No outro dia comprei louro no Sainsbury's. Nunca me lembrei de alguma vez ter comprado. Em Portugal temos sempre um vizinho ou um arbusto no quintal. Uma embalagem pequena de pouco mais que 10 folhas que custou 1£ (cerca de 1,22€). Não queria acreditar.
Mas quando estava a procura da origem fiquei bem surpreendido.
Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Samuel Beckett
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Pêra Rocha em Londres
Mais um produto Português que encontrei nas prateleiras do meu supermercado local. A famosa pêra Rocha!
Apesar de conseguir comprar pêra quase todo o ano foi uma boa surpresa conseguir comprar a Rocha que contrasta com as concorrentes que sabem a nada e se parecem com uma maça deformada. Claro que não durou muito tempo. Dois dias depois no mesmo lugar estavam outras de latitudes diferentes (apesar de curiosamente terem mantido a etiqueta rocha na palete).
O preço é um pouco acima da concorrência mas que me parece justo comparativamente. Mas comparando com os de Portugal fica claro que está muito inflacionado. De 1.49€/kg ou 0.31 unidade para 2.64€/Kg ou 32€ unidade (2.25£/kg 0.27£ unidade).
Ainda assim boas notícias. Pena é não o ser com mais frequência.
Apesar de conseguir comprar pêra quase todo o ano foi uma boa surpresa conseguir comprar a Rocha que contrasta com as concorrentes que sabem a nada e se parecem com uma maça deformada. Claro que não durou muito tempo. Dois dias depois no mesmo lugar estavam outras de latitudes diferentes (apesar de curiosamente terem mantido a etiqueta rocha na palete).
O preço é um pouco acima da concorrência mas que me parece justo comparativamente. Mas comparando com os de Portugal fica claro que está muito inflacionado. De 1.49€/kg ou 0.31 unidade para 2.64€/Kg ou 32€ unidade (2.25£/kg 0.27£ unidade).
Ainda assim boas notícias. Pena é não o ser com mais frequência.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Oliveira da serra @ Sainsbury's
Depois de alguma discussão que foi gerada por não encontrar produtos portugueses no meu supermercado local. Foi com surpresa que hoje finalmente encontrei um azeite Português na enorme prateleira de azeites de todas as nacionalidades.
Reparei que só faltava uma garrafa no lugar. Talvez porque não é necessariamente a garrafa mais barata. O azeite, não sendo barato, começa em 2£ (500ml) pela marca própria. Seguindo-se pelo mais vendido (e o que habitualmente compro) Filippo Berio Extra Virgin por 3.5£. E depois as marcas italianas, gregas e que mais...com todos os nomes pomposos (como Gourmet) que custa 5£/6£ por 0.5L onde encontramos o nosso oliveira da serra. Esta zona das prateleiras acaba por estar quase sempre cheia. Talvez porque o inglês/indiano/africano cozinha mais com óleo do que com azeite. E se quer fazer um cozinhado que tem de ser feito especialmente com azeite acho que prefere escolher o melhor...como um grego que custava 12£ por 350ml (que agora não encontro mas encontrei um espanhol por 11£).
Ora eu quando vi o nosso azeite senti-me obrigado a compra-lo (mesmo tendo em mente que, o que custava quase metade do preço, era mais do que suficiente). Mas quando cheguei a casa é que reparei em algo estranho.
Ora temos "100% Portuguese"..."Azeite Português, Portugal"...tudo na mesma àrea para que mesmo o mais distraído perceba que é 100% tuga.
Mas quando lemos o verso do rotulo temos "Packed by Sovena Espana S.A. (Sevilha)"...
Ora mas então é 100% tuga ou não? Os mais rigorosos dirão "ah e tal" é 100% mas só do conteúdo! Ora...quando todos sabemos que nestas coisas as distribuidoras são quem tem verdadeiramente lucro, ficar a saber que até o empacotar não é tuga (que é como quem diz, não exportamos o nosso pacote), deixa-me a pensar quantas das minhas libras chegarão aos bolsos dos Portugueses. Mesmo não sendo 100% é melhor que nada
Agora venham as alheiras, maranhos, buchos, chouriços, vinhos, muscateis...
Reparei que só faltava uma garrafa no lugar. Talvez porque não é necessariamente a garrafa mais barata. O azeite, não sendo barato, começa em 2£ (500ml) pela marca própria. Seguindo-se pelo mais vendido (e o que habitualmente compro) Filippo Berio Extra Virgin por 3.5£. E depois as marcas italianas, gregas e que mais...com todos os nomes pomposos (como Gourmet) que custa 5£/6£ por 0.5L onde encontramos o nosso oliveira da serra. Esta zona das prateleiras acaba por estar quase sempre cheia. Talvez porque o inglês/indiano/africano cozinha mais com óleo do que com azeite. E se quer fazer um cozinhado que tem de ser feito especialmente com azeite acho que prefere escolher o melhor...como um grego que custava 12£ por 350ml (que agora não encontro mas encontrei um espanhol por 11£).
Ora eu quando vi o nosso azeite senti-me obrigado a compra-lo (mesmo tendo em mente que, o que custava quase metade do preço, era mais do que suficiente). Mas quando cheguei a casa é que reparei em algo estranho.
Ora temos "100% Portuguese"..."Azeite Português, Portugal"...tudo na mesma àrea para que mesmo o mais distraído perceba que é 100% tuga.
Mas quando lemos o verso do rotulo temos "Packed by Sovena Espana S.A. (Sevilha)"...
Ora mas então é 100% tuga ou não? Os mais rigorosos dirão "ah e tal" é 100% mas só do conteúdo! Ora...quando todos sabemos que nestas coisas as distribuidoras são quem tem verdadeiramente lucro, ficar a saber que até o empacotar não é tuga (que é como quem diz, não exportamos o nosso pacote), deixa-me a pensar quantas das minhas libras chegarão aos bolsos dos Portugueses. Mesmo não sendo 100% é melhor que nada
Agora venham as alheiras, maranhos, buchos, chouriços, vinhos, muscateis...
domingo, 9 de junho de 2013
Not even made (Partially) in Portugal
Depois de ter encontrado um produto parcialmente feito em Portugal no meu supermercado local (e de isso ter resultado em comentários interessantes de alguns bloggers) comecei a procurar mais produtos, sem sucesso. O que não esperava era de ver a mesma embalagem, com os mesmos produtos, agora sem o carimbo Português.
As framboesas deixaram agora de ser Portuguesas para serem espanholas. E não foram os unicos produtos espanhóis que encontrei.
Tanto quanto sei a cereja precisa de temperaturas temperadas e primavera digna desse nome. E mais que tudo não precisa de neve, granizo e chuva. Tudo isto aconteceu um pouco por todo o Reino Unido há pouco mais de um mês. O que torna esta fruto muito difícil de criar cá e um grande mercado por explorar pela muita procura e nenhuma oferta.
Justamente na época da cereja. Quando em Portugal, em cada esquina, encontramos bancadas de rua repletas de cereja...em Londres não encontro uma única cereja Portuguesa!
Sei que um supermercado não é representativo de nada mas quando ao lado tenho outra bancada com uma qualidade de cereja diferente mas provenientes de...
Espanha...novamente. Ora isto deixa-me revoltado.
Eu lembro-me de ver a fartura de cerejas que tinha em Portugal. E de como os preços baixavam rapidamente devido a essa fartura. Se não temos falta de cereja porque é que não a exportamos?
Na wikipedia podemos encontrar uma tabela dos maiores produtores de cereja. E deixa-me espantado portugal encontrar-se no fundo (mesmo tendo em conta a área). Espanha encontra-se em quinto lugar com 96 mil toneladas...atrás dos states e da turquia que produzem 4 vezes mais!
Na mesma tabela. Portugal aparece com 11.2 mil toneladas. Com pouco mais que as "grandes" potências Bósnia e Albânia (que têm várias vezes menos área que Portugal). E com uma tonelada a menos que a Índia. Um país quente e húmido...justamente o local mais difícil de plantar cerejeiras.
Ora para aqueles que dizem que Portugal tem pouca área e pouca capacidade de produção para competir com Espanha, expliquem-me como é que Espanha consegue roubar o lugar à Turquia! Porque a Turquia terá um custo de produção mais barato (tal como Portugal). E se (como ontem ouvi) Portugal tem "a melhor cereja do mundo" a um custo de produção mais barato, porque é que não a vejo cá?
Também pode ser verdade aquilo que alguns dizem. Que (à semelhança com o pata negra) são criados em Portugal e distribuídos por Espanha. Mas, a ser verdade, quem é o otário? Será que nos podemos queixar, a não se de nós próprios, quando vendemos um produto por tuta e meia que depois aparece nas prateleiras portuguesas com carimbo espanhol (como no caso de presunto, chouriço)?
Pouco depois de uma reportagem no jornal da sic sobre os "novos" agricultores portugueses que exportam quase tudo "lá pra fora". Focando-se num que exportava framboesas. Encontrei duas grandes bancadas do fruto...e fiquei a espera de ver "Portugal"...mas encontrei Spain.
Mas, provavelmente, o mais escandaloso que vi foi a quantidade de embalagens diferentes de morangos made in UK.
Eu lembro-me de, ainda criança, ir pelo interior para a terra dos avós e ali pela zona do Ribatejo ver grandes estufas de morangos (enquanto o meu pai desesperava por uma oportunidade de ultrapassar um tractor carregado de tomates). E tanto quanto sei o morango precisa de calor e, sobretudo, sol directo. Ora o Reino Unido é conhecido por não ter sol! E mais...este inverno foi bem rigoroso. Com zonas do país sempre cobertas de neve. Durante uns quatro meses a temperatura média em Londres não andava muito acima dos 4 graus e o céu era constantemente cinzento. Ora com neve, granizo, vento, chuva (lembram-se nas notícias de inundações no país de gales?) e um céu cinzento... como é que Essex e Kent conseguiram produzir morangos que conseguem competir com os de "lá fora"? Como é que Portugal, com o sol, os solos e a mão de obra barata, não consegue?
Vendo a tabela dos maiores produtores de morangos do mundo lá temos, novamente, os EUA e a Turquia. Espanha logo a seguir. Portugal, tal como o reino Unido, nem aparece.
Como é que queremos ter produtos e serviços de fora, uma divida enorme para pagar, se nem no mais óbvio somos competitivos?
Agora pensem nisto quando forem,amanha, para a rua gritar "Gatunos!" a quem ainda tem pachorra para governar este rectângulo.
As framboesas deixaram agora de ser Portuguesas para serem espanholas. E não foram os unicos produtos espanhóis que encontrei.
Tanto quanto sei a cereja precisa de temperaturas temperadas e primavera digna desse nome. E mais que tudo não precisa de neve, granizo e chuva. Tudo isto aconteceu um pouco por todo o Reino Unido há pouco mais de um mês. O que torna esta fruto muito difícil de criar cá e um grande mercado por explorar pela muita procura e nenhuma oferta.
Justamente na época da cereja. Quando em Portugal, em cada esquina, encontramos bancadas de rua repletas de cereja...em Londres não encontro uma única cereja Portuguesa!
Sei que um supermercado não é representativo de nada mas quando ao lado tenho outra bancada com uma qualidade de cereja diferente mas provenientes de...
Espanha...novamente. Ora isto deixa-me revoltado.
Eu lembro-me de ver a fartura de cerejas que tinha em Portugal. E de como os preços baixavam rapidamente devido a essa fartura. Se não temos falta de cereja porque é que não a exportamos?
Na wikipedia podemos encontrar uma tabela dos maiores produtores de cereja. E deixa-me espantado portugal encontrar-se no fundo (mesmo tendo em conta a área). Espanha encontra-se em quinto lugar com 96 mil toneladas...atrás dos states e da turquia que produzem 4 vezes mais!
Na mesma tabela. Portugal aparece com 11.2 mil toneladas. Com pouco mais que as "grandes" potências Bósnia e Albânia (que têm várias vezes menos área que Portugal). E com uma tonelada a menos que a Índia. Um país quente e húmido...justamente o local mais difícil de plantar cerejeiras.
Ora para aqueles que dizem que Portugal tem pouca área e pouca capacidade de produção para competir com Espanha, expliquem-me como é que Espanha consegue roubar o lugar à Turquia! Porque a Turquia terá um custo de produção mais barato (tal como Portugal). E se (como ontem ouvi) Portugal tem "a melhor cereja do mundo" a um custo de produção mais barato, porque é que não a vejo cá?
Também pode ser verdade aquilo que alguns dizem. Que (à semelhança com o pata negra) são criados em Portugal e distribuídos por Espanha. Mas, a ser verdade, quem é o otário? Será que nos podemos queixar, a não se de nós próprios, quando vendemos um produto por tuta e meia que depois aparece nas prateleiras portuguesas com carimbo espanhol (como no caso de presunto, chouriço)?
Pouco depois de uma reportagem no jornal da sic sobre os "novos" agricultores portugueses que exportam quase tudo "lá pra fora". Focando-se num que exportava framboesas. Encontrei duas grandes bancadas do fruto...e fiquei a espera de ver "Portugal"...mas encontrei Spain.
Mas, provavelmente, o mais escandaloso que vi foi a quantidade de embalagens diferentes de morangos made in UK.
Eu lembro-me de, ainda criança, ir pelo interior para a terra dos avós e ali pela zona do Ribatejo ver grandes estufas de morangos (enquanto o meu pai desesperava por uma oportunidade de ultrapassar um tractor carregado de tomates). E tanto quanto sei o morango precisa de calor e, sobretudo, sol directo. Ora o Reino Unido é conhecido por não ter sol! E mais...este inverno foi bem rigoroso. Com zonas do país sempre cobertas de neve. Durante uns quatro meses a temperatura média em Londres não andava muito acima dos 4 graus e o céu era constantemente cinzento. Ora com neve, granizo, vento, chuva (lembram-se nas notícias de inundações no país de gales?) e um céu cinzento... como é que Essex e Kent conseguiram produzir morangos que conseguem competir com os de "lá fora"? Como é que Portugal, com o sol, os solos e a mão de obra barata, não consegue?
Vendo a tabela dos maiores produtores de morangos do mundo lá temos, novamente, os EUA e a Turquia. Espanha logo a seguir. Portugal, tal como o reino Unido, nem aparece.
Como é que queremos ter produtos e serviços de fora, uma divida enorme para pagar, se nem no mais óbvio somos competitivos?
Agora pensem nisto quando forem,amanha, para a rua gritar "Gatunos!" a quem ainda tem pachorra para governar este rectângulo.
domingo, 12 de maio de 2013
Made (Partially) in Portugal
Desde que cheguei a Londres que mudei a minha opinião sobre o meu País. No primeiro ano passei a defendê-lo com unhas e dentes. (julgo que é algo comum entre todos os recém-emigrados). Aproveitava qualquer momento para promover o meu País entre amigos, colegas, conhecidos. Trazia pasteis de feijão, de Belém e queijadas de Sintra aos colegas sempre que ia a Lisboa. E sentia uma responsabilidade de não manchar esta imagem com o meu trabalho ou comportamento (algo que gostava que fosse partilhado por todos os decidem sair, ao invés de virem para cá exclusivamente pelos benefícios sociais).
Quando fui a Cambridge conhecer a cidade pelas passadas de uma amiga que estava a terminar o Doutoramento vi os constantes olás por quem passava de bicicleta naquelas ruas estreitas. Era outros tugas também a terminarem Doutoramento numa das mais reputadas universidades do mundo. E eram tantos!
Ao ver um documentário sobre como se procura vida extraterrestre analisando meteoritos que atingiram a terra. E onde se tenta provar que a vida na terra pode ter começado não apenas com a sopa primordial mas com adn que viajou centenas de milhares de km pelo sistema solar ate chocar com a terra...e que seremos todos, provavelmente, extraterrestres. Uma teoria revolucionária cuja equipa é liderada por...uma Portuguesa.. Tudo isto juntamente com o "desenrascanço" (uma das maiores mentiras que comprámos cegamente) fizeram-me crer que Portugal tinha tudo para ser um País de sucesso. E que não o era apenas por azar ou falta de visibilidade. E que, com tempo, íamos ter o reconhecimento merecido...
Com tempo essa utopia desapareceu. Bastou ir ao supermercado em portugal e confirmar que a carne que comprava todos os dias era escocesa...irlandesa...argentina. E quando ia às compras aqui em Balham e penava para encontrar um produto Português. Temos azeite grego, italiano ou até sul-africano a 12.5£ por 500ml. Mas nenhum made in Portugal...nem um! Uma pesquisa levou-me à conclusão que, em Portugal, não somos auto-suficientes nem no azeite!
Espera...se fores aos vinhos vais encontrar um certamente. Sim...o Porto (porque é Taylor's...um apelido tipicamente tuga...) está lá. E ocasionalmente o Mateus. Mais nada. Nem Reguengos, nem Monte Velho...nada. Sim, pensa o tuga orgulhoso. Mas isso é porque o Sainsbury's não é um supermercado de classe média. Se fores ao Waitrose, ou a boas botle stores já encontras. Certíssimo Mas porque é que encontro uma secção inteira para vinhos franceses, chilenos, australianos, sul-africanos, californianos ou até espanhóis separados por regiões mas nenhum tuga! Existe até uma estante de madeira onde estão os vinhos a começar por 20£...e nenhum tuga. Será que quando um vinho que não seja intragável é vendido em Inglaterra a 5£ não há lugar para um Quinta de Cabriz ser vendido a 6£? Isto custa pouco mais de 3€...seria lucro de 100%! Com uma margem destas porque é que não encontro vinhos desconhecidos como, por exemplo, o moscatel de setubal ou do douro? Por sermos desenrascados? Eu continuo a ver os mesmos vinhos sul-africados intragáveis a preços proibitivos para um tuga nas prateleiras portuguesas, porque é que não podemos ter vinhos tugas a preços para inglês ver?
De quando em vez encontro uma surpresa. Ha alguns meses encontrei espinafres tugas. Que são bem melhores que os espanhóis (como confirmei). Mas que custam mais do dobro! Como é que custa mais produzir espinafres em Portugal que em Inglaterra!? Quem é que vai pagar mais do dobro por algo que não é duplamente melhor?
Foi, também por isso que fiquei agradavelmente surpreendido quando, ao abrir a embalagem de um sortido de frutas, reparei nisto.
Só gostava que acontecesse mais vezes.
Quando fui a Cambridge conhecer a cidade pelas passadas de uma amiga que estava a terminar o Doutoramento vi os constantes olás por quem passava de bicicleta naquelas ruas estreitas. Era outros tugas também a terminarem Doutoramento numa das mais reputadas universidades do mundo. E eram tantos!
Ao ver um documentário sobre como se procura vida extraterrestre analisando meteoritos que atingiram a terra. E onde se tenta provar que a vida na terra pode ter começado não apenas com a sopa primordial mas com adn que viajou centenas de milhares de km pelo sistema solar ate chocar com a terra...e que seremos todos, provavelmente, extraterrestres. Uma teoria revolucionária cuja equipa é liderada por...uma Portuguesa.. Tudo isto juntamente com o "desenrascanço" (uma das maiores mentiras que comprámos cegamente) fizeram-me crer que Portugal tinha tudo para ser um País de sucesso. E que não o era apenas por azar ou falta de visibilidade. E que, com tempo, íamos ter o reconhecimento merecido...
Com tempo essa utopia desapareceu. Bastou ir ao supermercado em portugal e confirmar que a carne que comprava todos os dias era escocesa...irlandesa...argentina. E quando ia às compras aqui em Balham e penava para encontrar um produto Português. Temos azeite grego, italiano ou até sul-africano a 12.5£ por 500ml. Mas nenhum made in Portugal...nem um! Uma pesquisa levou-me à conclusão que, em Portugal, não somos auto-suficientes nem no azeite!
Espera...se fores aos vinhos vais encontrar um certamente. Sim...o Porto (porque é Taylor's...um apelido tipicamente tuga...) está lá. E ocasionalmente o Mateus. Mais nada. Nem Reguengos, nem Monte Velho...nada. Sim, pensa o tuga orgulhoso. Mas isso é porque o Sainsbury's não é um supermercado de classe média. Se fores ao Waitrose, ou a boas botle stores já encontras. Certíssimo Mas porque é que encontro uma secção inteira para vinhos franceses, chilenos, australianos, sul-africanos, californianos ou até espanhóis separados por regiões mas nenhum tuga! Existe até uma estante de madeira onde estão os vinhos a começar por 20£...e nenhum tuga. Será que quando um vinho que não seja intragável é vendido em Inglaterra a 5£ não há lugar para um Quinta de Cabriz ser vendido a 6£? Isto custa pouco mais de 3€...seria lucro de 100%! Com uma margem destas porque é que não encontro vinhos desconhecidos como, por exemplo, o moscatel de setubal ou do douro? Por sermos desenrascados? Eu continuo a ver os mesmos vinhos sul-africados intragáveis a preços proibitivos para um tuga nas prateleiras portuguesas, porque é que não podemos ter vinhos tugas a preços para inglês ver?
De quando em vez encontro uma surpresa. Ha alguns meses encontrei espinafres tugas. Que são bem melhores que os espanhóis (como confirmei). Mas que custam mais do dobro! Como é que custa mais produzir espinafres em Portugal que em Inglaterra!? Quem é que vai pagar mais do dobro por algo que não é duplamente melhor?
Foi, também por isso que fiquei agradavelmente surpreendido quando, ao abrir a embalagem de um sortido de frutas, reparei nisto.
Só gostava que acontecesse mais vezes.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Espinafres Made in Portugal

São uns 50% mais caro que os espanhois mas são nossos! Já ha mais de um ano que não via espinafres made in Portugal. Não sei se pelo preço se pelo excesso de procura (havia milhentos espanhois mas apenas dois Portugueses). Mas assim que os vi tinha de os levar (sim, ainda estou a falar de espinafres). Temos de apoiar as nossas exportações!
Viva o espinafre!
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Three weeks and counting
Hoje faz três semanas desde a minha chegada a Londres.
Após ter baixado baterias na caça a flats convencido que ficaria com a casa da minha prima a coisa revelou-se um flop. Por isso o concelho que posso dar é que procurem sempre e tenham contactos mesmo tendo o flat de um amigo em vista. A procura de flat foi muito curta mas intensa. Encontro-me agora no meu single flat perto de Old St. Cobretor na cama e comida no frigorífico. Tudo tem decorrido com naturalidade... excepto a falta de entrevistas.
Todos os dias recebo pelo menos uma chamada telefónica de um agente de emprego que faz sempre as mesmas perguntas e termina sempre a conversa dizendo que terá oportunidades para mim nos próximos dias.
As entrevistas teimam em não surgir. Mesmo quando me candidato para cargos onde apenas pedem alguém acabado de sair da faculdade sem qualquer experiência profissional, como fiz. Recebo uma das (raras) respostas dizendo que não tenho o perfil indicado.
Passei o dia todo á chuva. Primeiro porque comprei um dovet no Argos convencido que era mesmo um dovet (ou edredon). Afinal era apenas a cobertura do dovet e almofada. Para não falar que me enganei no padrão.
O Argos é uma espécie de Pixmania mas para...enfim, tudo. Têm folhetos que são autênticas listas telefónicas, onde o cliente escolhe o produto baseando-se apenas em fotografias. Ditanto depois a referência na caixa. Pagando e dirigindo-se depois para uma fila de espera (que funciona bastante bem graças a um engenhoso sistemas de filas de espera informático) onde lhe é entregue o produto que o cliente nunca viu...mas pagou.
Ora eu escolhi a referência imediatamente abaixo da fotografia. O padrão do dovet agradava-me mas ainda mais o seu preço, 4.89£. Por isso conseguem imaginar a minha cara de desânimo ao olhar para o dovet que é em tudo idêntico ás toalhas de cozinha da minha mãe. Depois tive oportunidade de confirmar que tinha dado a referência errada mas que tinha pago o preço certo. O mais barato. E isso é o que importa.
Depois de regressar a casa também com um extenção eléctrica para fazer aquela falcatrua e assim evitar 6£ pelo adapatador de rede, coloco o portatil a recarregar e torno á rua para nova molha.
Vou novamente ao Argos depois de ter consultado na net exactamente os produtos que preciso. Single Duvet, Mattress Protector (que me servirá para cortar na despesa de lençois...) e Pillows, claro. Despesa:
4 way extension lead 8.89
Single Black Cover S 4.89
Single Duvet 6.79
Mattress Protector 4.89
OverFilled (o tanas) Pillows 5.89
Total para cama : 22.46£
Talvêz conseguisse mais barato se comprasse um conjunto, mas acho que até não foi caro. Viva o Argos e os seus panos de cozinha.
Logo depois do Argos e ainda na Old st temos o supermercado Somerfield. Que apesar de não ser tão barato como os famosos Tesco e Saintbury's pareceu-me bastante mais barato que as pequenas mercearias da esquina. Gastei 17.86£ em jantar pão e etc.

Perco-me no caminho para casa. Chove torrencialmente enquanto carrego os vários sacos. Ranjo os dentes e cuspo palavras rudes.
Finalmente chego a casa e ninguém está. Sei mais tarde que foram para os shots depois do trabalho.
Ligo-me por conference call aos meus pais. E explico ao meu Pai que também é possível escrever e enviar essa mensagem via messenger para além de apenas clicar para aceitar a chamada. Ele demora o seu tempo a encontrar as letras. E a primeira frase que o meu Pai escreve num computador é "Gosto de ti".
Pode parecer simples e lamexas. Mas receber esta mensagem de alguém que nunca conseguiu usar as palavras para transmitir sentimentos dá-me a força para continuar por, pelo menos, mais três semanas.
Após ter baixado baterias na caça a flats convencido que ficaria com a casa da minha prima a coisa revelou-se um flop. Por isso o concelho que posso dar é que procurem sempre e tenham contactos mesmo tendo o flat de um amigo em vista. A procura de flat foi muito curta mas intensa. Encontro-me agora no meu single flat perto de Old St. Cobretor na cama e comida no frigorífico. Tudo tem decorrido com naturalidade... excepto a falta de entrevistas.
Todos os dias recebo pelo menos uma chamada telefónica de um agente de emprego que faz sempre as mesmas perguntas e termina sempre a conversa dizendo que terá oportunidades para mim nos próximos dias.
As entrevistas teimam em não surgir. Mesmo quando me candidato para cargos onde apenas pedem alguém acabado de sair da faculdade sem qualquer experiência profissional, como fiz. Recebo uma das (raras) respostas dizendo que não tenho o perfil indicado.
Passei o dia todo á chuva. Primeiro porque comprei um dovet no Argos convencido que era mesmo um dovet (ou edredon). Afinal era apenas a cobertura do dovet e almofada. Para não falar que me enganei no padrão.
O Argos é uma espécie de Pixmania mas para...enfim, tudo. Têm folhetos que são autênticas listas telefónicas, onde o cliente escolhe o produto baseando-se apenas em fotografias. Ditanto depois a referência na caixa. Pagando e dirigindo-se depois para uma fila de espera (que funciona bastante bem graças a um engenhoso sistemas de filas de espera informático) onde lhe é entregue o produto que o cliente nunca viu...mas pagou.
Ora eu escolhi a referência imediatamente abaixo da fotografia. O padrão do dovet agradava-me mas ainda mais o seu preço, 4.89£. Por isso conseguem imaginar a minha cara de desânimo ao olhar para o dovet que é em tudo idêntico ás toalhas de cozinha da minha mãe. Depois tive oportunidade de confirmar que tinha dado a referência errada mas que tinha pago o preço certo. O mais barato. E isso é o que importa.
Depois de regressar a casa também com um extenção eléctrica para fazer aquela falcatrua e assim evitar 6£ pelo adapatador de rede, coloco o portatil a recarregar e torno á rua para nova molha.
Vou novamente ao Argos depois de ter consultado na net exactamente os produtos que preciso. Single Duvet, Mattress Protector (que me servirá para cortar na despesa de lençois...) e Pillows, claro. Despesa:
4 way extension lead 8.89
Single Black Cover S 4.89
Single Duvet 6.79
Mattress Protector 4.89
OverFilled (o tanas) Pillows 5.89
Total para cama : 22.46£
Talvêz conseguisse mais barato se comprasse um conjunto, mas acho que até não foi caro. Viva o Argos e os seus panos de cozinha.
Logo depois do Argos e ainda na Old st temos o supermercado Somerfield. Que apesar de não ser tão barato como os famosos Tesco e Saintbury's pareceu-me bastante mais barato que as pequenas mercearias da esquina. Gastei 17.86£ em jantar pão e etc.
Perco-me no caminho para casa. Chove torrencialmente enquanto carrego os vários sacos. Ranjo os dentes e cuspo palavras rudes.
Finalmente chego a casa e ninguém está. Sei mais tarde que foram para os shots depois do trabalho.
Ligo-me por conference call aos meus pais. E explico ao meu Pai que também é possível escrever e enviar essa mensagem via messenger para além de apenas clicar para aceitar a chamada. Ele demora o seu tempo a encontrar as letras. E a primeira frase que o meu Pai escreve num computador é "Gosto de ti".
Pode parecer simples e lamexas. Mas receber esta mensagem de alguém que nunca conseguiu usar as palavras para transmitir sentimentos dá-me a força para continuar por, pelo menos, mais três semanas.
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