do HMRC(o ministério das finanças cá do sítio) nunca me falhou):



Logo 21173£ são 1764.42 mensais brutos. Que hoje estão a cerca de 2210€. Logo bem diferentes do valor 2060€ dito na reportagem. Mesmo com a volatilidade dos cambios não bate certo. A diferença é muita. O que me leva a pensar que ou o ordenado anual que ela referiu ou o mensal estão errados.
De qualquer forma tendo em conta o ordenado anual, o valor líquido mensal seria de 1396.67£ (cerca de 1750€).

Depois de encontrar esta discrepância decidi procurar por ordenados médios de enfermeiros.
O site de empregos Totaljobs.com diz que o ordenado médio no UK é de 27K(27000£).

Encontrei outros sites onde se pode encontrar info utíl como o nhsemployers e o Unison (sindicato).
No primeiro encontrei a tabela de remunerações para os profissionais de saúde do NHS.

Então parece-me que este caso pertence algures entre a Banda 4 ou 5.
Descobri um site muito duvidoso (de uma agência de recrutamento) que tinha uma tabela que me parece explicar as bandas 1,2,3 acima.

Apesar de os valores remuneratórios não baterem certo parece traduzir o significado da Banda 4 ou 5 para Banda D (Newly Qualified Nurses) ou E (Experienced staff). O que bate certo com este caso. Não encontrei significado para o Point mas suponho que tenha a ver com o local de trabalho. Quer dentro do hospital (urgências por exemplo) quer sendo uma  vila ou grande cidade com custo de vida acrescido. Também li algures que quem está em londres ou zonas limítrofes tem um subsídio extra (no máximo de 6 mil libras no centro de Londres). Trabalhar no nhs tem todas as vantagens de trabalhar para um serviço público mas não deixo de pensar nos motivos de contratação de estrangeiros em massa. Especialmente quando conheço um caso de uma enfermeira com larga experiência ter sido feita redundant assim como vários profissionais de saúde no NHS nos últimos 2 anos. Será que o governo Inglês está a despedir profissionais experientes e caros para contratar inexperientes e baratos?

Procurei um emprego exemplo para comparar ordenado e encontrei este. Logo a oferta que ela recebeu parece ser o mínimo que poderia receber...

Um estudo recente diz que uma família monoparental com um filho tem de ganhar pelo menos 23900£ brutos. Isto já tendo em conta que o estado vai pagar parte da renda, estudos, alimentação etc etc (são muito generosos nesse aspecto os Britânicos...demais, a meu ver) com os milhentos benefits (subsídios que existem para estes casos. Isto quer dizer que esta Enfermeira não pode sustentar uma família sozinha com este contracto.

Um outro estudo que compara os ordenados mensais médios mundiais diz que o ordenado médio Inglês é de 3065$ (cerca de 1915£/mês brutos). Logo esta  Enfermeira recebe abaixo da média inglesa.

Segundo o site oficial do governo, o ordenado mínimo Inglês é de 6.08£/h. Tanto quanto sei não existe ordenado fixo mensal. Segundo o ListenToTaxMan são perto de 900£ líquidas.

Então, a meu ver, esta Enfermeira deixou Portugal não porque não encontrava qualquer emprego. Mas porque não encontrava um que pagasse mais do que 550€ (o que se percebe). Tendo também em conta que o ordenado médio em Portugal está nos 777€ líquidos e o mínimo nos 485€(na realidade 565€ se contarmos apenas 12 meses (aqui não há subsídio de natal ou de férias))...fico a pensar se esta Enfermeira não estará tão perto/longe do ordenado míníno/médio no Reino Unido como se estivesse em Portugal.

Mais para o final da reportagem ela refere que "agora vão mais 20 para lá através desta empresa". E isto explica um pouco o caso. É através de uma agência de recrutamento. O objectivo de uma agência (um pouco diferente do que se encontra em Portugal) é fazer dinheiro contigo. Não lhes interessa arranjar o melhor candidato para a melhor posição. Não "estão à procura de trabalho por mim" como já ouvi dizer. Estão ali para fazer dinheiro. E isso implica fazer jogo sujo se isso garantir a comissão. Como por exemplo alterar o CV de alguém e quando chegas à entrevista o CV que eles têm não foi o que enviaste a agência. Por isso não confiem tanto assim nas agências. As agências estão para o emprego como um banco para as tuas poupanças. Tu és apenas um meio para eles atingirem os seus fins.

Seguidamente ela diz "agora vão mais 20, 10 da minha faculdade.".
O sair deve partir de dentro. Não deveria de ser um factor exterior como falta de emprego, influencia de amigos/conhecidos. Porque senão acontece como muitos casos que vejo. Começa um a regressar, regressam todos... A vontade de sair deve de ser muito mais do que um emprego (se bem que, por si só, já não é mau). Deve ser uma experiência. Uma prova de vida. Uma aposta em TI!

Se fosse comigo tomaria a mesma decisão. Ter um ordenado semelhante mas poder trabalhar para um hospital e poder evoluir na carreira é bem melhor do o actual estado do mercado laboral em Portugal. Mas é importante fazer contas e medir bem o salto. E não cair no mito do ordenado em Euros.

["Vou partilhar casa com uma colega" - Quantos enfermeiros, que se queixam nas ruas, dizem isto? Eu conheço alguns e nenhum vive a partilhar casa (que não com o parceiro). Isto é um modo de vida que os Portugueses não equacionam. Por muito que gostem de ver os "Friends", vivem acima das possibilidades, sozinhos, no seu T2. Com o contracto desta Enfermeira eu diria que é muito difícil viver em Londres sem partilhar casa. E que o normal seria ouvir "carne todos os dias? isso só se fosse rico. Também o nosso corpo não precisa de carne todos os dias" como cheguei a ouvir.]

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

NHS - Serviço Nacional de Saúde Inglês

[Vale a pena consultar os comentários abaixo pois têm muita informação interessante sobre o funcionamento das farmácias e NHS]
Ao chegar a Londres uma das primeiras coisas a fazer é registar no NHS. Eu registei-me dois anos depois de ter chegado. Existe quem diga que é importante fazer isso porque qualquer tratamento que tenha de ser feito (por exemplo algo simples como engessar a perna) e exames serão pagos na totalidade por mim. Não meto a mão no fogo mas sei que existe um protocolo de saúde entre países da união europeia que em caso de acidente como partir uma perna o doente não terá de pagar os custos totais do tratamento. Já não sei onde li/ouvi isto (se alguém saber melhor avise). No passado era necessário ir à loja do cidadão pedir um documento onde estaria a data de ida e regresso do destino de férias e que esse documento serviria como seguro contra as despesas.

Dúvidas à parte. Nos primeiros meses depois de chegar estava mais preocupado como pormenores como encontrar emprego, trocar de casa... e quando finalmente tive alguma estabilidade morava em Balham mas devido à minha morada teria de me inscrever no NHS de Streatham Hill. O positivo é que lá falavam todas as línguas (farsi, vietnamita, mandarim, português, "you name it"). O negativo é que, indo lá, provavelmente teria uma probabilidade maior de levar um tiro ou uma facada do que de ser atendido pelo médico. O facto de o meu médico ter de ser obrigatoriamente alguém com um nome árabe também não me inspirou grande confiança.

Há cerca de 6 meses lá tive de ir a uma consulta, e também, de me inscrever no NHS. Como mudei de morada (menos de 2km da anterior), também mudou o meu consultório e médico de família que me é designado. Será sempre assim que mude de morada, mesmo que apenas poucos quilómetros, e que seja uma área pertencente a outro consultório.
O consultório fica numa esquina em frente a estação de metro de Tooting Bec e colado com uma Igreja.

Logo a entrar dá para ver grandes diferenças com o que tinha em Portugal no Cacém. Uma sala de espera minúscula de um edifício muito antigo com uma carpete com manchas (provavelmente de alguém que teve outras coisas mais urgentes a fazer) mas lavada. Alguns folhetos com informações típicas de um serviço de saúde e cadeiras velhas, pouco confortáveis, mas que fazem o serviço. Fui até ao balcão com apenas uma funcionária e sou imediatamente atendido por não existir qualquer fila. Pergunta-me se estou inscrito e quando entrei no país. Eu desfaço-me em desculpas, com receio de receber uma resposta torta mas a senhora nem reacção tem. Não está ali para me julgar e é isso que faz. Fico com consulta marcada logo para o dia seguinte por volta das 6 da tarde.
Digo isto porque em Portugal teria de perder uma manhã porque ninguém daria consultas em horário pós laboral. Neste centro de saúde posso ter consulta no máximo até as 6h30. Tempo para marcar uma consulta - menos de 5 minutos.

{quem não está interessado em saber como funcionam as coisas em Portugal podem saltar esta parte}
[Como termo de comparação tenho o centro da saúde do Cacém. Há uns 10 anos era um edifício de vários andares a precisar de obras, em frente à estação de comboios. Pouco depois criaram o novíssimo centro de saúde no Cacém "de cima" e fui "obrigado" a ficar nesse para continuar com a minha médica de família. Esse centro fica agora a 1km da estação, com poucos transportes alternativos e sem qualquer lugar para estacionar o carro por ser uma zona residencial. Cadeiras pouco confortáveis mas bonitas e novíssimas. Televisões LCD em cada sala de espera. Julgo que são 8 salas de espera (cada uma sensivelmente o mesmo tamanho que a de tooting bec) mas todas numa espécie de open space. Onde, embora só se consiga ver as pessoas da sala em frente, o som das televisões é partilhado assim como os diálogos de quem vai lá apenas para meter a conversa em dia. Cada sala de espera com pelo menos uma funcionária para atendimento e marcações que ora está ocupada ora está "lá para dentro" formando-se filas com frequência.
Para garantir a consulta naquele dia (ao invés de daqui a um mês) tem que se ir para a entrada do centro antes da chamada. Dado que vivemos num país de chico-espertismo, muitos começaram a aparecer 1 hora antes do centro de saúde abrir. E, por isso, outros começaram a aparecer ainda antes do sol nascer para chegar mais cedo que os primeiros e assim conseguir lugar. O resultado é que todos os dias temos pessoas de manta vestida alinhadas à porta do centro pelas 5/6h da madrugada (alguns malucos às 4h). Pelas 8h os seguranças abrem as portas. As consultas deviam de começa às 9h mas não. Nunca a minha médica chegou às 9h (sempre por culpa do transito da IC19 e tal) e com perto de 2h de atraso. Por essa altura ficamos a saber quantas senhas estão disponíveis. Já não me recordo mas é um número ridículo tipo 5 com uns 2 extra quando há menos consultas maternais. Geralmente as pessoas a espera são pensionistas que falam e queixam-se muito e muito alto para quem, supostamente, está doente. Cada consulta demora no mínimo uns 30min que pode muito facilmente ser 1h porque a médica de família também tem de que ser Psicóloga. Tempo para marcar uma consulta - Nunca menos de 3h para garantir consulta no próprio dia. Tempo desde atendimento até fim da consulta - Pelo menos 2h30 se for um dos primeiros números.]

No dia seguinte lá fui eu à consulta como combinado. Entrei e tinha apenas uma pessoa sentada na sala de espera. Recebo um formulário para preencher onde têm as perguntas típicas como nome dos progenitores, estado de saúde dos mesmos etc. Mas também uma que não estou habituado a responder "Quantas unidades de bebida alcoólica bebe por semana?". E julgo que davam exemplos como 1 copo de vinho = 2 unidades. E isso preocupou-me porque na altura estava a beber pelo menos 2 gins tónicos por dia e nem conseguia fazer contas de cabeça suficientes para saber quantas unidades eram. Acabei por não responder e dizer que só bebia socialmente.

Acho que demorei uns 15 minutos a responder ao formulário e uns 2 minutos depois estava a ser chamado para ir ao Doutor. O Doutor Amin é um senhor indiano com já alguma idade mas bastante simpático. A forma, e especialmente o olhar quando me fazia perguntas, intimidou-me porque me parecia um pouco "serial killer" (um olhar tipo Hannibal Lecter mas com olhos mais arregalados com algumas cataratas). Contei-lhe a minha história e ele sem rodeios disse-me logo o que era, porque acontecia e que medicamentos precisava tomar. Acabei por aproveitar paras me queixar de outros assim que ele desculpou rapidamente como sendo "stress". Eu tornei a bater no assunto e ele, por descarga de consciência, deu-me um frasquinho para fazer analise de urina.

Tempo de consulta contando desde que entrei no centro - 30 minutos. Descontando o tempo que demorei a preencher o formulário diria que a consulta durou pouco mais de 10 min. Tudo directo ao assunto, sem conversas de café.

[foi-me dito nos comentários abaixo que não existem farmácias oficiais NHS e que por isso o seguinte está incorrecto]
Fui à farmácia (uma oficial do NHS, não apenas um boots) para comprar os medicamentos pedidos pelo médico. A farmácia parecia-se mais com uma mercearia. Tinha chocolates, gel pro cabelo, pentes e outras tantas cenas que já não me lembro bem mas que nunca ia encontrar numa farmácia Portuguesa. Os medicamentos não foram baratos. Pelo recibo não tive qualquer comparticipação pelo estado.

Só ao chegar a casa é que me lembrei que não paguei nada pela consulta.


Para um próximo post fica a minha experiência com um hospital de Londres.

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