Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better. Samuel Beckett

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Chinatown experience.



Na 6F fomos jantar a chinatown a convite da Madrinha de J. .
Há muito que não punha lá os pés e agora não tinha mais o encanto da altura dos festejos do ano novo chinês.

Entrámos num no meio da rua mesmo em frente a um pub bastante ruidoso. 
Tinha o aspecto de um qualquer restaurante chinês quer em Lisboa quer no Cacém...
A WC era pouco limpa, mas não esperava mais. 

Pedi crepe...e foi uma desilusão. Vieram uma espécie de croquetes...
Não diziam alos chau chau. Nem existia! Apenas "fried egg rice" que nem era o que anunciava. Arroz ao estilo cantina I.S.E.L. com ovo escondidinho. Nada de fiambre e muito menos ervilhas.
E até existia o famoso número 69! Ao contrário do que encontro em Portugal.... Se não me engano até eram dois 69...

O atendimento foi fraquinho. Tentando dispachar-nos o mais rápido possível ruma á porta.
No final vem um papel todo em caracteres chineses...onde apenas se entendia bem a soma final.
Um empregado repete uma frase 3 vezes que  eu entendo como "aqui está o pratinho para as gorjetas". Comecam a cair uma e outra libra dos bolsos da mesa até alguém perguntar se não era normal isso já vir incluído no recibo. E devia...
Exigimos uma conta em inglês que nos foi dada a muito custo e enjoo.

Enquanto esperamos pela conta, o casal que estava na mesa ao nosso lado é despedido pelo dono (aparentava ser o dono) com as acolhedoras palavras "Don´t ever come back!". Parece que recusaram dar gorjeta... a gorjeta que já está incluída na conta final (em qualquer lado) e que não somos obrigados a pagar.
Nessa altura um grupo de amigas da outra mesa exige também a conta em inglês. O movimento caótico dos empregados. O mandarim a ecoar nas paredes.

Recebemos a conta e preparamo-nos para sair...até reparar-mos que uma garrafa de vinho foi colocada a mais. 16£. Não é pouco. Exigimos retorno. Pedem-nos para nos sentarmos de novo. Lembro-me de uma historia de um grupo de pessoas que foi agredido a facas e garfos num restaurante chinês por reclamar a conta (?) em Portugal(?). Começamos todos a ficar nervosos e alguns saem para um cigarro nervoso. 
Para mim, tudo não deixou de ser um jantar onde so importou a conversa e o vinho. E isso houve em muita e boa quantidade. Mais a primeira que a segunda.

Deixo a foto para que quem se atreva a la ir se preocupe em, pelo menos, pedir conta em inglês.

Sigo pela Oxford St rumo a Regent St  onde poderia apanhar o Bus 88 rumo a Clapham Common. Á primeira vista o mais próximo de Balham, destino final (saudades de quando morava em Old Street). Pelo caminho reparo que o ambiente começa cada vez a ficar mais hostil e atinge o seu ponto maior na paragem de autocarro. Onde um mano explica como podia aleijar mais ou menos segundo a forma como batia com o cotovelo no queijo. Exemplificando-o em slow motion para um casal que está na paragem. O 88 é amarelo. Ou seja o sinal da paragem tem o número 88 a fundo amarelo. Isto significa que temos de comprar o bilhete antes de embarque na maquina que se encontra mesmo ao lado. Problema. Não temos trocos e a máquina nem aceita moedas. Mesmo aceitando não dava trocos....quantia certa. Entramos pelas ruas e becos dentro á procura de algum pub aberto aquelas horas (2h...3h...?). Lá consigo a última bebida num pub onde já não se vende alcool...uma água, claro.

Compramos o bilhete e esperamos. Agora o ambiente tornou-se ainda menos simpático. Imagino as diferencas entre esta paragem e a linha de Sintra...
O mano começa aos berros para alguém que não consigo ver. "I Kill everybothy here!".
J. aperta-me o braço e diz-me para não olhar.

Chega um novamente um bus que não é o 88. Mas este é diferente. É em lagarta (ao contrário dos tipicos 2 andares). Outro aparece na retaguarda e uma enchente de pessoas entra num e noutro. Digo para comigo "queres ver que o outro é o 88"? O problema de estar aqui ha alguns meses e não ser atropelado ou assim, é que fez-me esquecer a minha falta de sorte. Era mesmo. Corro para ele mas as portas fecham-se e coloca-se em marcha mesmo antes de o primeiro sair. Numa explosão de frustração bato com violência contra as portas e mesmo assim o condutor não olha e continua em grande aceleração. Fico a pensar que se fosse um brother e falasse crioulo ele teria falado. Nas campanhas de descriminação positiva. Como esta campanha do borough de lambeth (especie de Freguesia) de onde Balham faz parte:



"We have launched a challenging campaign, 'Check the label', to help dispel the myths around young people's involvement in crime and to highlight the support available for this age group".
Depois das notícias de jornais constantes (algumas a poucas milhas daqui) sempre com os mesmo protagonistas, isto só dá mesmo vontade de rir ("I Kick a ball as well as I do it to a guys head!").
Lembrei-me também quando no Tagus Park em Sintra me coloquei no limite da faixa de rodagem enquanto o autocarro vinha, autocarro esse que não abrandou. E muito menos parou. Tudo porque não estiquei o bracinho. Aquele sinalzinho estúpido que as gentes de um Portugal muito profundo inventou. Na altura ainda mais confusão me fez por estar de fato e gravata e ter de ficar 1h a espera do seguinte. Se tivesse uma indumentária que ferisse menos o seu ego talvêz ele tivesse parado. "Esses cabrões do banco...toma lá para aprenderes... agora és como os outros..." 
Uma carrinha pára ao lado da paragem e saem dois african-british (para não dizer sempre manos). 
- Então? tudo bem?

Diz ele todo sorrisos. Eu fico a tentar perceber que língua era aquela. E J responde de imediato.
- Não! Então a merda do Bus não pára na estação!?
Limpam os vidros da paragem e no entretanto vão comentando "pois isso é chato",  "e para onde vão?". Terminando com um "então uma boa noite!".

Ficamos ambos sorrisos durante os minutos seguintes. A ironia.
Sorriso que desaparece quanto torno a ver o mano que prometia o outro mundo a todos que ali estavamos. Caramba, tantos bus para entrar e teve de ficar ali!

A viagem até casa prometia ser cheia de peripécias. Já eram 3h e ainda iamos no sentido de Brixton (gente simpática, tenho lido). Passamos por Vauxall e Stockwell onde poderiamos ver vários cafés com nomes Portugueses. Acabou por revelar-se bastante rápida. Praticamente o mesmo tempo que levaria se fossemos de tube. O factor transito não entra em contas perto das 4 da manha. 

Chegamos a Clapham Common (estação terminal) e acabamos por seguir a correria de quem vinha conosco. Confiro, e para nossa sorte o bus onde todos entram passam por balham.

Chegamos a Balham e somos os únicos que saímos. Resta-nos 16m a pé até ao vale dos lençois.

2 comentários :

Cherry disse...

Wow!! Que filme!! Mais sorte para a próxima.

Krushev disse...

Arroz xau xau e' uma coisa portuguesa!! Descubri isso ca!

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