Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Samuel Beckett

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terça-feira, 21 de maio de 2013

Harry Beck - a new design for an old map



Harry beck era um freelancer para o London Underground nos anos 20. Em 1932 ele estava desempregado e aí lembrou-se de uma forma diferente de representar o mapa do metro. Muitos designers de hoje falam deste mapa como um referência do design mas foi de facto um engenheiro que o fez.

Com base na sua experiência de desenho de circuitos electrónicos ele deu ênfase às ligações e simplificou tudo o resto. Alterou as distâncias reais das estações, manteve as linhas horizontais, diagonais e verticais e arredondou tudo para ângulos de 45 ou 90 graus. Voluntariamente, sem qualquer convite, enviou o mapa para o metro. Foi rejeitado. Ele tornou a envia-lo.


"a new design for an old map...we welcome your comments please write to pub manager." foi o que constava no verso do folheto criado. Que demonstra que não estavam convencidos que alguém ia usar o mapa. Foi impresso e distribuido em 3 ou 4 estações. No dia seguinte ele perguntou como estava a correr. Eles responderam "going? they went in a hour! The public loved it!".


Apesar de ter continuado um freelancer. Continuou o seu grande projecto fazendo todas as pequenas alterações necessárias com o evoluir da linha. Mas nos anos 50 começaram a existir discordâncias entre os managers e as suas decisões geográficas. Nomeadamente a decisão de separar as wimbledons (na metrepolitan line) de south wimbledon (na northen line).

Em 1960 Harry Beck entrou na sua estação de West Finchley e deparou-se com algo estranho. O seu mapa estava agora assinado por outra pessoa. Nos últimos 14 anos da sua vida Harry continuou a enviar várias versões actualizadas e melhoradas do seu mapa original. Todas foram recusadas.
Só em 1997, postumamente, Harry Beck foi reconhecido como o criador do mapa original do metro de Londres. Mapa que serviu de inspiração para outros tantos em todo o mundo.

O nome Harry Beck assina hoje todos os mapas em todas as 270 estações do metro de Londres. Na de West Finchley, no mesmo local onde viu o seu nome desaparecer do seu projecto de vida, centenas de cidadãos do mundo cruzam-se todos os dias com uma placa em sua memória.

(esta e outras histórias do metro de londres neste doc da  bbc)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Happy 150th Birtday Tube!

Estava um pouco desiludido por ter perdido esta oportunidade. Tinha outras prioridades nesse dia (como ver o Hobbit) e achei que seria muito tempo a secar para 5 segundos de desilusão.
Estava na estação de Earls Court, na District Line, e o metro estava parado na estação há muito tempo. Estava a ficar irritado porque ia ver o jogo do glorioso em Kensal Green (restaurante Benfica) e estava já a ver que ia chegar atrasado. Nos altifalantes diziam constantemente "No flash photography please" e eu a pensar...porque raio vai alguem tirar fotos numa estação tão feia como esta? E só quando tomei atenção aos comentários das pessoas em volta e aos sorrisos de turista na plataforma é que me apercebi que ia ter sorte.

No passado dia 10 de Janeiro o metro de Londres, vulgarmente conhecido por Tube, fez 150 anos de existência. Reza a história que a 10 de Janeiro de 1863 foi inaugurada a linha Metropolitan que é hoje a Hamersmith & City (existe uma outra Metropolitan nos dias de hoje só para confundir mais). Uma locomotiva a vapor percorreu as 3 milhas e meia (5.6Km) entre Paddington e Farringdon. Na altura foi um acontecimento que atraiu 40 mil Londrinos na inauguração e 26 mil diariamente. Hoje são diariamente quase 4 milhões (sendo 4.4 milhões o recorde batido nos primeiros dias dos Jogos Olímpicos) transportados que nem sardinhas por 270 estações espalhadas em 402Km (1107 milhões anualmente). Sendo a linha de metro mais antiga do mundo (também a primeira a ter comboio eléctrico) onde viajam mais passageiros diariamente que nas restantes linhas ferroviárias de todo o Reino Unido.
Este dia foi tão importante que até a Google fez um dos seus brilhantes doodles:


E mal saí da carruagem para a linha imediatamente ao lado já ouvia o chu...chu... da Met 1, a locomotiva a vapor construída em 1890 e que ficou em serviço até 1963. Fiquei tão nervoso a tentar filmar que acho que só olhei decentemente 2 segundos para a locomotiva que puxava a Metropolitan Railway Jubilee Carriage No 353 (carruagens construídas em 1892) e onde estavam os sortudos que pagando 180£ por bilhete conseguiram ser escolhidos no sorteio.

Apesar de a carruagem não parecer estar a acelerar consegue-se ver no final da estação a fumarada que provocava. E isto numa estação alta e bem arejada como Earls Court. Não consigo imaginar como seria numa fechada como a esmagadora maioria.

Ao ler este artigo é possível imaginar o que seriam aqueles primeiros tempos.
Carruagens de primeira para os sôtores poderem fumar à vontade em compartimentos fechados. Iluminação a gás. E toda aquela fumarada da locomotiva a vapor. Tudo isto num espaço fechado e deveria ser receita para o desastre.

Alguns saíam da estação confusos e tontos (provavelmente com dores de cabeça como sinais de intoxicação de CO2). Se para alguns isto era sinal que aquilo era vindo dos infernos. Para outros isto era um sinal de negócio. Logo nos primeiros dias clientes foram parar ao hospital para tratarem o que seria uma "vitiated atmosphere" (atmosfera viciada) e que o tratamento seria gentilmente fornecido pela farmácia com a sua "Mistura Metropolitana".
Já nessa altura uma "mulher com uma criança ao colo não é vista com uma cidadã de primeira classe". Ainda hoje se discute esse tema todos os dias no Tube. Mas isso fica para outro post.

Apesar de ser motivo de festa nem sempre o Tube foi notícia pelos melhores motivos. Durante o Blitz na Segunda Grande Guerra muitos foram os que se refugiaram no Tube para se protegerem dos Bombardeamentos Alemães. A 14 de Outubro de 1940 às 20h02 uma bomba de 1400kg penetrou a estação de Balham (a que apanho diariamente) e rebentou na passagem entre as duas plataformas. 64 Londrinos perderam a vida soterradas ou afogadas quando as canalizações rebentaram:


Mais recentemente a 18 de Novembro de 1987 um fogo que se alastrou na estação de King's Cross ceifou a vida a 31 pessoas. E já neste século os ataques combinados de Islamistas radicais provocaram a morte de 56 pessoas a 7 de Julho de 2005.
Algumas destas notícias fui lendo ao longo dos meses desde que cheguei cá. E curiosamente quando lia sobre os 7 anos dos ataques (7 do 7/7) , no exacto dia em tinham decorrido 7 anos, estava a percorrer um dos percursos dos terroristas (Russel Sq). O que me fez pensar que... podia ser qualquer um de nós.

É impossível imaginar Londres sem o Tube. E é por isso que acho escandaloso quando conheço alguém que veio a Londres e não andou de metro. O Tube são as veias e artérias que vão até ao coração da City. Não ver o que se passa dentro dele é como um médico diagnosticar alguém sem lhe tomar o pulso. Pode ver que está pálida. Pode sentir que está febril. Mas não saberá o que se passa com esta cidade!



Alguns links interessantes:
http://www.bbc.co.uk/news/uk-20968919
http://www.bbc.co.uk/news/uk-england-london-20901856
http://www.telegraph.co.uk/travel/picturegalleries/9791007/The-history-of-the-Tube-in-pictures-150-years-of-London-Underground.html?frame=2447148
http://www.bbc.co.uk/news/uk-england-london-20042559

sexta-feira, 16 de março de 2012

la doce vita

É típico quando a estação está muito cheia os empregados do metro bloquearem as entradas (ou abrirem apenas a conta gotas). Com isso formam-se números de commuters irritados esperando pacientemente que as portas se abram por outros breves segundos.

Por algum motivo a estação de Holborn tem uma grande afluência também de turistas e isso também não ajuda. Então, religiosamente pelas 17h o caos regressa à estação de Holborn.

Normalmente espero a minha vez consultando as notícias no telemóvel. Mas naquele dia algo me chamou a atenção. A tatuagem da rapariga loira onde se pode ler: "La Dolce Vita". E como aquilo era a antítese do que estávamos a viver.


PS- Reparem como as pessoa estão posicionadas. Uma característica típica de um Londrino é a "capacidade" de fazer fila indiana. Apesar de estar muita gente existe uma consciência quase conjunta que define filas e onde se respeita o próximo. Mas não o seu espaço vital.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Hey Robin!




Há uns meses dei de caras com isto que me desligou o piloto automático das manhãs(*).
E achei engraçado porque parecia ter recuado 15 anos no tempo. Na altura em que um bilhete por baixo de uma porta chegava mesmo ao destinatário (sem problemas de cobertura 3G).
E imaginei uma história. Em que Kat começa a falar com o desconhecido Robin numa viagem pela Northen Line. Que ficam de se encontrarem no facebook (Porque hoje já não se troca números...mas likes.). E que mesmo assim perdem contacto levando a Kat fazer esta (um bocadinho desesperada) mensagem. Um pouco adolescente mas é bom saber que ainda há pessoas que sabem ir back to the basics. E isso fez-me parar e sorrir.

Agora que estou a escrever este post lembrei-me de um spot publicitário que passa com frequência:


(já agora, a estação do mesmo é Clapham Junction. A estação com mais tráfego do Reino Unido (e uma das com mais da Europa). Um comboio a cada 13 segundos. É uma estação, em termos de instalações ou espaço, a anos luz (pela negativa) de qualquer uma numa qualquer linha de Sintra/Cascais. E que funciona de forma mais eficiente do que qualquer uma em Lisboa. Zero Libras foram gastas em projectos Arquitectonicos (para Inglês ver) ou em azulejos despejados por "artistas".)
...agora que estou a ver o anuncio melhor...acho que não é Clapham Junction. Mas vamos acreditar que sim.

*foi à tarde mas não importa.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Death also commutes

Ontem quando entrei no metro e assustei-me com isto:



não é que eu não tenha visto já muita gente no metro com tacos estranhos, pagaias, skis ou até prancha de surf mas era mais a postura (que não dá bem para ver nesta foto) que me fez lembrar outra coisa:

quinta-feira, 28 de julho de 2011

LoonyTube to make the world go around

Estava no tube na Victoria line a regressar a casa. Como é normal, não consigo arranjar lugar sentado, e esgueiro-me para o corredor entre lugares sentados. Reparo num homem de meia idade sentado com um cruzar de pernas muito estranho. De forma que ocupava o corredor com a perna. Odeio este tipo de merdas. O metro já é curto para a quantidade de pessoas a esta hora e por vezes acabamos por ter alguém que decide ter a mala debaixo das pernas (em vez de no colo) e que por isso tem de esticar as pernas e ocupar um lugar no corredor ou mulheres muito vistosas que cruzam as pernas da mesma forma que referi acima. Mas este caso era diferente. Era um homem negro de meia idade com um adesivo na mão (provavelmente uma marca de cateter) e pinta de pedreiro ou assim...não de quem cruza a perna.
Então deixei-me ficar no lado esquerdo dele o máximo que podia sem me encostar às pernas dele. Continuei na minha vida a ver notícias no telemóvel e senti um toque na perna. Vi que tinha sido a sola do teni do homem (pela forma estranha de ele estar sentado) mas assumi que tinha sido por causa das acelerações do metro.
Passado pouco tempo senti um pontapé na perna. Não com tanta força que me doesse ou deixasse marca mas um chega para lá valente que me faria perder o equilíbrio se não estivesse a segurar o corrimão. Foi um daqueles momentos "isto não aconteceu". Tive ali um segundo em que me perguntava se tinha mesmo acontecido (porque ele continuava a olhar em frente para o nada) e onde o sangue me começava a ferver. Não tenho a certeza mas acho que ainda vi a perna dele levantada que me denunciou que teria sido de propósito e disse:

- What the fuck was that for???!

e ele respondeu a olhar em frente para o nada:
- I don't whant no faggot near me!!

e continuou a balbuciar uma série de coisas que não percebia com aquele sotaque de preto Inglês. Mas sempre a olhar em frente ou para o tecto e nunca para mim. Eu até comecei a desconfiar se aquilo era relacionado comigo e olhei para os lugares em frente para ver se era com outra pessoa. E perguntei-lhe:

- Who are you talking to?! What are you looking at? I'm standing right HERE!!

Isso fez com que ele se exaltasse ainda mais e começasse a perguntar o que é que eu queria entre uma série de coisas que nem me lembro. Neste momento eu tinha a cara quase colada a ele e ele nem sequer olhava para mim enquanto gritava e esbracejava. Fiquei com a prova que ele era um doente mental. Arrumei o telemóvel e fiquei a olhar para ele enquanto ele arregalava os olhos e grunhia para o nada. Comecei a suar muito, a tremer das mãos e a ver que ele tinha um nariz grande e inteiro (não poderia ser boxer). E quanto mais olhava mais me apetecia deforma-lo. E uma vozinha dentro da minha cabeça a dizer-me "agora dá-lhe...dá-lhe...bam! Simples. Ele não consegue fazer nada depois e está a pedi-las!". E outra "deixa de ser puto. Já tens idade para ter juízo. Depois a polícia vem e vais dizer o que? Que lhe partiste o nariz porque ele te deu um toque na perna? És estrangeiro...isto só te vai trazer problemas. Relaxa e esquece...".

E quando me começo a acalmar e preparo-me para voltar para a minha vida ele bruscamente vai buscar o saco que tinha no chão e aí...aí o meu sangue gelou.

[Muitos morrem em Londres esfaqueados em situações mundanas como esta todos os anos. Cresci no Cacém onde ter um chino era banal e ocasionalmente alguém se cortava. Mas não era banal morrer-se disso. A intenção era diferente. Aqui quando tal acontece geralmente não é para aparar as patilhas.]

Uma nova vozinha na minha cabeça gritava "BAZA!!! Afasta-te dele. Não o provoques mais!". Era a correta. Mas fui demasiado orgulhoso para sair já que ele me tinha provocado com o pontapé.
Ficou a apalpar o saco de uma forma como se tivesse mais medo que eu o roubasse do que intenção de tirar de lá algo. E depois foi procurar algo nos bolsos (novo gelo no sangue) que se confirmou ser um lenço de papel...

Peguei no telemóvel e continuei a ler as notícias...coisa nenhuma. Porque a vozinha do "dá-lhe agora!" não se calava e não me conseguia concentrar. Portanto continuei a fingir que lia enquanto engolia o que restava do meu orgulho.
O Metro parou na estação e a rapariga que estava à minha frente saiu deixando lugar vago que aproveitei ficando assim sentado lado a lado como loony. Enquanto me sento ele apressa-se a levantar como que para sair na mesma estação e não resisti. Dei-lhe um encosto de ombro que fez com que ele perdesse o equilíbrio e se sentasse novamente. Levantou-se enervado a gritar qualquer coisa como "what?! what?!" e eu acompanhei-o. Ficámos virados um para o outro e ele sempre a olhar para o nada e a gritar. Cinicamente, apontei-lhe a porta como que a mostrar que ninguém o estava ali a impedir de sair:
- Wanna leave? Leave!

Várias pessoas ou saíram ou mudaram de lugares porque ficaram todos praticamente vazios. Uma rapariga que se senta ao meu lado diz-me:

"It takes some, to make the world go around!"

E essa frase deu-me algum conforto. O papel dele era o de doido, o meu este e assim o mundo girava.

Ele não saíu e sentou-se na fila oposta à minha. Começou a abrir botões da camisa e pegou num livro que se assemelhava a uma bíblia velha:

- So now you see! Now you're afraid of my power!

E outras coisas que não me lembro mas sei que continuou a dizer que era Deus e que estava ali para nos salvar e ao mesmo tempo dizia que não precisávamos de teme-lo porque nos queria salvar. Que ia a Brixton tomar um banho... tão bíblico.
O Metro chegou a Stockwell e todos saímos para a Northen Line ficando ele sozinho a gritar preces, a olhar para o nada... e o mundo girava.

sábado, 8 de janeiro de 2011

One of those days



No meu primeiro dia, regressado de férias (e de Portugal), compreendo perfeitamente o commuter que se encontrava a minha frente.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Mind the massive attack against the graffiti


Segundo o blog London Underground que cita outras fontes, o Tfl proibiu a publicação da capa dos último disco dos Massive Attack devido a parecer-se demasiado com um graffiti.

O vocalista Robert del Naja, mais conhecido por 3D diz:

"They won't allow anything on the tube that looks like 'street art'. They want us to remove all drips and fuzz from it so it doesn't look like it's been spray-painted, which is fucking ridiculous. It's the most absurd censorship I've ever seen."


O blog London Underground também refere outros casos:

Com toda esta parvoíce começo a ficar com vontade de me juntar a festa e, porque não, criar um movimento ao estilo no pants day. Um dia, certa hora...todos de tshirt estampada com esta capa invadindo o tube.


Tube Gossip

"We've been dating here and there for a year now...but we'r still single on Facebook..."

"His wife doesn't like me, so he defriend her."



PS- creio que a palavra que procurava era "unfriend" naquele caso.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Tube strikers suck


Acabo de receber este simpático mail.

The RMT Union have called a strike on all London Underground lines from 19:00 (7pm) on Tuesday 9 until Thursday 11 June 2009. If the strike goes ahead, Tube services will not return to normal until Friday morning.

Oyster pay as you go will be accepted on National Rail journeys in Greater London.

A wide range of alternative transport is available and passengers should consider using the Bus, Overground, DLR and River services. Cycling or Walking will also be practical options for many.



"Cycling or Walking will also be practical options "? Really?! You low life c**k s&k$rs m@th§r f@ck§rs!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pimp my bike

Há coisa de uma semana estava eu a dizer para J. :
- Amanha temos de ir a Decathlon para dar uma vista de olhos nas bikes...

e a duas portas da nossa casa...



Não foi bem assim porque era de noite. Esta foto foi so tirada no mesmo local mas de dia e depois de bicicleta lavada e pneus cheios. Era mais assim:



Mas com um pouco mais de folhas e uma lagarta e aranhão de adereço.

Ora bem.... é o que está aí mesmo. Logo quando estava a tomar uma decisão de comprar uma bike ela aparece-me "á porta". Incrível como tantas bicicletas são roubadas nesta cidade e no entanto ninguém leva uma com um papel que diz: "I'm looking for a new home, Please take me!" 

No dia seguinte faço o teste do algodão. Compro uma bomba de ar na loja 99p. Lavo a bicicleta e encho os pneus. 
Uma pedalada, duas... e confirma-se. Está perfeita! As mundanças funcionam, a direcção sem problemas. E depois de olhar para os pneus com mais atenção reparo que ainda têm "picos". Algo que desaparece numa semana de rodagem. 
Logo, so posso afirmar que esta bicicleta estava nova quando a colocaram no jardim das traseiras ficando aí largos meses ou anos até ao dia em que decidiram colar-lhe um papel...

Ela tem um lado misterioso:


A mudanças têm uns caracteres estranhos. Que torna tudo muito mais interessante.
Bicicleta de fabrico Chinês, abandonada em Londres... salva por um Português.
Com mudanças com caracteres maradas e até com travões ao contrário (direita para frente) eu consigo sobreviver (hardly) mas circular ao contrário dá cabo de mim.

Nestes últimos dias com as regras do código e mudanças ao contrário, sigo todas as manhãs rumo a estação do tube de Balham. Reduzindo o tempo de viagem de 16minutos para 5, e aumentando o nível de adrenalina a cada cruzamento ou rotunda....

Mas nunca me consigo livrar da falta de estacionamento...



sexta-feira, 1 de maio de 2009

Good morning Jubileeeee!!!!

Como num mail que recebi de desconhecidos com conselhos sobre os primeiros tempos em Londres: "Aproveita bem os primeiros 3 meses, depois vem a rotina..."
deixo de preocupar-me em ouvir os diferentes dialectos e de ver as diferentes formas de vestir, coloco os phones e fixo os olhos na Timeout.
Acho que a admiracao de viver numa cidade nova desapareceu no primeiro dia de trabalho. Claro que o constrangimento de estar a queimar muita guita  tambem ...
De modos que quando finalmente estava confiante e optimista e pronto para curtir a vida da cidade entrei na rota e comecei a deixar de ter paxorra pra ir a concertos ou o que quer que seja quer durante a semana quer mesmo ao fim-de-semana....

Hoje de manha tive um momento que me desligou dessa rotina. Estou dentro do tube e oico no altifalante o que geralmente sao mas noticias: 

'Ladies and gentleman, just to inform that next stop is canary wharf and that we are on time. I don't remember of ever being on time on the jubilee line since I started this job!
So have a pleasant day at work and hope to see you on your way back later on the day. '

Os varios semblantes carregados desaparecem e dao lugar a largos sorrisos.

Thanks mate!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

TShirt para nao usar no Tube...

"I went to Mexico, and all I got was this lousy pig flue...."


PS - 'E discutivel se devo usar esta piadola numa altura em que lavo as maos 30x ao dia e faco apneia sempre que alguem espirra. Mas ver um nigga com uma mascara na cara com ar de gozo 'a volta dos seu manos 'e uma liga diferente. 'E revoltante. Ser'a que nao h'a uma epidemia que deixe estes bixos parasitas de quarentena (ou centerena...ou parasempretena) nos seus cub'iculos? ... xi, isto ainda vai dar processo.


PS2 - claro que todos sabem o que 'e um parasita...mas muitos nao se reconhecem nestas palavras e para esses, peco que leiem a primeira frase do link. Se 'e esta a definicao porque chamar-lhes de outro modo?

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Wake up!!

Uma bela forma que os Londrinos tem para acordar sonecas como a minha pessoa 'e numa viagem em que estou esmagado contra a porta do tube, o maquinista decidir travar a fundo e a porta onde estou encostado abrir palmo e 1/2...

Isso sim, tira-me o soninho matinal.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Counch Surfing part 2


30/01/2009


Telefonei para M. que vive em Londres á 5 anos. M. é de Africa do Sul e trabalhou vários anos em cruzeiros para reunir dinheiro para a mudança.
Contei-lhe que afinal já não tinha casa definida e que por isso ia ficar num B&B em Notting Hill. Depois de saber isto ela insistiu para eu ficar na casa dela por uns dias até arranjar casa. E eu, claro, aceitei.
Tornei a colocar toda a minha tralha dentro da mala, que para ser verdadeiro, nunca chegou a sair e parti para Carlshalton (que fica a sul zona 6). Objectivo: chegar a Waterloo onde me encontraria com M..
A viagem de Bus até Angel foi pacífica. O desafio viria a seguir.

Tento entrar no metro atolado de gente. Impossível. Ainda mais com duas mochilas, uma mala e 2 sacos de apêndice. Espero uns minutos e tento entrar no segundo. Novamente sem sucesso. Começo a suar. Nunca mais vou conseguir apanhar isto. Cada vez que as portas se abrem ninguém sai e nada consegue caber naqueles minusculos espaços. Muito menos as minhas malas. Nunca em Lisboa vi o metro tão atolado de gente. Hora de ponta em Londres mete respeito. E provoca nervos. Ao terceiro forço a minha entrada e consigo. Nem tenho onde me apoiar. Todos estamos tão enlatados que nem ha espaço para cair.

O problema surge quando chegamos á paragem seguinte. E eu so quero sair na outra, em Euston. Tenho as malas no caminho para não falar na mochila nas costas e á frente que me torna numa pessoa larga. As pessoas não conseguem sair mas forçam. Faço força para não ser levado pela corrente. Agoento-me até a próxima estação onde saio e suspiro. O pior já passou... pensei eu.
Vou em direcção para a saída para encontrar o caminho para os outros destinos da Northern Line.
Dou de caras com um lance de escadas. Como é que vou conseguir subir isto?! Pensei que Londres fosse diferente de Lisboa. Que tivesse acessos. Como é que alguém de cadeira de rodas sobe isto? Ainda é pior que Lisboa, ao menos lá temos elevadores!
Uma rapariga bastante jovem lê o meu desespero e pergunta se quero ajuda. Demoro tempo a responder, mas que posso fazer? Aceito. Ela carrega-me os sacos até ao topo das escadas e eu a mala de 20Kgm. Chego ao topo e aproveito para perguntar como vou para Waterloo. As placas em volta só dão indicações para a Northern line sentido norte. Mas eu preciso de ir para o sul!
Ela diz-me que só pode ser pelo caminho por onde vim. Novamente a minha cara de desespero. Tornar a descer as escadas. Ela disponibiliza-se a levar-me os sacos novamente escadas abaixo. Pelo caminho pergunta-me de onde venho. "Oh Lisboa!" - exclama ela. Nunca esteve lá. "You must!" - respondo eu.

Chegamos novamente ao fim da escadaria e desfaço-me em agradecimentos e preparo-me para segurar os sacos de novo. Ela diz que me vai indicar o caminho para a linha correcta e insiste que não tem problemas em levar os sacos até lá. Fico boquiaberto com tanta sorte.
Percorro a linha de onde tinha regressado no sentido contrario e pouco depois vejo as placas para o sentido que procuro. Chegamos a um lance de escadas rolantes e ela devolve-me os sacos. Agradeço-lhe e vejo-a seguir no sentido contrário. Nem sequer era o caminho que procurava! Não conseguia acreditar em tamanha simpatia.

Ainda a recuperar da minha sorte tento ajeitar os sacos em cima da mala. Vejo que um dele está com uma pega destruída e que com ela forma-se um enorme rasgão. Este era o saco com o aspecto mais sólido que tinha. Como é que vou carregar com isto tudo agora sem pega!?
Depois de subir as escadas rolantes tenho de descer... uma escandaria interminável.
Coloco o saco com apenas uma pega em cima da mala e tento descer degrau a degrau. Não tinha passado meia dúzia quando a pega rasga-se e o saco cai escadas abaixo...
Pronunciei palavras muito Portuguesas como F##%SE e CAR#$@O!
E ali estava eu no lance de escadas do lado direito do corrimão. A única alma daquele lado das escadas. Enquanto uma manada de formigas passava ao meu lado (ordenadinhos e compactados no lado esquerdo do corrimão) ignorando o meu Português. E é aí que aparece uma senhora nos seus 40s, nitidamente de origem Indiana, dizendo "do you need help?!" A minha cara dizia tudo. Pergunto-lhe se ela tem algum saco. Compactamos o sobretudo para um saco minúsculo. Ajuda-me a apanhar os outros artigos do chão e coloca-os todos no saco que estava bom, apesar de já apresentar um rasgo de lado. Agradeço-lhe e preparo-me para carregar o saco novamente. Ela diz que é melhor ajudar-me até ao final da escadaria para aquele saco não ficar ainda mais danificado. Sorrio e continuo escadas abaixo. O braço cada vêz mais durido e inchado.

Chegamos ao fundo e pergunto-lhe para onde fica Waterloo. Curiosamente é nesse sentido que a senhora tem de ir. Por isso insiste em levar-me o saco ate ao metro. Durante a viagem pergunta-me de onde venho. "Ah! Martim Moniz". Fiz um esforço para não me sair uma gargalhada. Claro, qualquer Indiano que conheça Lisboa, conhece o Mortim Moniz.
Conto-lhe um pouco da minha história. Que apostei alto para seguir este sonho. Que não desisti dos planos de um ano apenas por causa da crise. Digo-lhe também que não é assim tao descabido. Que sou de IT e que esse sector não foi muito afectado. Ela pergunta-me: "what language?". Fiquei surpreendido com a pergunta. Não é qualquer pessoa na rua que faz essa pergunta. E ainda menos a que compreende a resposta. Fico a perceber tudo minutos depois. Ela é professora Universitária de IT. "Se calhar é por isso que te ajudei, sem o saber." - comenta ela. Na estação seguinte ela sai desejando-me sorte na minha vida em Londres, não dando tempo para eu pedir o contacto. Seria bom demais conseguir uma cunha com uma coincidência destas.

Chego ao local combinado em Waterloo 30m atrasado. Cumprimento M. Peço desculpa pelo atraso e começo por dizer: "Nem sabes pelo que passei para chegar até aqui..."

Depois de um jantar de amigos em casa de M. regado por vinho Sul Africano descanso no meu novo sofá com o braço durido. Dá início á segunda parte do meu couch surfing.

(Aproveito para comentar que o vinho não tinha rolha de cortiça. Algo que nunca tinha visto antes e que faz com que isto faça todo o sentido. Save Miguel!

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