Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Samuel Beckett

Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Could A Robot Do My Job

O ano passado a revista londrina Economist dedicou uma edição ao futuro do emprego depois da revolução dos robots. Uns meses depois o Público fez um artigo...semelhante.
A bbc tem dedicado estas últimas semanas á evolução da inteligência artificial e o programa Panorama dedicou um episódio ao futuro do emprego que acho que todos aqueles que estão a pensar no seu futuro (especialmente fora de Portugal) deviam de ver.



"Be Adaptable.
Get used that you're probably going to have 5-10 jobs in your life;
Get used that they might be geographically in different places;

Get used to learning a new adaptation of your skill.
Skilling up isn't finite.
You can't say 'I've done it now!'.
You have to do it, all the time."

Lord Jones

Enquanto vejo (novamente) nas tv portuguesas toda esta pieguice á volta da fuga de cérebros em Portugal. E de como somos todos muito talentosos....mas apenas com um grande azar no país onde nascemos. É bom sublinhar...a razão porque muitos de nós não encontramos o emprego que procuramos (se é que ele existe...em alguns casos).
E que passemos a aceitar que o mundo dos 5 anos a fingir que aprendemos alguma coisa e agora temos emprego para a vida e na nossa área de residência...acabou.

domingo, 13 de setembro de 2015

Recenseamento Eleitoral 2015

As eleições legislativas são já dia 4 de Outubro. E se querem votar tem de estar recenseados.
Para consultar se podem votar apartir de Londres consultem o caderno de recenciamento em:
https://www.recenseamento.mai.gov.pt/

O prazo para registo de voto antecipado por correspondência termina já amanha.

Para mais informações consultem este link do site do Consulado.


domingo, 17 de agosto de 2014

A Geração Y por Ana Cristina Pereira

Hoje foi publicado o terceiro dos artigos do jornal Publico sobre as diferentes gerações Portuguesas. Em vez de enviarem um estagiário (da geração Z) para o aeroporto da portela entrevistar emigrantes e familiares deram o trabalho a premiada Jornalista Ana Cristina Pereira. E, esta, escolheu entrevistar membros da "geração do milénio" mas também sociólogos e historiadores (you know...aqueles que conseguem analisar a actualidade com objectividade). Não se deixou levar pelo sensacionalismo barato nem deixou o trabalho a meio. Mostrou dados estatísticos e analise cientifica. Quem me dera que o "jornalismo" que nos entra pela casa a dentro todas as noites fosse todo assim.

O artigo de hoje desperta-me um interesse especial porque foca na "minha" geração. Digo "minha" porque acho que existe uma grande diferença entre os que nasceram na primeira metade dos anos 80 e os da segunda. E, ainda maior, entre os que nasceram nos anos 80 ou 90.

O artigo é intitulado "Os que aprenderam a transformar a necessidade em virtude". Que não concordo. Dos vintinhos aos trintinhos (segundo a definição do Miguel Esteves Cardoso) não acredito que sequer metade tenha tentado transformar fosse o que fosse. Que se tenha tentado adaptar à realidade que vive. São inflexíveis nos seus "ideais" ou direitos. E a prova está na elevada taxa dos que não estudam nem trabalham ("No ano passado, era de 14,1 a percentagem de jovens entre os 15 e os 24 anos que não estudavam nem trabalhavam").
Por isso acho que o título mais indicado deveria de ter sido o que foi associado à geração seguinte:
"Criados para aquilo que não podem ou não querem ser"
Porque acho que fomos demasiadamente protegidos e pouco habituados a lidar com a fracasso. Lembro-me de colegas meus receberem consolas de jogos como motivação para o ano seguinte por terem chumbado. Ou os da segunda metade dos anos 80 receberem um carro como prémio por entrarem para universidade, isto é, por fazerem nada mais do que a sua obrigação. Assim, receber um não numa entrevista de emprego sem receber depois uma consola de jogos, torna a realidade muito mais difícil de enfrentar.
Logo fomos educados e formados para áreas que o mundo não pediu nem precisa porque comprámos a ideia de que podemos fazer aquilo que quisermos independentemente de alguém estar interessado nisso. O facto de existir já é por si só suficiente para ter direito a uma vida confortável (que chamamos de "digna" mas na realidade vem com mais alguns zeros). E tudo o que seja menos que isso é um falhanço e um assalto a um futuro por direito. Se por um lado não podemos ser aquilo que o mercado de trabalho precisa (porque escolhemos seguir uma área diferente), também não queremos ser os talhantes ou canalizadores porque somos muito mais que isso...mesmo estando no desemprego durante anos à espera de um emprego que não existe.

Do artigo destaco:

"Pôr os holofotes nos emigrantes qualificados pode servir para alimentar a narrativa do Portugal moderno, com que a geração Y cresceu. O risco disso será a ocultação dos não qualificados que partem, a maioria, e a desvalorização dos que ficam, como aconteceu noutras épocas, previne o historiador."
"Muitos pais esforçaram-se para dar aos filhos o que nunca tiveram. Tentavam prever as suas necessidades, protegê-los de todos os males, elogiar as suas proezas, recompensar os seus esforços, fazê-los acreditar que podiam ser tudo o que quisessem. Agora, esperam encontrar o mesmo reconhecimento e recompensa no mercado de trabalho. E sentem, diz José Machado Pais, “uma frustração relativa”. Há, salienta, um saldo negativo entre o que têm e que pensam que deveriam ter. E a comparação com os outros não ajuda."
"Não é uma perda de população “definitiva”. Muitos partem para situações precárias e reemigram ou regressam ao ponto de partida. Pouco ou nada, nesta geração, é para sempre."
“Ia sentir-me um bocadinho mal por a minha mãe e mesmo o Estado terem apostado em mim tantos anos e eu ir embora agora que já posso contribuir...”
 É muito fácil confundir comodismo com Patriotismo. Não é o caso da referida no artigo (porque trabalha) mas existem muitos casos de Patriotas desempregados durante anos que acusam os que saem de "fugir". O que é mais patriótico? Um subsídio de desemprego ou uma remessa de emigrante?
" Licenciada em Psicologia e pós-graduada em Terapias Expressivas, só conseguiu um vínculo estável na clínica da família. O pai, dentista, queria ajudá-la a abrir caminho, mas a clientela não justificava. "
Curioso que se for o filho do Durao ou o irmao do vereador chama-se clientelismo, tachismo...corrupção. Mas se for para "os nossos" é apenas oferecer o lugar que merecem e que o sacana do mercado de trabalho recusou...estamos só a oferecer um lugar merecido porque o "País os desprezou". Ignorando que existem outras centenas com melhores qualificações que não tiveram a sorte de ter um lugar por ajuste directo. E o mais grave...é que este clientelismo, esta lei da cunha esta tão enraizado na nossa cultura que nem vergonha temos de o contar nas linhas de um jornal.

domingo, 3 de agosto de 2014

Secretário de Estado das Comunidades @ Publico

Hoje saiu no jornal Publico uma entrevista com o Secretário de Estado das Comunidades José Cesário. Que foca nas razões para as queixas contra vários consulados mundo fora (sim, não é apenas em Londres), como a falta de recursos.

"Tem havido um aumento do recurso aos nossos serviços de pessoas que nos inquirem acerca de ofertas de emprego que se iam traduzir em burlas."

Já tomei conhecimento, quer por mail quer por casos de conhecidos de amigos, de "ofertas de emprego" que são claramente burlas. Coisas como "recebi uma proposta muito boa (ordenado estupidamente alto para as competências que pedem) e agora só preciso de pagar 200£ para tratarem de papelada e do visto de emprego, será que é uma burla?". Onde desconfiam que é burla e "tu" confirmas que só pode ser burla e mesmo assim "acho que vou arriscar". Quem não sabe o que significa estar no espaço europeu e paga para um "visto de trabalho" está a pedir para ser enganado.

"não deixamos de encontrar pessoas que amiúde vão para alguns países, muitas vezes porque alguém na terra deles lhes disse: “Vem por aí, isto resolve-se”. Normalmente são pessoas que vão de autocarro, que partem com 70 ou 100 euros no bolso e um número de telefone de uma pessoa que não sabem se existe."

Aqui falam de vir com 70 a 100€ no bolso. Eu conheço casos de quem veio com 10 vezes mais que isso e mesmo assim só se safar com o sofá do amigo e a viagem de regresso paga pelos pais. 1000€ não é nada para começar uma vida em Lisboa, quanto mais em Londres. Só para conseguirem um contracto de arrendamento têm de dar mais de um mês de avanço e caução...e depois comem o que?
Mesmo imaginando um quarto baratissimo a 400£/mês. Os senhorios pedem normalmente 6 semanas de avanço. (Em alguns casos até 3 meses!). Isso daria a volta de 554£ (hoje 694€). O que significa que ficariam com apenas 306£ Desses...teriam de gastar 77.60£ para o passe de autocarro (sobram 228£). Mas tendo também em conta uma perspectiva optimista de que encontram emprego em menos de um mês, só irão receber ordenado no mês seguinte. Mas mesmo que os 228£ (por milagre) cheguem para despesas e alimentação para o resto do mês, ainda têm de ter novamente 400£ no final do mês para pagar renda. Isto porque a renda é sempre paga em avanço. Logo mesmo tendo emprego no final do mês já estão falidos e sem dinheiro para comprar viagem de regresso a Portugal.
Por isso é que começam a aparecer nas ruas alguns Portugueses iludidos com esta nova moda da emigração para Londres que se vêem na condição de sem abrido em menos de nada.
Isto é mesmo para assustar. Façam contas antes de sair. Este problema é real e acreditem, é bem mais fácil estar desempregado em Portugal do que em Londres.

Temos efectivamente alguns problemas de resposta na rede consular. Fundamentalmente, em alguns postos que não têm a dimensão suficiente para o crescimento que as respectivas comunidades tiveram.[...]
O que nos cria problemas, e, efectivamente, temo-los em casos como Londres, Manchester, Estugarda ou Luanda, são os postos que não têm dimensão para responder, não só às necessidades das comunidades portuguesas, mas também à procura de vistos da parte de cidadãos estrangeiros.

Eu também sou muito crítico do funcionamento do Consulado (e dos funcionários Públicos em Portugal em geral) mas já imaginaram bem quantos "Portugueses" somos no mundo? Eu conheci um, de Goa, que nunca tinha ido a Portugal e que se despedia de mim com "Hasta Manhana" (eu eu respondia "Não, Ray. Isso é espanhol!"). Ele, irmãos, sobrinhos, pais e avós...eram todos Portugueses sem nunca terem pisado solo Português e, mais grave que tudo, sem saberem falar nada da língua.
Também temos "Portugueses" de Burka que não falam Português nem Inglês...mas têm todo o interesse em ter cartão do cidadão não vão eles perder as ajudas sociais ou, pior, serem repatriados para trás do sol posto.
Os consulados têm de lidar com isto (que obviamente não acelera os processos) como com a crescente vinda de Portugueses para o Reino Unido cheios de "direitos adquiridos" e tiques de novo-riquismo.
E a todos eles pergunto: "Quanto é que contribuem para o funcionamento dos serviços que usam?" Zero.

Mesmo tendo descontado alguns anos não posso exigir ter departamentos e funcionários a trabalharem para mim 8h por dia, 12 meses por ano. Aquilo que descontei no passado era para as instituições que me ajudaram (ou outros) no passado...porque hoje eu não dou um tusto para o estado Português. E nem me venham com a conversa das remessas dos emigrantes que sao do interesse puramente privado.
Por isso mete-me um bocadinho de vergonha ver tantos tugas que nem sequer chegaram a descontar alguma vez na vida, exigir que os consulados (sejam de onde forem) sejam mais eficientes ou tão rápidos como pedir uma Pint. Especialmente porque nunca pensaram em pedir para que os emigrantes "revoltados" contribuíssem financeiramente para aquelas instituições. Ou imaginar se o consulado não existisse e tivessem todos de pagar uma viagem para Portugal para poder renovar o passaporte e, mesmo assim, ter consciência de que nem para estes contribuíram.

Temos muita gente licenciada com cursos superiores que literalmente não servem para nada no mercado de trabalho. Encontramos indivíduos licenciados em Direito ou com uma licenciatura em Ensino a lavar pratos — e se estiverem a servir à mesa não é mau, porque é sinal que pelo menos falam a língua local. 

Aqui ele toca na ferida. Desmistifica a ideia de que todos os licenciados que saem de Portugal sao "desprezados" ou "abandonados" pelo País, mas que "lá fora" são "cérebros", valorizados e respeitados. O que é uma tremenda mentira. Existem muitos que são tão desajustados ao mercado de trabalho Português como de grande parte do mundo.

Mas já há países, como o Luxemburgo, que mandaram sociólogos para Portugal para estudar as novas vagas de emigrantes portugueses que, pouco tempo depois de emigrarem, estavam a cair nas malhas do Estado social local.
Temos algumas franjas. Temos sete mil desempregados portugueses no Luxemburgo. 
A estes desempregados eu pergunto: O que acham de espanhóis, gregos ou italianos irem para Portugal não a procura de emprego mas de desemprego. E manterem-se por lá consumindo os recursos dos contribuintes, sobrando menos para todos? Estão à espera de quê para regressar a Portugal? É culpa do estado Luxemburguês o facto de estarem desempregados?
Este é o lado vergonhoso da emigração Portuguesa que felizmente não é a regra. Aqueles que perguntam primeiro quanto é o subsidio de desemprego. Ou quando "é que o estado dá" por cada filho. Talvez por isso conheça um casal que esta no Luxemburgo, sem a escolaridade obrigatória de hoje. Ela empregada doméstica desempregada, ele pedreiro. Mas que conseguem sustentar 3 filhos. Ou isso, ou talvez seja porque o generoso estado social paga um valor incremental mensal por cada filho até aos 18 anos...

Como vêem. O retrato do Secretário de Estado das Comunidades é bem diferente daquele que os telejornais fazem no aeroporto da Portela.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

The Carnation Revolution Between African Anticolonialism and European Rebellion @ Birkbeck Uni

Está a decorrer desde ontem no Institute for the Humanities da universidade de Birkbeck em Londres uma conferencia sobre o nosso 25 de Abril assim como o processo de descolonização.
Com a organização do professor Dr Luís Trindade, da mesma universidade, podemos ouvir (hoje apartir das 17h) uma analise da nossa revolução pelas vozes dos ingleses Hilary Owen (University of Manchester) e Odd Arne Westad (LSE). Será que vão falar de tudo o que se destruiu com o PREC?

Pena é que o façam num horário impossível para quem trabalha.

Understanding Europe: Why It Matters and What It Can Offer You

 Uma das coisas que me tem assustado mais nas ultimas semanas foi a campanha para as Europeias em Portugal. Ouvi lideres de partido prometerem que um isto seria um voto para derrubar o governo. Que seria um paco para devolver as reformas e o estado social. E ainda ouvi uma besta dos acores que se fosse eleito deputado europeu ia devolver o escudo a Portugal.

O que me assusta não é que tenhamos tantos imbecis a fazer campanha em Portugal. O que me assusta é que os media não questionem esta ignorância. Não porque não querem...mas porque não sabem. O que me assusta é que o eleitorado não saiba para o que vai votar. O meu grupo de amigos/conhecidos vai desde a escolaridade obrigatória até ao pós-doutoramento e o discurso que oiço é o mesmo...que "todos são iguais" e que "temos de derrubar este governo". O que prova que um canudo não é sinonimo nem de inteligência nem resulta num espírito critico.

As eleicoes europeias no uk foram ontem (que fica para outro post) mas antes de pensar no que podem fazer no proximo domingo invistam algum tempo a perceber para que servem estas eleicoes.

Para tornar isto mais facil esta a decorrer um "curso" online completamente grátis sobre "Understanding Europe: Why It Matters and What It Can Offer You". Nele um italo/espanhol com uma forma de falar irritante explicar quais as intituicoes europeias e para que servem. Tenta desmistificar alguns teorias sobre a europa e relembra-nos como tantas coisas que tomamos como garantidas em termos de direitos do consumidor foram resultantes de votos de deputados no Parlamento europeu.

Os 22 deputados do Parlamento Europeu que vamos eleger podem apenas votar contra, a favor ou emendar legislação criada pela comissão Europeia.

As eleições europeias não vão acabar com a austeridade. Não vão derrubar o governo. Não vão dar um cartão vermelho a ninguém. Não vão trazer as "nossas vidas" de volta.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Bay Leaves

No outro dia comprei louro no Sainsbury's. Nunca me lembrei de alguma vez ter comprado. Em Portugal temos sempre um vizinho ou um arbusto no quintal. Uma embalagem pequena de pouco mais que 10 folhas que custou 1£ (cerca de 1,22€). Não queria acreditar.

Mas quando estava a procura da origem fiquei bem surpreendido.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Sou contrabandista

Estava a colocar a mala no tapete, a rezar para que a mala não tivesse quilos a mais, e com esta musica na cabeça.


E não...nem todos os emigrantes gostam destas músicas "Portuguesas".
Eu nem sequer gosto da musica mas não me saía da cabeça.

Lembro-me de ao inicio recusar os chouriços, presuntos, doces, bacalhau e ate pão (pão? ridículo, não é? porque é que alguém ia oferecer umas bolas para levar na mala? agora levo nem que cheguem ca farinha de uma lado fermento do outro.)

Se colocassem todos estes produtos na mesa há 6 anos acho que nem lhes tocava. O facto de não estar acessível deu-lhes um novo status. Até o vinho martelo sabe melhor! É quase como a desculpa que um colega muçulmano me deu sobre o ramadão. Se te privares realmente de algo, quando o tiveres de volta, vai-te saber mil vezes melhor e vais passar a dar-lhe mais valor.

E fiquei a pensar ir amanha pra stockwell com o sobretudo. 'Psst. Queres fios d'ovos? Frutinhas do Algarve? 50g. '

Claro que isto dá asas para novas formas de ser humilhado. Como no Verão no aeroporto de Faro quando os senhores do raiox me perguntaram para abrir a minha mochila da maquina fotográfica.
- Estamos a ver aqui algumas massas. Sabe o que são? Importa-se de abrir a mochila?
- É possível que sejam...alheiras.

Abri e mostrei as 3 que lá tinha atafulhadas.
Depois de confirmarem que estava tudo ok perguntei timidamente se podia levar as alheiras.
- Claro que pode, mas se quiser deixa-las, nós não nos importamos.

Mas temos sempre outros compatriotas que ao descobrirem que trazes chouriços na mala torcem o nariz. "Eu nunca faria isso..." dizem por entre o seu estilo pseudo hipster.
O que eu tenho a dizer é "give it time".

Pode não ser bacalhau ou chouriço. Farinheira ou alheira. Presunto ou morcela. Mas a pouco e pouco terás umas queijadas do preto. Uns travesseiros. Uns pasteis de belem. Umas frutinhas do algarve.

Mas nem tudo é doce nesta vida de contrabandista. E, pela forma como as malas são tratadas pelas operadoras do aeroporto de Lisboa, Natal sim...Natal sim, recebo a minha mala neste estado.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Não precisamos de mais Portugueses


Fervi quando vi este artigo. Mais um artigo fatalista, piegas e demagogo que os média Portugueses nos esfregam na cara todos os dias. O assunto emigração é vendido como um 8 (esta geração de "cérebros" a fugir de um País que "os atraiçoou") ou 80 (a investigadora X que trabalha com o novo prémio nobel da medicina, ou o designer Y que é candidato ao "Nobel" do design gráfico). É uma cruz que "os nossos gobernantes" nos obrigam a carregar...ou uma galinha de ovos de ouro onde o emprego, reconhecimento e qualidade de vida é de graça. Reflete um pouco uma sociedade pouco madura que só consegue ver as coisas a preto e branco.

Será que ficamos mais pobres por termos uma população estagnada nos 10 milhões? Por sermos um país pequeno?
Somos um país pequeno.
Somos pobres.
Logo todos os países pequenos são pobres?

Querem exemplos de países "pequenos" que invejamos?
Finlândia: 5.4milhões
Suíça:8milhões
Dinamarca:5.4milhões
Luxemburgo: 538 mil!

Vamos olhar para estas últimas décadas. O nosso problema é sermos apenas 10 milhões?
Nós não precisamos de mais Portugueses. Precisamos de Portugueses MELHORES! Estes 120mil/ano emigrantes não morreram, não desapareceram. Foram à procura de emprego e de uma vida melhor que permita sustentar filhos e até reinvestir dinheiro na economia Portuguesa sempre que regressam de férias (ou até permanentemente trazendo todas as poupanças).
O que é melhor? Um milhão no desemprego em Portugal (com gastos em subsídios e saúde) ou umas centenas de milhares empregados que foram construir carreira "lá fora" (com custo zero para o contribuinte tuga)?

Desenganem-se quem diz que quem fica o faz por Patriotismo. Que não "escolheu" o "caminho fácil" da emigração, porque "o amor também conta".
Quem está no desemprego é que não está, certamente, a contribuir para o crescimento.


Por outro lado podem pensar "sim, mas tens de ver que o problema não é sermos só 10M...mas termos cada vez menos nascimentos". É verdade que menos nascimentos significa menos futuros contribuintes para manter este sistema de pensões (que vai falir na próxima década, não se enganem). Será mesmo? Será que a maioria das pessoas que protesta na rua contribui o suficiente para a despesa que causa ao estado (saúde, educação, reforma)? Se todos ambicionasse-mos a escolaridade mínima, o ordenado mínimo. Acham mesmo que seria sustentável? (Façam este exercício. Imaginem um casal com dois filhos com o ordenado mínimo. Somem os subsídios que lhes são oferecidos devido aos seus rendimentos. As regalias, como não pagar manuais escolares ou alimentação nas escolas (se é que isso ainda acontece). E agora verifiquem as tabelas de IRS e subtraiam os custos de aluno numa escola...ou mais interessante, de dois filhos numa faculdade pública (de preferência a tirar um curso sem empregabilidade). Os custos de manter hospitais, centros de saúde e saneamento básico. E vejam se os impostos que esse casal paga por ano...cobrem a despesa.).

(preparem-se que isto agora vai dar uma volta...pode parecer louco à primeira lida...mas vão com calma..)

Segundo esta notícia (e outros comentários fatalistas) podemos pensar que quanto mais nascimentos mais crescimento económico e social...o que vai de encontro com a historia da revolução Romena...

Era uma vez um país do leste europeu chamado Roménia. Que tinha como lider o comunista Nicolae Ceaușescu. Até que em 1966, com as finanças a derrapar, Nicolae proibiu o aborto e métodos contraceptivos, criou impostos para quem não tivesse filhos e criou um generoso esquema de subsídios para quem os tivesse. Mães com cinco ou mais filho receberiam boas quantias do estado e mães com dez ou mais seriam consideradas "mães heroínas". O princípio era quantos mais putos mais operários no futuro! Kerching!
Estudos revelaram que as crianças "indesejadas" que nasceram nesse ano tinham mais probabilidade de ter fraca performance nos estudos e emprego. E, consecutivamente, render-se ao crime.
Em 1989 uma repressão assassina de um protesto em Timișoara resultou num revolução e destronou o regime de Nicolae...assassinou-o no dia de Natal. Curiosamente 23 anos depois da implementação do decreto 770. Justamente quando os filhos "indesejados" eram agora adultos com uma arma nas mãos. E o resto é história. Um país minado pela corrupção e crime. Onde crianças são usadas como activos no rentável mercado dos pedintes.
"Mas foi a miséria, repressão e falta de liberdade e prosperidade que causaram essa revolta!" Provavelmente. Mas será que foram essas as razões para o crescente de crimes e máfias que se seguiu?

Sempre que há um novo caso de um crime horrendo. Sempre que se fala de um psicopata. Há um padrão comum:A infância. Os primeiros 3 anos de vida são críticos para a formação de uma pessoa. A falta de atenção e carinho nesses primeiros 3 anos causam sequelas irreparáveis.


Dito isto: será que o aborto pode ser responsável pela quebra de crime violento no futuro?

Em 2001 dois economistas americanos fizeram essa pergunta num estudo. E afirmaram que "os dados" dizem que sim. Eles apresentaram o caso que referi acima para reforçar a ideia oposta.


É famosa a crescente de violência nos estados unidos durante as decadas de 70 e especialmente 80. Que era especialmente elevada em Nova Iorque. Isso foi retratado em inúmeras series e filmes como o Taxi Driver (para ser honesto, eu só tomei conta desta realidade pelas tartarugas ninja.).
(1980 Metro de NY - Polícia à paisana a "prender" assaltante...que estava a tentar assaltar o fotografo...que estava a servir de isco - Bruce Davidson - Magnum)

Mas depois no início dos anos 90 o crime violento começou a baixar drasticamente. Vários tentar arranjar uma desculpa...especialmente quem queria ganhar eleições (como o mayor Rudolph Giuliani). O estranho é que antes disso especialistas da polícia tinham dito que o crime ia piorar cada vez mais. Seria a pior década de sempre. Mas com o inicio da década de 90 e os assassínios a baixaram 55%...tornou-se difícil arranjar explicações. Vários estudiosos tentaram arranjar explicações (cada um a tentar puxar a brasa à sua sardinha) quer fosse nas novas estratégias de policiamento, penas de prisão mais pesadas, combate à droga, controlo de armas, mais agentes da polícia ou simplesmente crescimento económico.

E foi aqui que John J. Donohue da univ de Yale e Steven Levitt da univ de Chicago entraram. E começaram por atribuir valores a cada uma das possíveis explicações. E chegaram à conclusão que todas as explicações só explicavam metade dos resultados. Mas, então onde estão os outros 50%?

Em 1973 a decisão judicial Roe V. Wade abriu porta para a legalização do aborto em todos os estados (até então eram apenas 5). Precisamente o oposto do que aconteceu na Roménia em 66. Levitt defende que esta é a principal razão para o decréscimo de crime nos anos 90: Toda uma geração de filhos "indesejados" (potenciais criminosos)...nunca nasceu.

Pode parecer uma explicação simplista (especialmente com tantos factores diferentes como opressão, repressão ou crescimento económico) mas eu acredito que o estado social (principalmente o inglês) vive refém de "filhos indesejados". Vejo demasiados casos em que adolescentes ficam grávidas e optam por ter o filho porque isso é uma garantia de casa e rendimento mínimo (bem acima do que receberiam a trabalhar no cabeleireiro) por longos anos. Quanto mais filhos mais rendimento. Mas basta falharem os princípios básicos de carinho e educação nos primeiros anos e dentro de 20 anos teremos uma nova geração de pais adolescente e desempregados (curiosamente um caso que está a ser investigado agora, e que causou os motins de 2011, foi o de um "jovem" desempregado com 5 filhos procurado pela interpol). A um ritmo bastante acima daqueles casais que tentam planear e ter filhos cada vez mais tarde. Que significa que por cada filho num ambiente estável, teremos sempre várias crianças num ambiente desestruturado. E todos os subsídios e apoios, parece-me, são como apagar um fogo como gasolina.
Sei que é perigoso dar demasiado poder ao estado. Não digo que tenhamos de ser uma china e ter de impor taxas de natalidade a alguém. Mas é importante desincentivar filhos "indesejados".

Portugal está a passar um momento difícil. Com as finanças a derrapar mais ainda e com uma inflacção que estará ao virar da esquina é fácil ficar assustado com uma população envelhecida. Mas são exemplos como os da Roménia de 66/99 que me levam a crer que: Não precisamos de mais Portugueses. Precisamos de melhores.


PS- Estes casos são retirados do livro Freakonomics que só ouvi falar recentemente da boca de alguém que estava na mesa ao lado no café (sim...um tremendo acaso). Quando vi todo o alarido à volta do livro fiquei com vontade de o comprar...mas achei melhor ficar à espera do filme. Que curiosamente existe.
PS2-Concordando ou não...o que importa é pensar e discutir. Ficar parado a absorver as mesmas notícias todas as semanas não serve para nada.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Pêra Rocha em Londres

Mais um produto Português que encontrei nas prateleiras do meu supermercado local. A famosa pêra Rocha!
Apesar de conseguir comprar pêra quase todo o ano foi uma boa surpresa conseguir comprar a Rocha que contrasta com as concorrentes que sabem a nada e se parecem com uma maça deformada. Claro que não durou muito tempo. Dois dias depois no mesmo lugar estavam outras de latitudes diferentes (apesar de curiosamente terem mantido a etiqueta rocha na palete).
O preço é um pouco acima da concorrência mas que me parece justo comparativamente. Mas comparando com os de Portugal fica claro que está muito inflacionado. De 1.49€/kg ou 0.31 unidade para 2.64€/Kg ou 32€ unidade (2.25£/kg 0.27£ unidade).

Ainda assim boas notícias. Pena é não o ser com mais frequência.


domingo, 13 de outubro de 2013

Dicionário Inglês/Tuguês


Inglês-"Can the ticket holders of seats 15 to 20 please come forward..."
Tuguês- Todos ao mesmo tempo em 5 filas diferentes e fingir que não entende quando lhe dizem que ainda não é a sua vez...mas mesmo assim ficar na 'fila' para guardar a sua vez.

Isto foi o que encontrei num voo Tap em Setembro (low cost é geralmente pior). Sabem como distinguimos os ingleses dos Portugueses/Angolanos num voo Uk-Pt? Os ingleses estão sentados à espera da sua vez. E quando fazem fila...fazem uma fila única, não de 4...não de 2...de uma pessoa.
Com uma esperteza e "desenrascanço" assim, o que esperam que o Tuga faça quando lhe dão um pouco de poder? São episódios assim (e muitos outros que acontecem constantemente quando volto) que me fazem sentir uma vertigem quando me perguntam "Pois...mas se isto estivesse bom voltavas, não?".

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Oliveira da serra @ Sainsbury's

Depois de alguma discussão que foi gerada por não encontrar produtos portugueses no meu supermercado local. Foi com surpresa que hoje finalmente encontrei um azeite Português na enorme prateleira de azeites de todas as nacionalidades.

Reparei que só faltava uma garrafa no lugar. Talvez porque não é necessariamente a garrafa mais barata. O azeite, não sendo barato, começa em 2£ (500ml) pela marca própria. Seguindo-se pelo mais vendido (e o que habitualmente compro) Filippo Berio Extra Virgin por 3.5£. E depois as marcas italianas, gregas e que mais...com todos os nomes pomposos (como Gourmet) que custa 5£/6£ por 0.5L onde encontramos o nosso oliveira da serra. Esta zona das prateleiras acaba por estar quase sempre cheia. Talvez porque o inglês/indiano/africano cozinha mais com óleo do que com azeite. E se quer fazer um cozinhado que tem de ser feito especialmente com azeite acho que prefere escolher o melhor...como um grego que custava 12£ por 350ml (que agora não encontro mas encontrei um espanhol por 11£).
Ora eu quando vi o nosso azeite senti-me obrigado a compra-lo (mesmo tendo em mente que, o que custava quase metade do preço, era mais do que suficiente). Mas quando cheguei a casa é que reparei em algo estranho.
Ora temos "100% Portuguese"..."Azeite Português, Portugal"...tudo na mesma àrea para que mesmo o mais distraído perceba que é 100% tuga.
Mas quando lemos o verso do rotulo temos "Packed by Sovena Espana S.A. (Sevilha)"...
Ora mas então é 100% tuga ou não? Os mais rigorosos dirão "ah e tal" é 100% mas só do conteúdo! Ora...quando todos sabemos que nestas coisas as distribuidoras são quem tem verdadeiramente lucro, ficar a saber que até o empacotar não é tuga (que é como quem diz, não exportamos o nosso pacote), deixa-me a pensar quantas das minhas libras chegarão aos bolsos dos Portugueses. Mesmo não sendo 100% é melhor que nada
Agora venham as alheiras, maranhos, buchos, chouriços, vinhos, muscateis...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Portugal St WC2

Apesar de trabalhar na zona há mais de 3 anos só há relativamente pouco tempo é que me apercebi que estava perto de Portugal. Como não ficava sequer no caminho do escritório acabava por nunca satisfazer a curiosidade. E só agora, que passo todos os dias ao lado de bicicleta, é que me decidi a conhecer a Portugal St bem no coração de Londres.

É uma rua que cruza a prestigiada London school of Economics, o Peacock Theatre e o Royal College of Surgeons. Mas tirando um simpatico Pub e um teatro fechado no Verão, a Portugal Street, aparenta ser as traseiras de tudo. A LSE dá como sua morada a Houghton Street. E o RCS tem como morada os famosos Lincoln's Inn fields.





Numa das fotos pode ver-se um marco histórico do Blitz. Uma placa destruída por um bomba nazi na noite de 10 de Outubro de 1940.


Portugal St WC2 não é mais que uma rua de passagem com alguma história onde ninguém quer ficar.
Uma metáfora.

domingo, 9 de junho de 2013

Not even made (Partially) in Portugal

Depois de ter encontrado um produto parcialmente feito em Portugal no meu supermercado local (e de isso ter resultado em comentários interessantes de alguns bloggers) comecei a procurar mais produtos, sem sucesso. O que não esperava era de ver a mesma embalagem, com os mesmos produtos, agora sem o carimbo Português.
As framboesas deixaram agora de ser Portuguesas para serem espanholas. E não foram os unicos produtos espanhóis que encontrei.
Tanto quanto sei a cereja precisa de temperaturas temperadas e primavera digna desse nome. E mais que tudo não precisa de neve, granizo e chuva. Tudo isto aconteceu um pouco por todo o Reino Unido há pouco mais de um mês. O que torna esta fruto muito difícil de criar cá e um grande mercado por explorar pela muita procura e nenhuma oferta.
Justamente na época da cereja. Quando em Portugal, em cada esquina, encontramos bancadas de rua repletas de cereja...em Londres não encontro uma única cereja Portuguesa!
Sei que um supermercado não é representativo de nada mas quando ao lado tenho outra bancada com uma qualidade de cereja diferente mas provenientes de...

Espanha...novamente. Ora isto deixa-me revoltado.
Eu lembro-me de ver a fartura de cerejas que tinha em Portugal. E de como os preços baixavam rapidamente devido a essa fartura. Se não temos falta de cereja porque é que não a exportamos?

Na wikipedia podemos encontrar uma tabela dos maiores produtores de cereja. E deixa-me espantado portugal encontrar-se no fundo (mesmo tendo em conta a área). Espanha encontra-se em quinto lugar com 96 mil toneladas...atrás dos states e da turquia que produzem 4 vezes mais!
Na mesma tabela. Portugal aparece com 11.2 mil toneladas. Com pouco mais que as "grandes" potências Bósnia e Albânia (que têm várias vezes menos área que Portugal). E com uma tonelada a menos que a Índia. Um país quente e húmido...justamente o local mais difícil de plantar cerejeiras.

Ora para aqueles que dizem que Portugal tem pouca área e pouca capacidade de produção para competir com Espanha, expliquem-me como é que Espanha consegue roubar o lugar à Turquia! Porque a Turquia terá um custo de produção mais barato (tal como Portugal). E se (como ontem ouvi) Portugal tem "a melhor cereja do mundo" a um custo de produção mais barato, porque é que não a vejo cá?
Também pode ser verdade aquilo que alguns dizem. Que (à semelhança com o pata negra) são criados em Portugal e distribuídos por Espanha. Mas, a ser verdade, quem é o otário? Será que nos podemos queixar, a não se de nós próprios, quando vendemos um produto por tuta e meia que depois aparece nas prateleiras portuguesas com carimbo espanhol (como no caso de presunto, chouriço)?

Pouco depois de uma reportagem no jornal da sic sobre os "novos" agricultores portugueses que exportam quase tudo "lá pra fora". Focando-se num que exportava framboesas. Encontrei duas grandes bancadas do fruto...e fiquei a espera de ver "Portugal"...mas encontrei Spain.

Mas, provavelmente, o mais escandaloso que vi foi a quantidade de embalagens diferentes de morangos made in UK.

Eu lembro-me de, ainda criança, ir pelo interior para a terra dos avós e ali pela zona do Ribatejo ver grandes estufas de morangos (enquanto o meu pai desesperava por uma oportunidade de ultrapassar um tractor carregado de tomates). E tanto quanto sei o morango precisa de calor e, sobretudo, sol directo. Ora o Reino Unido é conhecido por não ter sol! E mais...este inverno foi bem rigoroso. Com zonas do país sempre cobertas de neve. Durante uns quatro meses a temperatura média em Londres não andava muito acima dos 4 graus e o céu era constantemente cinzento. Ora com neve, granizo, vento, chuva (lembram-se nas notícias de inundações no país de gales?) e um céu cinzento... como é que Essex e Kent conseguiram produzir morangos que conseguem competir com os de "lá fora"? Como é que Portugal, com o sol, os solos e a mão de obra barata, não consegue?
Vendo a tabela dos maiores produtores de morangos do mundo lá temos, novamente, os EUA e a Turquia. Espanha logo a seguir. Portugal, tal como o reino Unido, nem aparece.
Como é que queremos ter produtos e serviços de fora, uma divida enorme para pagar, se nem no mais óbvio somos competitivos?

Agora pensem nisto quando forem,amanha, para a rua gritar "Gatunos!" a quem ainda tem pachorra para governar este rectângulo.

domingo, 12 de maio de 2013

Made (Partially) in Portugal

Desde que cheguei a Londres que mudei a minha opinião sobre o meu País. No primeiro ano passei a defendê-lo com unhas e dentes. (julgo que é algo comum entre todos os recém-emigrados). Aproveitava qualquer momento para promover o meu País entre amigos, colegas, conhecidos. Trazia pasteis de feijão, de Belém e queijadas de Sintra aos colegas sempre que ia a Lisboa. E sentia uma responsabilidade de não manchar esta imagem com o meu trabalho ou comportamento (algo que gostava que fosse partilhado por todos os decidem sair, ao invés de virem para cá exclusivamente pelos benefícios sociais).

Quando fui a Cambridge conhecer a cidade pelas passadas de uma amiga que estava a terminar o Doutoramento vi os constantes olás por quem passava de bicicleta naquelas ruas estreitas. Era outros tugas também a terminarem Doutoramento numa das mais reputadas universidades do mundo. E eram tantos!
Ao ver um documentário sobre como se procura vida extraterrestre analisando meteoritos que atingiram a terra. E onde se tenta provar que a vida na terra pode ter começado não apenas com a sopa primordial mas com adn que viajou centenas de milhares de km pelo sistema solar ate chocar com a terra...e que seremos todos, provavelmente, extraterrestres. Uma teoria revolucionária cuja equipa é liderada por...uma Portuguesa.. Tudo isto juntamente com o "desenrascanço" (uma das maiores mentiras que comprámos cegamente) fizeram-me crer que Portugal tinha tudo para ser um País de sucesso. E que não o era apenas por azar ou falta de visibilidade. E que, com tempo, íamos ter o reconhecimento merecido...

Com tempo essa utopia desapareceu. Bastou ir ao supermercado em portugal e confirmar que a carne que comprava todos os dias era escocesa...irlandesa...argentina. E quando ia às compras aqui em Balham e penava para encontrar um produto Português. Temos azeite grego, italiano ou até sul-africano a 12.5£ por 500ml. Mas nenhum made in Portugal...nem um! Uma pesquisa levou-me à conclusão que, em Portugal, não somos auto-suficientes nem no azeite!
Espera...se fores aos vinhos vais encontrar um certamente. Sim...o Porto (porque é Taylor's...um apelido tipicamente tuga...) está lá. E ocasionalmente o Mateus. Mais nada. Nem Reguengos, nem Monte Velho...nada. Sim, pensa o tuga orgulhoso. Mas isso é porque o Sainsbury's não é um supermercado de classe média. Se fores ao Waitrose, ou a boas botle stores já encontras. Certíssimo  Mas porque é que encontro uma secção inteira para vinhos franceses, chilenos, australianos, sul-africanos, californianos ou até espanhóis separados por regiões mas nenhum tuga! Existe até uma estante de madeira onde estão os vinhos a começar por 20£...e nenhum tuga. Será que quando um vinho que não seja intragável é vendido em Inglaterra a 5£ não há lugar para um Quinta de Cabriz ser vendido a 6£? Isto custa pouco mais de 3€...seria lucro de 100%! Com uma margem destas porque é que não encontro vinhos desconhecidos como, por exemplo, o moscatel de setubal ou do douro? Por sermos desenrascados? Eu continuo a ver os mesmos vinhos sul-africados intragáveis a preços proibitivos para um tuga nas prateleiras portuguesas, porque é que não podemos ter vinhos tugas a preços para inglês ver?

De quando em vez encontro uma surpresa. Ha alguns meses encontrei espinafres tugas. Que são bem melhores que os espanhóis (como confirmei). Mas que custam mais do dobro! Como é que custa mais produzir espinafres em Portugal que em Inglaterra!? Quem é que vai pagar mais do dobro por algo que não é duplamente melhor?

Foi, também por isso que fiquei agradavelmente surpreendido quando, ao abrir a embalagem de um sortido de frutas, reparei nisto.


Só gostava que acontecesse mais vezes.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O estado a que isto chegou.

"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou!"
Salgueiro Maia - madrugada de 25 de Abril de 1974.

Ora poucos dias depois do anúncio de um aumento de 7% no desconto para a segurança social o presidente da câmara de Lisboa vai inaugurar obras radicais no Marquês e Av da Liberdade que custaram 700 mil euros.

O Costa esta todo orgulhoso com as obras no marques. Um cota anónimo pergunta "é a nova estaçao fluvial? É que se chover vamos ter aqui o rio Marquês de Pombal" O Costa treme e atira pra canto "isso pergunte aqui à engenheira que deve saber melhor" (ele nunca se perguntou sobre isto? Que tipo de gestor é este?)
E eis que a Engenheira responde "sim, mas isto são obras provisórias. Vamos tratar disso depois". O cota, nao se fica "claro, para abrirmos isto tudo novamente e o contribuinte a pagar! Sabe eu só tenho a 4ª classe... mas a ANTIGA!"

Esta senhora foi a mesma que estoirou 100mil euros ha poucas semanas na renovação de calçadas. Dois projectos escusados no espaço de um mês. Seria bom investigar o grau de parentesco entre os empreiteiros destas obras e esta engenheira de obras provisórias...

Multiplicaram-se no facebook os anúncios das festas de verão em Lisboa, Oeiras, Cascais, Loures... (no caso de Lisboa era todos os meses! e em concorrência directa com um festival como o Optimus alive. Esse sim pago pelo utilizador e que estava cheio de estrangeiros. Os bifes estão-se a cagar pró BossAC). Não me contive e perguntei aos milhentos likes naqueles cartazes "vocês não conseguem ver quando vos vão ao bolso? Isto é pago por todos nós! Será que os alemães nos emprestariam dinheiro se soubessem que era pra isto?" Caiu-me tudo em sim. Alguns disseram que "o tuga já está a ser tão apertado que merece distrair-se"... o verão inteiro.



É, portanto, de louvar a atitude deste anónimo. Que com o risco de fazer figura apontou o ridículo deste projecto. Gostaria de saber o nome dele e um dia pagar-lhe um copo. Um grande bem-haja.




PS - ver apartir do minuto 2:20.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

24h em lisboa

Fez agora 24h que cheguei a Lisboa para as férias de Natal (como manda a regra do emigrante). E há uma série de situações estranhas que me têm acontecido que mostram um pouco como mudei por estar há certa de 3 anos em Londres.

-não bato palmas a aterrar.

-passar-me com a lentidão das pessoas. Que raio! Nos andamos tão devagar. Parece que está tudo a passear. E têm de ir todos em linha para barrar o caminho. Por outro lado eu não tinha motivos para andar rápido. A minha boleia nem sequer tinha chegado. Mas algo me dizia que tinha um destino e que tinha de lá chegar RÁPIDO.

- olho pra direita e depois para esquerda e ao ver o carro no cruzamento faço-me à estrada...quase que esbarro com ele. Primeiro, o carro nem sequer abrandou. Se não parasse passava-me a ferro. Segundo, fiz o oposto do que fazia antes (olhar esquerda depois direita) e como tenho a confiança de que estou em casa perco a noção que os carros estão a andar ao contrario. Mas basta estar ao volante para isto me passar.

- uma adolescente passeia com a sua criança pachorrentamente barrando-me o caminho e não consigo conter um: Come on!!

- de seguida atrevo-me a ultrapassa-la e esbarro com quem me estava a fazer o mesmo e escapa-se-me um: "Sorry!".

-com o trânsito típico da avenida dos bons amigos (tanto carro? deve ser da crise. senão andávamos praí...de helicóptero) ao passar na passadeira mesmo com os carros parados espreito cautelosamente para ver se vem algum ciclista.

- alguém me segura a porta e respondo: "cheers."

- Estão 10 graus. Um sol que me deixa cego. Visto os calções e tshirt e vou correr.


Apesar de a minha cabeça ter um modo Inglês que liga de quando em vez isto não tem nada a ver com isso. Não sinto que mudei a língua do meu cérebro. Demoro uns 2 dias a perder o Hi quando vou pedir uma bica a um café e troco-o por Olá(O que parece ser mais vindo de um espanhol). Estas expressões saem-me automaticamente mesmo estando em modo Pt. E estão intimamente ligadas com a situação em causa. Tal como vou, sempre que o Cardozo falha um penalty, dizer FODASSE!!!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Estudo de Tese de mestrado do ISCTE sobre o processo de expatriação

Veio a meu conhecimento esta tese de mestrado que visa estudar o que motiva alguém trabalhar lá fora.
Não precisa de ser Português mas precisa de estar no estrangeiro há pelo menos 6 meses. Acho que as respostas têm de ser submetidas até ao final desta semana.

Emigrantes Unite! Bora lá responder e ajudar este estudo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Generation E.pt

Estive a ouvir e a ler uma reportagem de Lucy Ash sobre a nova emigração Portuguesa, para a BBC. Acho que vale muito a pena principalmente quem está à procura de uma motivação extra para sair.

Na reportagem Ângela tem 29 anos (curiosamente a minha idade) terminou o curso à 6 anos mas nunca conseguiu exercer a actividade de professora por mais de 9 meses (contínuos). Apesar de ter concorrido a 362 escolas não conseguiu colocação (se estas a ler isto e tens o teu emprego graças a uma cunha, esta é a altura para te encheres de vergonha).
A certa altura fala em não equacionar ir para um país africano (e acho que também se referia ao Brasil) por não conseguir viver com a pobreza e pedintes lado a lado (espero não ter percebido mal e não estar a cometer uma injustiça).

Quero pegar no caso da Ângela e usa-lo como uma generalização dos "cérebros" que temos em Portugal.
Apesar do grande esforço de candidaturas nunca saiu do conforto dos amigos e família no Porto (teve oportunidades para ir para o Alentejo com um contracto de 1 mês (que reconheço ser ridículo) mas nunca saiu do conforto daquilo que conhecia para arriscar 1 mês que poderia abrir outras oportunidades (o mais certo seria não acontecer)). Em 6 anos nunca pensou que deveria adaptar-se ao mercado (saturado de professores (especialmente de línguas como é o caso)) e usar as suas próprias valências para encontrar um emprego que lhe dessa a estabilidade que precisa (e não estatuto ou dinheiro).

{Vou fazer um parêntesis para escrever sobre a minha experiência na empresa onde estou agora. Só mais de 6 meses depois de ter começado a trabalhar nesta empresa é que me apercebi que alguns Senior Developers com quem trabalhava (com mais ou menos frequência) não tinham qualquer formação em Informática ou Computer Science. Um que está um passo abaixo do Architect (o topo da carreira nesta área) é Licenciado em Física pela Universidade de Oxford. Outro com quem trabalhei mais de perto (e que me apercebi que tinha falhas graves em conceitos básicos) era Engenheiro Mecânico. E o mais curioso de todos estes casos era o que é Licenciado em Zoologia pela Universidade de Cambridge. Aproveitei um dia de copos para perguntar o porquê de ele mudar de área (ainda por cima depois de ter ouvido as histórias do quanto Cambridge é exigente). Ele disse-me que Zoologia era uma área que lhe interessava. Que não se arrepende da formação que teve mas que não se via a vida inteira a fazer aquilo e... os ordenados em Informática eram muito mais atrativos.

Apenas tenho 4 anos de experiência, trabalhei em 5 empresas diferentes e em 7 clientes (assim por alto). E nunca vi um licenciado em línguas, psicologia, sociologia, etc, que trabalhasse nesta área (mas conheci uma Arqueóloga Tester). Raramente conheci alguém que, estando formado, equacione ir para uma área diferente. E esta mania de chamar "cérebros" a quem apenas tem um curso (que nunca será um atestado de inteligência) aflige-me. Cérebros são quem procura a partícula de Higgs Boson ou descobre um vírus que ataca células cancerígenas. Não um tipo que passou 3,4,5 anos a ir para um campus.

Nos últimos 3 meses tive o caso mais impressionante. O meu novo colega de equipa passou por várias dificuldades na vida e isso fez com que tivesse de começar por baixo. Trabalhar no tesco (um supermercado) a carregar e encher prateleiras, depois como caixa. Até chegar a esta empresa como alguém que desenhava emails (com html e css) e destacou-se por começar a programar nas horas livres para construir ferramentas que o ajudasse no trabalho. Concorreu a um emprego como web developer internamente e agora tem o emprego que desejava há anos.
Quantos "cérebros" Portugueses estariam dispostos a trabalhar como caixas para ter a estabilidade (de pagar a sua própria renda) e usarem as suas horas livres para se valorizarem numa área que tivesse empregabilidade? Não estou a falar em caça cursos, apenas para carimbar no CV. Mas em pegar nos livros e queimar a pestana por si mesmos.

Este novo developer sabe bastante mais do que eu e até arrisco mesmo dizer que há mesmo muito pouco que lhe possa ensinar. Mas é alguém que na hora de almoço esta a construir um jogo em XNA apenas por curiosidade (e com isso paga também uma licença de 99$ assim só por desporto).}

Fecha parêntesis. Se depois de 6 anos de uma carreira fracassada não agarramos um contracto de um mês num sítio diferente como é que vamos arriscar num país estrangeiro sem proposta alguma (e com concorrência de todo o mundo)?

Se somos um país de "cérebros" porque é que encontramos tanta dificuldade em ter ideias próprias?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Nascer no País errado.



Fui a Lisboa passar uns dias a banhos. Estava na esplanada da Pastorinha em Carcavelos a abraçar o sol e a ver o mar (porque estava tanto vento que não dava para mais) quando chega um grupo de adolescentes que se senta na mesa ao lado.
Toda aquela música das ondas é abafada pelas conversas fúteis e os risos estridentes.

E uma rapariga que tinha a qualidade de não se calar nem saber ouvir, a certa altura diz:

- É pah, yah era isso. Quando eu trabalhar e conseguir assim o meu dinheiro a coisa que mais vou querer comprar é uma moto de água. Pah, curto mesmo bué.

Moto de água...Moto de Água!?! É que não estamos a falar de ter uns trocos para ir para a esplanada, sair ao fim-de-semana, ter gota para o carro ou mesmo para poder comprar carro...já nem estamos aí! Estamos no nível em que isso tudo já é dado como certo ao ponto de a primeira coisa que se deseja é um brinquedo para usar 3 meses por ano. (agora que escrevo isto lembrei-me de ter lido que o desejo de alguém que trabalhava numa lixeira algures na Rússia era poder comprar um computador para poder criar uma conta no Facebook).

Tentei ignorar a conversa mas a repetição de uma frase chamou-se a atenção novamente:

- Oh pá...eu nasci no País errado...

Aqui tive de me virar e ver quem era a personagem. Uma rapariga linda que aparentava estar nos seus vinte e poucos (apesar de, antes, na minha cabeça ter 15), pele morena, óculos Ray-Ban, calções muito curtos de cigarro e bebida na mão.
E a dizer:

- eu nasci no País errado...

E eu cheio de vontade de lhe mostrar o que tinha lido antes no jornal. Milhares de crianças a morrer de fome na Somália. Uma nação de famintos.

E ela, de pele morena, a fumar na esplanada. Nascida no País errado. Nem sabe a sorte que tem.



PS- A foto acima é da Praia do Guincho...por falta de material.

Popular posts

Followers :

Tags

Closed Stations

Tag Cloud

Music Portugal Gigs Tube City Life Cultures Banksy Street Art TV Elections Festival Holborn Sainsburys Workplace flat hunting Brexit Football Lisboa bicycle Eleições GDIF Snow Sport arquitectura BBC Britain Canary Wharf Charities Comedy Deolinda Emigration Greenwich Humour Photography commute wage Ahhhh Saudadeeeee Arte Beer Benfica Camden Town Chelsea Chinatown ClaphamJunction Emigrante English English People Euro Flu Graffiti Halloween Islington Movies NHS Old Street Olympic Games Oxford Street Rough Trade Royal Family Seinfeld Tax Tooting Trafalgar Square Urban Voo Weather theater Accent Anniversary Argentina Art Bank Bank Holiday Boat Race Brasil British Museum Buenos Aires Cambridge Christmas Lights Christmas Tree City Docs Drinks EasyJet Economics Entrevista Euro 2012 Europe Holiday Ice Impostos Iran Ireland Jornalismo Language Livros London Marathon Lost in translation MEC Marathon Meditation Metronomy National Insurance Number National Portrait Gallery Nevão New Oxford Street Notting Hill Oxford Circus Piccadilly Circus Pub Referendum Riot Roller skate Royal Weeding Santa Scotish Scotland Sintra South Bank TimeLapse Union Chapel Vencimento Volcano World Cup coffee cycle economy lux nurse AI Alain de Botton America Anarchy Ano Novo Chinês António Damásio Apple Arcade Fire Argos August Balham Barbecue Beach Beckett Bed and Breakfast Benefits Big Ben Big Train Blasted Mechanism Blitz Blur Boeing 747 Bomba Boobs Booze Boris Johnson Brighton Bristol Britcom Brixton Bus Business CCTV CSS CV Cannon St Caribou Cell Cerebro Champions League Charles Dickens Cheias Chevrolet Cicio Cities City Airport Cloud Clubs Colégio Militar Comic Relief Consulado Covent Garden Cowards Cricklewood Croydon David Bowie Deflation Dia de todos os Santos Dublin East London Edward Hopper Eficiencia Einstein Euro 2016 Eyjafjallajokull Facebook Fado Figo Filand Flatiron Flight Friends Gherkin God Goodbye Gray's Inn Guincho Harrods Helpfull History Homeless House MD Hugh Laurie IPad Iceland Income Tax Interpol Iphone Jamie Oliver Jeremy Clarkson Jessie J Jobs Jogging Jonathan Ross José Saramago KOKO Katie B Kings Cross Laughter Lewisham Leyton Lianne Las Havas Litle Britain London 2012 London Bridge London Dungeon London Eye London Film Festival London Sealife Love Lupini MOD MS Madame Tussauds Madeira Maria Rita Marylebone Massive Attack May Mayor Mercearia Michael C Hall Microsoft Momento alto Money Monty Python Moonspell Movember Moçambique Mumbai NIN NYC National Insurance Nero Nuclear O2Arena OK Go Organ Oxford Oyster Pancake Paquistan Paralympic Games Peckham Pink Floyd Pistorius Play-Doh Poetry Pompeia Pontos da Semana Poppy Porto Primitive Reason Putney RATM Randy Pausch Recital Rejection Letter Religion Remembrance Day Renting Return Robert Capa Rota do Chá Royal Guard Run Rush Hour Rússia Save Miguel Saúde Science Shard Sikh Simpsons Sky Slang Sleet Space SpaceInvaders Sport Relief Square Mile St Patrick's Day St Paul's Cathedral Staind Stamford Bridge Storm Stratford Street Poet Strike Subsídios Summer Sun SuperBock Surf Swearing TFL TV Licence TV ads Tank Man Tea Telemovel Tesco Thames The Portuguese Conspiracy The Scoop The Smiths Tiananmen Tories Tower Bridge Tremoço Twitter UK VAT Vertigo Volvo WakeUpLondon Walkabout Waterloo Wembley Wimbledon Winter climbing code dEUS didgeridoo discotexas flat mate geek living cost march moulinex news pastel de nata plugs and sockets protest skyscraper west end